EDITORIAL

Calçadas perigosas

A melhoria das condições das calçadas tem relação direta com o rigor e a assiduidade da fiscalização aos proprietários dos terrenos públicos, e também da atuação da Prefeitura porque uma grande parte dos imóveis municpiais tem problemas com a conservação do espaço destinado ao pedestre.

Calçadas com peças soltas, mato, buracos e depressões são um sinal de desordem e negligência que pesa na imagem do governo municipal. Essa colcha de problemas também denota um desajuste no diálogo entre o cidadão e a cidade. Quando o morador pressiona e cobra respostas para esses problemas, há um maior controle nesse setor. Os proprietários são os responsáveis pelas calçadas ainda que esta paternidade seja questionada, inclusive judicialmente, por quem ass considerem como um espaço público e, portanto, de responsabilidade da Prefeitura.

Em nossa reportagem sobre o assunto, o relato da moradora Reiko Ojima, de 77 anos, diz tudo sobre o gravíssimo problema urbano. Não apenas idosos e crianças são vítimas de escorregões e tombos. Adultos podem se desequilibrar com facilidade nas calçadas com falhas construtivas como os degraus irregulares.

Ao ir para uma sessão de acupuntura na avenida Maestro João Baptista Julião, Reiko optou por seguir pela rua, disputar o espaço com os carros, e assim resumiu a orfandade dos mogianos quando encontram uma calçada irregular ou com mato e lixo. “Sei que não pode andar na rua, porque é perigoso. Mas na calçada corro o risco de cair. Perto de minha casa já cai e machuquei os joelhos. Dá medo, só que não dá para passar em algumas calçadas”, resumiu.

No momento quando a própria Prefeitura fala tanto sobre a melhoria da acessibilidade urbana e executa projetos em favor da mobidade, as calçadas precisam receber maior atenção.

É um desafio e tanto. A começar pelo tamanho da malha viária em expansão em um ritmo surpreendente em bairros e até mesmo em regiões centralizadas. Mogi possui 272 avenidas e 2.768 ruas que somam respeitáveis 1.322,13 quilômetros de extensão, que possuem o dobro dessa métrica em calçadas (nessa conta, não estão as estradas rurais).

Além de fiscalizar e cuidar do próprio quintal, a Prefeitura precisa estar atenta a outras situações que levam tempo para serem corrigidas. Falamos aqui das novas construções que são entregues sem a completa adequação das calçadas. Nesses locais, os acertos nas ligações de água, esgoto e gás são feitos em períodos diferenciados e a abertura das calçadas para os serviços de inspeção e insalação de canalizações são um suplício para os pedestres. O mesmo ocorre com intervenções feitas pela própria administração municipal que demoram tempos para serem corrigidas.Tudo isso compromete a segurança do cidadão.

O Diário

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