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C3 fica mais ágil com novo câmbio

Citroën C3 (Fotos: Isabel Almeida/Autopress)

Versão Exclusive do hatch compacto da Citröen agora conta com transmissão automática de seis marchas

A Citroën começou a ser vista de outra forma pelo Grupo PSA no Brasil nos últimos três anos. Por aqui, a Peugeot era vista como marca popular e a Citroën carregava uma ideia maior de requinte. Estes posicionamentos não chegaram a se inverter, mas foram mexidos. Enquanto a Peugeot passou a buscar uma imagem mais sofisticada e esportiva, coube à Citroën migrar para uma identidade que não chega a ser popular, mas focada em certa praticidade tecnológica. Mas, para isso, é preciso tirar de cena tudo que possa ser considerado ultrapassado do pacote. Na linha 2018 do C3, carro com maior volume de vendas da fabricante francesa, entrou nessa lista a transmissão automática de quatro marchas, usada até o fim dos enormes estoques da montadora. Agora ela dá lugar a uma nova caixa, com seis velocidades, que deu à variante topo de linha Exclusive uma boa relação custo/benefício e novo fôlego para brigar com os hatches compactos rivais sem pedal de embreagem.

O preço, de R$ 65.490, não chama atenção assim, isoladamente. Mas na comparação do segmento, é umas melhores opções entre as configurações de topo, em meio a alguns rivais sem opção de trocas automáticas ou equipados com FOTOS ­ ISABEL ALMEIDA/AUTOPRESS câmbios mais antigos ou CVT. A caixa de marchas nova é fornecida pela japonesa Aisin, que trabalha em conjunto com o motor 120 VTi 1.6 flex. O propulsor, no entanto, foi mexido para receber a novidade. Agora, ele fornece quatro cavalos a menos, ou seja, 118 cv de potência máxima, e 0,3 kgfm a menos, resultando em torque máximo de 16,1 kgfm, tanto com gasolina quanto com etanol. Com gasolina, o torque aparece mais rápido, em 4.000 giros. Já com etanol, dá as caras apenas em 4.750 rpm.

Segundo a Citroën, o ganho com a chegada do câmbio de seis marchas, o mesmo usado no C4 Lounge e no C4 Picasso, aparece nitidamente no conforto de rodagem, pelas trocas mais suaves e relações melhor escalonadas. A caixa utilizada anteriormente, com apenas quatro marchas, fazia com que o Citroën C3 se mostrasse mais rude na hora de ganhar velocidade, com um ronco que invadia de maneira incômoda a cabine. Agora, com duas marchas a mais, não só o barulho diminuiu, como também o gasto de combustível. E ainda trouxe uma suavidade no rodar tamanha que as trocas mal são percebidas, a não ser quando se exige mais do trem de força, como em uma retomada.

Mas outro aspecto certamente pesa, desta vez sobre o bolso dos consumidores. É que além de permitir mudanças manuais sequenciais, o sistema tem três modos distintos de atuação: Eco, para economia, Drive, intermediário, e Sport, mais agressivo. No modo Drive, ele já é 7% mais econômico que o antigo câmbio da PSA. No modo Eco, bate em 12% de redução de consumo.

O pacote de itens de série, no entanto, não mudou. Mas a lista já era extensa. Não engloba grandes aparatos de segurança, mas conta com direção elétrica, computador de bordo, central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas e capaz de espelhar smartphones, ar-condicionado automático digital, sensor de estacionamento traseiro e câmara de ré, vidros elétricos, limitador e regulador de velocidade, sensor de chuva e acendimento automático dos faróis. E traz ainda o charmoso parabrisa Zenith, que amplia a área envidraçada da frente e melhora bastante a iluminação e visibilidade. (Márcio Maio/AutoPress)

PONTO A PONTO

Desempenho – Em relação à linha 2017, o Citroën C3 mudou bastante nesse quesito com a nova transmissão de seis velocidades. O novo câmbio atua de maneira suave e favorece arrancadas e ultrapassagens, que agora são realizadas sem a necessidade de esgoelar o propulsor. A perda de potência, que foi de 122 cv para 118 cv, não é sentida. Ao contrário: parece que o hatch da marca francesa está mais bem-disposto. Nota 8

