ARTIGO

Calma amigo

Laerte Silva

A maioria da população tem uma rede social na palma da mão, no celular que carrega todo o tempo. Estar conectado diante da velocidade da informação é algo obrigatório no universo profissional, mas o lazer também ganhou com isso. O mundo digital nos permite postar nos aplicativos de mensagens os mais variados vídeos, imagens, piadas e acontecimentos, reais ou fabricados, as conhecidas “fake news”.

Em tempos da coronavírus e distanciamento social, o WhatsApp ganhou proporções ainda maiores, vencendo a televisão e os videogames, acarretou uma curiosa transformação da pandemia numa “paranoia” de discussão de certezas, dicas, piadas e, também, do viés político das decisões dos governantes.

Sim, a doença acabou por elevar a temperatura das discussões políticas. Participo de vários grupos, um particularmente, de pessoas livres, de bons costumes, não ficou à margem do debate, da discussão de culpa, da crítica aos desdobramentos e comparações. Sadia a discussão que deve acontecer dentro do limite do argumento, isto é, sem querer transformar e convencer pelo radicalismo do quanto pior melhor e nem da coloração política sem freios.

Esse fenômeno das redes sociais num país em que os telefones fixos nas residências perderam terreno, tanto mata saudades de quem está longe como afasta quem está perto. É paradoxal, mas “o celular”, em alguns momentos, estraga as relações ao virar instrumento de discussões frias por meio do aparelho. Por vezes perde-se a linha.

O coronavírus não tem cor, não tem rosto, não tem raça, não tem partido, não escolhe nacionalidade ou religião e, por isso, não deve servir de palanque para nenhum político, nem para exacerbação política a ponto de os grupos se desfazerem. Por isso, calma amigo, fraternidade acima de tudo.

Laerte Silva é advogado


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