Cabrio ganha motor mais simples

Em um mercado tão pragmático em relação a preço como o brasileiro, é de se esperar que a presença de “funcars” nas ruas seja mesmo bastante tímida. Mas é nesse pragmatismo que a Fiat apostou quanto criou uma versão ainda mais acessível de seu 500 Cabrio. O carrinho tem todos os requisitos exigíveis de um “funcar”, como o fato de ser divertido, ter um design sedutor e cheio de personalidade e uma imagem simpática e jovial. Para criar esta versão com preço mais atraente, a Fiat adotou a motorização mais simples oferecida no 500. No caso, o motor 1.4 8V com câmbio manual.
Com isso, passou a oferecer o conversível por R$ 56.900, ou R$ 11.320 a menos que a versão de topo, 1.4 16V com transmissão automática. E mais: a versão é equipada e tem nível de acabamento comparável aos compactos da mesma faixa de preço.

 

O 500 Cabrio mantém as linhas clássicas da versão convencional do modelo, mas ganha charme extra com o teto de lona com abertura elétrica que, nesta configuração de entrada, é sempre na cor vinho. A abertura pode ser feita em três níveis. O primeiro lembra um teto solar comum, deixando apenas a região da cabeça dos passageiros dianteiros à mostra. O segundo faz com que a superfície descoberta fique bem maior, mas mantém o vidro traseiro na posição original e os ocupantes do banco traseiro cobertos. Já o estágio final garante a abertura total do teto, fazendo com que o vidro de trás se solte e desça, abrindo espaço para a lona se posicionar sanfonada. A ação de abertura ou fechamento pode ser feita com o carro em movimento, desde que seja numa velocidade inferior a 80 km/h.

A lista de equipamentos de série é extensa. Para garantir o conforto a bordo, há ar-condicionado, direção elétrica, rádio com CD, MP3 e entrada auxiliar, apoia-braço para motorista e trio elétrico. Os itens voltados para a segurança envolvem tecnologias como controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente de partida em rampas, sinalização de frenagem de emergência, sensor de estacionamento, faróis dianteiros com regulagem elétrica de altura e sistema Isofix de fixação de cadeiras infantis.

Ou seja, um pacote bem completo para o segmento e faixa de preço, considerando que se trata de um modelo conversível, que já atrai atenções por si só. Há ainda os opcionais volante em couro com comandos do rádio, piloto automático, sistema de som com Bluetooth e pacote de áudio Alpine.

O motor 1.4 8V produz potência máxima de 85 cv a gasolina e 88 cv a etanol. Seu torque é de 12,4 kgfm a gasolina e 12,5 kgfm a etanol, sempre a 3.500 rpm. A transmissão é manual de cinco velocidades ou, opcionalmente, automatizada Dualogic, também de cinco marchas, que acrescenta R$ 3.000 ao preço. Com o pedal da embreagem, é capaz e chegar à velocidade final de 172 km/h e seu zero a 100 km/h é feito em 11,8 segundos.

Apesar de ser pouco mais de R$ 8.000 caro que a versão de entrada – o 500 Cult “normal” sai das lojas por iniciais R$ 48.740 -, a configuração Cabrio 1.4 8V carrega um posto de destaque no mercado nacional. Não é só o carro conversível mais em conta do país. A diferença entre ele e o concorrente mais próximo em relação ao preço, o Smart Fortwo, é de R$ 20 mil. E com a boa lista de itens de série que carrega, o subcompacto da Fiat com teto de lona oferece não só agradáveis passeios ao ar livre, mas também funciona como carrinho urbano ágil e bastante divertido. (Márcio Maio/AutoPress) 

 

 

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor 1.4 de 88 cv com etanol e 12,5 kgfm de torque é mais que suficiente para mover o modelo, que pesa só 1.080 kg em ordem de marcha. O câmbio manual de cinco velocidades deixa o 500 “esperto” no trânsito urbano. Na estrada, é preciso recorrer às reduções de marcha com frequência na hora das ultrapassagens ou retomadas. Nota 7

