ENTREVISTA

Caio Cunha afirma que pretende disputar a prefeitura de Mogi pelo Podemos

META Hoje no PV, Caio Cunha deve se candidatar pelo Podemos. (Foto: arquivo)

O vereador Caio Cunha, hoje filiado ao Partido Verde (PV), pretende ser candidato a prefeito de Mogi das Cruzes, mas por um outro partido, o Podemos, já que o comando de sua legenda está praticamente fechado com o atual prefeito Marcus Melo (PSDB), virtual candidato à reeleição. Ele disse, em entrevista do Podcast Informação, que irá trocar de partido na janela que a legislação eleitoral irá abrir, em março próximo. Caio promete fazer uma campanha apresentando propostas para o desenvolvimento de Mogi das Cruzes. Ele surpreende ao dizer que a internet, sua antiga aliada em campanhas passadas, não deverá ter o mesmo papel no pleito deste ano. “Ela não é mais a grande estrela”, disse ele, apostando no “olho no olho” com o eleitor como a principal estratégia para estas eleições. O pré-candidato fala ainda sobre o apoio evangélico e o que pretende fazer para dar qualidade de vida aos mogianos, a grande meta de sua administração, caso vença a eleição.

Confira a entrevista:

No final do ano passado, o senhor disse à coluna Informação que não sairia mais candidato a vereador por Mogi. Isso significa que a disputa pela Prefeitura será a sua grande meta?

Eu assumi um compromisso, tanto com meu grupo como comigo mesmo, de não ter mais do que dois mandatos. Eu acredito que dois mandatos sejam o suficiente. Primeiro, porque eu sempre falei de inovação na política. Eu não posso ser incoerente de falar de inovação e não promover uma renovação. Por outro lado, eu não tenho a vaidade do título de vereador. A minha vaidade está na realização. Então, se você olhar, historicamente, para qualquer cidade do Brasil, o vereador que fica por muito tempo no cargo, cada vez menos produz. Eu não quero cair nesse círculo vicioso. Isso significa que eu estou me lançando como pré-candidato a prefeito neste ano.

Após ser campeão de votos na eleição para a Câmara e ser o candidato a deputado mais votado em Mogi das Cruzes, o que o senhor espera para a eleição de prefeito?

Eu acho que a eleição de 2018 me colocou num patamar diferenciado. Há um cenário muito favorável; no coração das pessoas há um sentimento em favor de mudanças e acho que Mogi precisa sair de um período de tanto tempo de um mesmo grupo no poder. Acabar com o continuísmo que ficou muito claro nesta atual gestão e promover uma atualização e um desenvolvimento necessário para nossa cidade.

Esta vai ser a base de sua campanha? Você pretende fazer uma campanha mais propositiva, ou criticando virtuais erros do atual governo?

Eu sempre pauto minhas ações visando soluções. Visando ser propositivo para algo. Acho que falar de problemas, qualquer um pode falar. O que a gente precisa falar é de solução. Estamos nos referindo a uma cidade de quase meio milhão de habitantes e é certo que problemas existem. Agora, o que precisamos atacar de fato é como essa cidade pode se desenvolver. Ela cresceu muito nos últimos anos. Cresceu em número de pessoas, de carros, de prédios. Agora, Mogi precisa se desenvolver.

O vereador pertence hoje ao Partido Verde (PV). É por este partido que você irá disputar as próximas eleições?

Agora, em março, acontece a janela partidária. Eu tenho compromisso com o PV até março, quando então eu mudo de partido.

Para qual legenda?

Podemos.

E quais partidos irão lhe dar suporte nestas eleições. Isso já está definido?

A gente está conversando com bastante partidos. A nossa ideia não é fazer um amontoado de legendas. A gente trabalha com um projeto de cidade. Então eu não penso só num partido para somar tempo de tevê ou para somar, como tem muita gente fazendo, o fundo eleitoral. Eu penso no projeto. Estou, hoje, 100% Podemos e 100% Solidariedade. Estamos conversando com outras legendas, apresentando o nosso projeto.

