ECONOMIA

Caminho da praia vai ganhar unidade do Alabarce

Grupo genuinamente mogiano vai construir novo ponto de venda na Vila Moraes. (Foto: Divulgação)
Grupo genuinamente mogiano vai construir novo ponto de venda na Vila Moraes. (Foto: Divulgação)

Ao completar, no próximo mês, 25 anos na área de supermercados em Mogi, o Grupo Alabarce irá anunciar oficialmente, amanhã, ao lado do prefeito Marcus Melo (PSDB), o início da construção de sua quinta unidade. O novo prédio, em forma de diamante, será erguido na altura do Km 6 da ligação rodoviária Mogi das Cruzes-Bertioga, na Vila Moraes, à direita de quem segue no sentido do litoral, no trevo em construção pelo DER, nas proximidades da antiga Curtidora Brasitania.

O terreno de 14 mil m², negociado com o empresário Fumio Horii no ano passado, está em um platô, interligado por amplas avenidas à Mogi-Bertioga e à recém-construída avenida Kaoru Hiramatsu, irá receber as primeiras fundações até o final do mês de outubro. A obra deverá estar pronta em julho de 2020.

O supermercado, que deverá gerar 250 empregos diretos, terá 14 mil m² de área construída, distribuídos entre o subsolo, onde ficará o estacionamento com 250 vagas, e o andar térreo, que abrigará uma área de vendas de 4.500 m². Os dois pavimentos, a exemplo da loja já instalada no bairro do Mogilar, serão interligados por escada rolante e um elevador, para servir tanto os deficientes físicos como o público em geral.

Ao utilizar qualquer desses acessos, o consumidor chegará ao setor de vendas, onde 25 mil itens dos – exceção de roupas e eletrodomésticos – estarão à disposição, assim como 20 caixas (checkouts), suficientes, conforme os idealizadores, para evitar filas e garantir atendimento rápido, algo fundamental para clientes que estarão a caminho das praias de Bertioga, um dos alvos principais do empreendimento.

Antes de acessar o interior da loja, o visitante poderá circular por um boulevard, tipo especial de corredor ladeado por 18 lojas, com espaços internos variando entre 28 m² e 40 m², oferecendo desde serviços, moda e alimentos, já que ali perto funcionará também uma praça de alimentação, onde a clientela poderá fazer refeições, consumir lanches rápidos, ou simplesmente descansar. As lojas externas, a exemplo das existentes na unidade do Alabarce na Vila Oliveira, serão terceirizadas e deverão complementar o mix de ofertas do supermercado.

O projeto da arquiteta Nair Shigueko, desenvolvido com as participações do engenheiro Geraldo Justiniano Rezende e a desenhista em 3D, Renata Dias, leva em consideração as previsões de público, apontadas em pesquisa encomendada pelos investidores, que indicou alguns motivos mais que convincentes para a escolha do local do imóvel e suas características. Segundo o levantamento, está prevista circulação diária média de 20 mil veículos no entorno, entre o tráfego local e aqueles que se dirigem às praias, principalmente nos finais de semana e feriados prolongados.

Além disso, a loja estará localizada num promissor vetor de crescimento da cidade, onde residem atualmente mais de 55 mil pessoas, espalhadas por localidades como Braz Cubas, Vila Moraes, Conjuntos São Sebastião e Bertioguinha, além de novos condomínios. Fontes do setor imobiliário da cidade informam que está nos planos do empresário Fumio Horii o lançamento de um loteamento, com mais de mil unidades, em terreno situado ao lado do supermercado.

“A futura loja obedecerá ao conceito Alabarce, presente em nossos outros endereços: muita variedade, qualidade e bons preços, num espaço bonito para agradar a todos os mogianos daquela região, ainda distantes de nossas outras unidades”, afirma o porta-voz do Grupo e um dos sócios, Ronaldo Alabarce, que evita falar sobre valores do investimento, mas garante que haverá atrativos especiais para atrair também as famílias que passarão por ali a caminho das praias.

Mistério

Uma das alternativas para chamar a atenção desse público será a utilização de uma comunicação moderna, que usará a força dos aplicativos e da internet para informar aos visitantes as ofertas de cada dia, principalmente nos finais de semana, por meio de mensagens de celulares e tablets, a partir do momento em que estiverem chegando à cidade.

