PROBLEMA

Câmara quer mais vagas em velórios e cemitérios de Mogi

TUDO JUNTO Sepulturas no Cemitério da Saudade, em Braz Cubas, estão amontoadas e a falta de espaço leva as alamedas. (Foto/ Eisner Soares)
TUDO JUNTO Sepulturas no Cemitério da Saudade, em Braz Cubas, estão amontoadas e a falta de espaço leva às alamedas. (Foto/ Eisner Soares)

Apontar soluções para o problema do número reduzido de salas nos velórios municipais de Mogi será um dos desafios da nova Comissão Especial de Vereadores (CEV) que está sendo instituída na Câmara de Mogi, com a finalidade de fazer um diagnóstico da situação e apresentar ideias para as questões que envolvem também a falta de espaço para sepultamentos nos cemitérios públicos. Famílias reclamam que foram obrigadas a ficar na fila de espera por uma vaga para velar seus mortos.

A cidade conta com nove salas, distribuídas entre o Velório Cristo Redentor, que mantém cinco espaços no Parque Monte Líbano, e o Velório de Braz Cubas, com quatro compartimentos, no distrito. Os dois velórios funcionam sob concessão a empresas funerárias. A Secretaria Municipal de Governo informa que é realizada uma média de 210 sepultamentos em Mogi por mês, o que representaria sete por dia.

Essa quantidade de salas não está sendo suficiente para atender a demanda da cidade com quase 450 mil habitantes. Há ocasiões em que os dois locais estão lotados e os familiares precisam esperar algumas horas para conseguir a liberação de uma sala no Velório Cristo Redentor, o mais concorrido da cidade, por estar localizado na área central.

Um dos casos aconteceu no final de maio com Luiz Pontes, que teve problemas para velar o corpo de sua irmã, Isabel Sunada, vitima de ataque cardíaco fulminante. Após esperar horas para conseguir a liberação do corpo no IML, quando ele imaginou que a irmã pudesse ser, finalmente, velada por familiares vindos de pontos distantes do Estado, foi informado que no Velório Cristo Redentor não havia vaga disponível nas salas. A saída foi levar o corpo para o Velório de Braz Cubas.

Quem enfrentou o mesmo problema foi a dona de casa Vera Lúcia Victorette Ribeiro, que também não encontrou vagas no Cristo Redentor para velar o corpo de sua mãe, em março do ano passado. Ela disse que ficou constrangida com a situação porque vários parentes vieram do interior para prestar as últimas homenagens à mãe dela. Porém, a direção do velório encontrou uma saída e sugeriu que o corpo fosse velado em uma capela existente no espaço.

A gerente da Funerária Coração de Jesus, Elaine Moro Higa, que administra o velório Cristo Redentor, explica que normalmente há disponibilidade de sala e que dificilmente acontece a superlotação. Quando ocorre, ela diz que a orientação é para que as famílias transfiram o corpo ao Velório de Braz Cubas. Porém, alega que quando faltam vagas nos dois locais, a funerária cuida do processo de espera, mantendo o corpo em seu laboratório até que a vaga esteja disponível. Ela completa que é feito todo o preparo do cadáver se a espera for grande. Há ainda casos de famílias que velam seus mortos em templos religiosos.

A situação também é complicada nos cemitérios que operam praticamente no limite da capacidade. As reclamações chegaram aos vereadores, que após discussões em plenário também sobre a necessidade de instalar um crematório na cidade, decidiram montar a CEV, que deverá ser integrada pelos vereadores Pedro Komura (PSDB), Benedito Taubaté Guimarães (MDB) e Edson Santos (PSD). A proposta deve ser aprovada nos próximos dias, garantindo a eles prazo de seis meses para apresentar conclusões e solução para a polêmica.

REDUZIDO Velório Municipal Cristo Redentor conta com cinco salas no Parque Monte Líbano. (Foto: Eisner Soares)

A Secretaria de Governo informa que realiza estudos para modernizar o sistema funerário de Mogi. A melhoria da estrutura dos dois velórios municipais também faz parte deste levantamento.

Vereadores sugerem PPP para cemitérios da cidade

Os problemas que envolvem o sistema funerário de Mogi têm ganhado destaque nos debates da Câmara. Um dos pontos mais polêmicos é a falta de vagas nos cemitérios da cidade. Os parlamentares defendem uma Parceria Público Privada para construção de novos espaços, ampliação dos velórios, além da construção de um crematório no município, que tem cerca de 2,1 mil óbitos por ano.

Na última sessão, o vereador Iduigues Ferreira Martins (PT) disse que recebeu a reclamação de uma pessoa que estava indignada por ter que enterrar o familiar em um túmulo instalado no corredor usado para circulação de pessoas no Cemitério da Saudade, em Braz Cubas. Outras reclamações como esta já foram registradas por O Diário.

A cidade possui cemitérios de grande porte, como São Salvador (9,8 mil sepulturas) e o da Saudade (9 mil jazidos). Há outro menor, em Sabaúna (400), além do particular Parque das Oliveiras.

A Prefeitura informa que recentemente foram construídos 165 jazigos no Saudade, com investimento de R$ 120.311,58.

Os novos seguem a modalidade provisórios, em que os restos mortais são exumados após três anos do sepultamento, com posterior encaminhamento ao ossário geral.