A internet tem sido a sua grande aliada nas eleições anteriores. Como o vereador pretende utilizar a rede durante a futura campanha?

A internet para a gente, sempre foi algo muito importante. Não, simplesmente, para fazer uma comunicação convencional, mas para ser transparente e para dar acesso às pessoas a conversarem com a gente, a colocarem sua opinião. É fato que houve um boom da internet em 2018 e agora a internet é diferente do que foi nos outros anos. Ela não é mais a grande estrela. Ela é uma ferramenta muito importante, mas nada tirou o peso do “olho no olho”, as pessoas sentido as propostas de perto, do candidato tentando entender as necessidades do dia a dia das pessoas.

Há quem diga que o vereador Caio Cunha é muito bom de internet, mas que pouco fez como vereador. Como é que o senhor vai responder a esse tipo de crítica, que fatalmente irá acontecer durante a campanha?

Isso é muito simples. É só acompanhar nosso mandato. E os números não mentem. Se você analisar a nossa produtividade legislativa – em número de projetos, ofícios, requerimentos, do que for -, nós temos uma atuação sempre mais elevada do que todos. Se comparar o nosso mandato, só neste último ano de 2019, eu apresentei três vezes mais proposituras do que a média da Câmara. Eu não apresento nome de rua, título de cidadão. Eu apresento, de fato, proposituras. Fora todo esse trabalho eu tenho uma ação muito forte de ouvir a população. Tenho uma rede de pessoas que participam ativamente de nosso mandato. O nosso mandato é extremamente participativo, que é justamente para ressignificar a função do vereador, que é de ser um representante do povo.

Qual vai ser o papel da igreja, em especial a evangélica, em sua campanha?

Acho que como sempre foi. A igreja nada tem a ver com a campanha. Ela tem a ver com meus valores íntimos e pessoais. Eu não permito juntar as duas coisas. Acho que a igreja tem uma função social e a política tem outra. A igreja tem muito mais a ver com o Caio, do que com a campanha do Caio a vereador ou a prefeito.

Mas o Caio tem sempre recebido apoio de uma parcela religiosa, especialmente a parcela mais jovem do setor evangélico…

Sim, justamente porque foi de onde eu vim. Eles me conhecem de perto e têm acompanhado nosso trabalho desde então. É natural que uma rede que nasceu comigo, lá em 2012, venha, inclusive, crescendo e tendo uma consistência, porque o trabalho, graças a Deus, tem sido bem-feito. E esse grupo continua me acompanhando e crescendo.

Qual a visão que o vereador Caio Cunha tem hoje da cidade e o que ele acha que pode ou precisa mudar, caso ele venha a chegar à Prefeitura?

Eu acho que Mogi é uma cidade sensacional. Ela tem muitos atributos, é uma cidade muito bem localizada… O que eu acho é que há um erro de gestão na cidade. Mogi cresceu assustadoramente, mas não se desenvolveu. E quando ela não se desenvolve, ou seja, não tem um planejamento, ela não cresce com equilíbrio, não cresce com inteligência, as consequências acabam acontecendo: enchentes, trânsito, falta de emprego. Hoje, quase 20% da população de Mogi precisa sair daqui para trabalhar. Isto é um absurdo. Então, nós precisamos colocar Mogi no real caminho de seu potencial, que é muito grande. Eu não quero ser conhecido, em 2024, como o prefeito que construiu um grande prédio, ou um túnel. Eu quero ser conhecido como o prefeito que trabalhou para devolver a qualidade de vida para o povo mogiano.

E qual é o caminho para isso?

É pensar planejadamente, pensar numa cidade voltada para as pessoas. Mogi, digo, a cidade em si, só tem sentido por conta das pessoas. Se não tiverem pessoas, não tem cidade. Então, as pessoas precisam ser as grandes protagonistas e ajudar no processo de decisão e de construção da cidade. Acho que é isso que tem faltado muito nas últimas gestões: este contato muito mais próximo com a população.


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