ARTIGO

Cadê o dinheiro?

Laerte Silva

laerte.silva.adv@gmail.com

Nas ruas das cidades, muitos pontos comerciais não existem mais. Se a economia já não estava a todo vapor, a pandemia trouxe uma piora gigante com o fechamento dos estabelecimentos comerciais e de serviços para atender ao isolamento social. Deixando de lado o debate saúde e economia, evidente que é preciso que as empresas e os pequenos empresários e negócios sobrevivam para fazer girar o dinheiro e manter empregos. E, para isso, no mundo todo, vimos casos de ajuda dos governos para que os empreendimentos não acabassem, evitando-se falências.

Infelizmente no Brasil, por conta da histórica corrupção e tremenda burocracia, e, principalmente, pelo fato de a população e das empresas ficarem nas mãos dos bancos, sem gordura para negociar, salvo as grandes corporações, a obtenção de crédito é difícil. Na presente crise, o Governo Federal sinalizou com a concessão de crédito, positivamente, do qual, como exemplo, temos o Pronampe, empréstimo em condições especiais, atrelado aos bancos oficiais e permitido também sua contratação junto aos demais integrantes do sistema financeiro. Ocorre que, ao procurar esse caminho, o empresário percebe que o acesso é difícil, o dinheiro não chega ao socorro das micro e pequenas empresas.

Muito embora a Receita Federal tenha enviado aviso aos interessados, fato é que fora do sistema da Caixa Econômica Federal, os demais agentes não agilizaram nada a respeito disso, provavelmente pretendendo “vender” o seu produto, oferecer sua própria linha de crédito, mais cara e com juros maiores, o que desanima quem tenta sobreviver neste momento em que seu negócio esteve ou ainda está parado por conta das determinações legais.

Há uma distância enorme entre o que é dito pelo Governo Federal e o resultado prático, e a distância entre o discurso e a empresa traz a pergunta: cadê o dinheiro?

Laerte Silva é advogado


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