Estabilidade – Sempre foi uma tradição da Citroën contar com um acerto de suspensão que garanta boa qualidade no rodar. Mesmo em velocidades mais elevadas, o C3 transmite confiança e se mantém equilibrado. Não há controle eletrônico de estabilidade, mas as rolagens de carroceria são contidas e o sistema suspensivo do carro é eficiente mesmo em velocidades elevadas e diante de curvas mais fechadas. Nota 8

Interatividade – Os comandos essenciais ficam em posições favoráveis e a visibilidade dianteira é incrível, graças ao para-brisa Zenith, que aumenta a região envidraçada na frente. Mas um fato decepciona bastante: a tampa do tanque de combustível não tem trava elétrica e, para abastecer, é preciso desligar o carro – o que inclui rádio e arcondicionado parados – e entregar a chave ao frentista. Incompatível com um modelo que promete tecnologias interessantes para o segmento em que atua. Nota 7

Consumo – O Citroën C3 ainda não aparece na tabela do InMetro com a nova transmissão de seis velocidades. Antes, com quatro marchas e 122 cv, suas médias eram de 7,9/8,8 km/h com etanol na cidade/estrada e 11,0/12,6 km/h com gasolina, nas mesmas condições. A marca promete uma economia de até 7%, podendo chegar a 12% quando o modo Eco é ativado. Nota 7

Conforto – A cabine está na média da maior parte dos hatches compactos vendidos no Brasil. Quatro adultos viajam com tranquilidade, mas um quinto passageiro pode gerar aperto no assento traseiro. O isolamento acústico é bom em rotações médias e a nova transmissão reduziu bastante o ruído no habitáculo. Nota 8

Tecnologia – A plataforma não é nova, mas foi retrabalhada quando esta geração do C3 foi lançada, em 2009, na Europa – uma nova surgiu no ano passado. A lista de equipamentos da configuração Exclusive é boa, mas faltam controles eletrônicos de estabilidade e tração. O trem de força foi mexido e a transmissão automática de seis velocidades é bem mais moderna e eficiente que a anterior, de quatro marchas. Nota 7

Habitabilidade – Existem bons porta-objetos no carro e o porta-malas leva 300 litros, ou seja, está na média de seus concorrentes diretos. O para-brisa Zenith amplia a área envidraçada e, com isso, também melhora a sensação de espaço para os ocupantes da dianteira. O porta-luvas é refrigerado e iluminado. Nota 8

Acabamento – O acabamento do Citroën C3, em qualquer uma de suas versões, está acima da média do segmento. Não chega a ser luxuoso, mas impressiona diante da maior parte de seus rivais. Plásticos têm boa qualidade, a maior parte deles é agradável ao toque e os encaixes são precisos. Há alguns cromados pela cabine e tudo é muito sóbrio e charmoso. Nota 8

Design – Apesar das formas arredondadas, os vincos laterais conferem um perfil robusto ao C3. O conjunto ótico está alinhado com o desenho contemporâneo do modelo e contribuem bastante para isso as luzes diurnas de LED. Mas, como já se conhece sua nova geração, que está à venda na Europa, é inevitável a ideia de que o design está sentindo o peso dos anos. Nota 7

Custo/benefício – O C3 Exclusive custa R$ 65.490, mas pode chegar a R$ 67.280 com a cor branca perolizada. Um Peugeot 208 Griffe com mesmo trem de força sai a R$ 70.490, enquanto um Ford Fiesta 1.6 SEL automatizado de dupla embreagem é vendido por R$ 63.190 e um Fiesta 1.0 turbo, com mesmo câmbio, parte de R$ 66.090, ambos com controle eletrônico de estabilidade e tração. A Hyundai pede R$ 67.280 por um HB20 Premium completo, com 128 cv e transmissão automática de seis marchas. Na Fiat, o único hatch com câmbio automático é o Argo, em suas versões 1.8, mas para ter equipamentos equiparados ao C3 Exclusive, vai a R$ 74.900. Exceto pelo Fiesta, o C3 é uma das melhores opções para quem quer bom desempenho e transmissão automática moderna. Nota 7

Total – O Citroën C3 Exclusive somou 75 pontos em 100 possíveis.


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