Os empreendedores, no entanto, mantêm em sigilo uma estratégia de vendas inédita, que vem sendo testada para ser colocada em prática no início da operação do ponto de vendas.

Alabarce evita antecipar informações sobre a novidade, além de que ela exigirá uma nova tecnologia e que deverá surpreender o público consumidor justamente pelo ineditismo do projeto. “Será um novo serviço que irá facilitar – e muito – a vida dos consumidores”, admite.

“Além de uma enorme variedade de produtos e serviços, como açougue, adega, padaria, restaurante, lanchonete, doceria, farmácia, entre outros, estaremos abertos a receber propostas diversas para a área do boulevard, que deverão oferecer outras opções aos nossos clientes, que irão desfrutar de tudo isso em uma loja bem localizada, num ponto alto, imponente, servido por amplas vias de tráfego e pela nova rotatória, que irão tornar mais fácil o acesso ao nosso ponto de vendas”, diz ele.

Primeiro supermercado surgiu em 1994

Quando estiver operando seu novo investimento, o Grupo Alabarce também estará alcançando a marca de 300 mil visitantes/dia e geração de mil empregos diretos nas cinco lojas de Mogi das Cruzes, onde tudo começou, no ano de 1994, graças à iniciativa de três irmãos – Ronaldo, então com 17 anos; Rafael, com 20; e Roberta, 23: que tentaram buscar sua independência financeira abrindo um supermercado, mesmo sem qualquer experiência no ramo. Um desafio que surpreendeu até seus pais, Nildo e Valéria, que atuavam no ramo de postos de abastecimento e sabiam das dificuldades que uma iniciativa como aquela teria de enfrentar.

Diante da persistência dos filhos, Nildo concordou em ceder-lhes o imóvel de propriedade da família, na rua Dr. Deodato Wertheimer, proximidades da praça Firmina Santana, mobiliado e com mercadorias, mas com uma condição: “Isso será o futuro de vocês, mas se a loja não der certo, cada um irá seguir o seu rumo, por conta própria.”

Os três toparam o desafio e, pouco tempo depois, passaram a administrar uma pequena área de vendas de 700 m² e quatro caixas. “Nossa maior dificuldade era a falta de confiança da população; a sociedade não acreditava que três adolescentes, que nunca haviam trabalhado na vida, tivessem sucesso num ramo tão complexo e difícil quanto o mercadista”, lembram eles.

“Achavam que tudo não passaria de fogo de palha, mas nós jamais pensávamos que não fosse dar certo. Nunca olhamos para as críticas, sempre focados e determinados a aprendermos na marra, mesmo tendo de apanhar. Se hoje conquistamos todas as classes sociais, foi escutando os clientes no chão das lojas”, conta o trio.

Hoje o discurso soa interessante, mas o começo não foi nada fácil. Sem qualquer experiência no ramo, os irmãos ligavam para amigos à procura de representantes de indústrias e fábricas que pudessem ajudá-los a entender melhor os mecanismos das vendas no varejo e melhorar suas condições de compra.

Valia de tudo para atrair clientes ao interior da loja. Até ficar na porta, com uma cesta de pães franceses quentinhos, que eram oferecidos de graça, por quem se dispusesse a entrar e conhecer o novo comércio. Era preciso atrair a clientela e mesmo atender a seus insistentes pedidos por um açougue e um setor de vendas de hortigranjeiros.

O setor de legumes e verduras só viria, três anos mais tarde, na forma de uma mesa de 1 metro quadrado, dividida em quatro partes iguais, onde eram colocados limão, laranja, cebola e batata. O açougue só chegaria quando os irmãos encontraram o Augustinho, um vendedor de arroz que já havia sido açougueiro. Ele aceitou o convite para ajudar na montagem do ponto de venda, com carnes compradas na própria cidade. O teste deu certo.