Estabilidade – O comportamento do 500 Cabrio 1.4 8V é bem correto. A suspensão macia até privilegia o conforto, mas a aderência é boa e as rolagens de carroceria, apesar de perceptíveis, são controladas. A torção da carroceria é bem pequena para um conversível. Comparado ao modelo fechado, o 500 C recebeu um reforço na estrutura e ainda manteve o arco das portas. A versão ainda conta com controle eletrônico de estabilidade, tecnologia ainda pouco adotada em carros com esse tipo de motorização. Nota 8

Interatividade – São poucos comandos e todos bem posicionados, facilmente acessados pelo motorista. O câmbio, projetado a partir do console, é agravável de usar e muito bem localizado. A visibilidade dianteira é até boa, mas o pequeno vidro traseiro não ajuda. Com o teto completamento aberto, o retrovisor interno torna-se praticamente inútil. Nota 8

Consumo – O InMetro testou a versão Cabrio do 500 com motor 1.4 8V e aferiu 7,6 km/l e 8,2 km/l com etanol e 10,9 km/l e 11,9 km/l com gasolina na cidade/estrada. O resultado conferiu ao modelo nota D na categoria e B na geral, com 1,92 MJ/km de consumo energético. Nota 6

Conforto – O teto retrátil de lona confere uma sensação maior de espaço ao 500, mas o carro não deixa de ser um subcompacto por esse detalhe. Dois adultos viajam bem na frente, mas os passageiros de trás – somente dois – dependem demais da boa vontade dos ocupantes dianteiros. Na verdade, o espaço é pensado para crianças. O acerto da suspensão ajuda a filtrar as imperfeições do solo nacional e o isolamento acústico, apesar do teto de lona, é suficiente para garantir uma conversa sem grandes problemas dentro do veículo. Nota 8

Tecnologia – A plataforma do 500 é de 2007, mas ainda é considerada moderna. Controles eletrônicos de estabilidade e de tração são itens de série, assim como alerta de limite de velocidade. O teto retrátil é elétrico e funciona em três estágios. Mas não há opção de central multimídia no modelo. Nota 8

Habitabilidade – Para quem viaja à frente, entrar e sair é bem fácil. Ainda mais quando o teto está aberto. Mas acessar a parte traseira exige contorcionismo. Os porta-objetos não têm espaço de sobra, mas também não falta lugar para abrigar o que precisa estar à mão do motorista. Já o porta-malas é ainda menor que no 500 convencional, com 185 litros de capacidade. Nota 8

Acabamento – O acabamento do 500C de entrada é recheado de plásticos, mas todos de bom aspecto e com arremates precisos. Os bancos de tecido são bicolores, o que transmite um charme extra ao habitáculo. Podem ser em marfim e vermelho, marfim e cinza, cinza e preto ou, como na versão testada, preto e vermelho. Trata-se de um interior descontraído, mas sem exageros. Nota 8

Design – O visual retrô, seus faróis circulares e outros traços que lembram o modelo clássico da Fiat já chamam atenção. Com a capota aberta, é praticamente impossível passar com um 500C despercebido pelas ruas. Além disso, o teto retrátil vermelho, combinado a uma outra cor de carroceria insere ainda mais personalidade ao modelo. Nota 9

Custo/benefício – O 500C é o carro conversível mais barato do Brasil, com preço inicial de R$ 56.900. Pode chegar a R$ 60.834 com alto-falantes Beats e som Alpine operado por comandos de voz, entrada USB e Bluetooth, piloto automático e volante multifuncional em couro. Esse é o preço médio de um hatch compacto mais requintado, com equipamentos semelhantes aos do 500 Cabrio. Sem capota, quem chega mais perto é o Smart ForTwo Cabrio, que tem motor turbo de 84 cv, mas custa R$ 76.900. Nota 8

Total – O Fiat 500 Cabrio 1.4 8V somou 78 pontos em 100 possíveis.


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