E, se os três mosqueteiros, Athos, Portos e Aramis, da história de Alexandre Dumas, contavam com a ajuda de um quarto integrante do grupo, o D’Artagnan, nosso trio era, na verdade, um quinteto, já que seus pais, vendo o esforço dos garotos, passaram a ajudá-los. Assim, era comum encontrar dona Valéria fazendo compras no “atacado da Cobal”, logo cedo, no bairro do Mogilar. Ou o pai, Nildo, usando o próprio carro para abastecer o supermercado com compras feitas no Ciro Atacadista, em Braz Cubas.

“Não conseguíamos comprar de grandes fornecedores, pois não conhecíamos ninguém. Também não tínhamos preço para concorrer com outros supermercados da cidade. Por isso, era preciso mostrar qualidade no atendimento e, pouco a pouco, começamos a ousar”, lembram eles.

Quando a média de vendas de leite em pó na loja era de dez caixas ao mês, eles conseguiram negociar 300 caixas do produto com a Itambé e passaram a vender mais barato que a concorrência. “Foi um sucesso e logo ficamos conhecidos pelo leite em pó mais barato da cidade”, contam.

Outra promoção semelhante veio com biscoitos, comprados de um atacadista de doces de Suzano.

Apesar dos acertos esporádicos, o negócio continuava difícil, com muito trabalho e pouco dinheiro nos bolsos dos três irmãos. O que era arrecadado ia para o estoque da loja, que eles também não sabiam administrar.

Ronaldo, o mais novo deles, hoje com 42 anos, conta que certo dia decidiu desistir e foi atrás de um comprador para sua parte no negócio. Não encontrou ninguém disposto a assumir a aventura, naquelas condições.

Só que, em vez de decepção, a iniciativa lhe rendeu novas forças para continuar trabalhando, ao lado dos irmãos.

Quatro anos após a abertura, os esforços foram dando frutos à medida em que os três também foram adquirindo conhecimento e entendendo que era preciso definir uma estratégia de ação, tendo em vista a imagem que teriam de passar para a clientela.

Eles optaram pela qualidade e deu certo. A ponto de o espaço haver se tornado pequeno para a freguesia consolidada. Decidiram, então, abrir outra pequena loja, na Rua Barão de Jaceguai, esquina com a Presidente Rodrigues Alves. Era 1997 e a filial durou até que se concluísse uma reforma e ampliação na matriz, que passou dos 700 m² de área de vendas para 1.300 m² e de quatro para as atuais 10 caixas, em 2003.

O sonho do crescimento já fazia parte da rotina dos três irmãos, embalados pelo controle e sucesso dos negócios. Por isso, enquanto as mudanças ocorriam na área central da cidade, eles decidiram pela ousadia de construir nova unidade, nos confins da Vila Oliveira, verdadeiro fim de mundo (ou de Mogi), também conhecido como “buraco negro”.

O lugar sem iluminação, sem asfalto ou ponto de ônibus, começou a funcionar antes mesmo que a Helbor e outras construtoras inaugurassem empreendimentos ao redor do supermercado. Como era preciso atrair clientes, a solução foi alugar um velho ônibus e colocá-lo à disposição dos moradores da região do Socorro, Cocuera e adjacências.

“Quando o ônibus chegava, eu e minha mãe ficávamos na expectativa, olhando pelo vidro do escritório, e eis que desciam dois, no máximo três clientes”, lembra Ronaldo.

Ele, Rafael e Roberta, no entanto, tinham certeza de que, com o know how adquirido em 8 anos de trabalho no centro, iriam conquistar a vizinhança. A loja inaugurada em 2002, teve sua maturação alcançada em quatro anos, quando também teve a área de vendas ampliada, de 4 mil m² para 10 mil m².

Já dominando os mecanismos do negócio, o projeto de expansão continuou com a inauguração da loja de Braz Cubas, em 2007, e, finalmente, a do Mogilar, em 2015.

Hoje, com os negócios consolidados e conhecendo, como poucos, os meandros do setor supermercadista, Ronaldo, Rafael e Roberta prometem continuar investindo na cidade que lhes garantiu sucesso e até pensam em levar a marca para além das fronteiras de Mogi. Isso, entretanto, somente será pensado após a inauguração da quinta unidade, no Caputera. Até lá, os três irmãos mogianos continuam trabalhando duro, ao lado dos pais, fazendo valer o lema que imortalizou os mosqueteiros de Dumas: “Um por todos e todos por um”.

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