NOVO FORMATO

Canto de Cabocla aposta em agenda cultural online

NESTE SÁBADO Quem estreia a nova agenda cultural é o músico Bilé Júnior, com canções próprias e também sucessos da música nacional. (Foto: divulgação)
NESTE SÁBADO Quem estreia a nova agenda cultural é o músico Bilé Júnior, com canções próprias e também sucessos da música nacional. (Foto: divulgação)

Como noticiado por este jornal, o Canto de Cabocla, espaço que recebe a música autoral em Mogi das Cruzes, pediu –e ainda pede, na verdade- socorro. Contudo, embora a campanha de financiamento coletivo para a manutenção do local ainda esteja ativa, é tempo para uma nova fase do espaço, que volta a funcionar neste sábado, dia 15, com concertos musicais online.

A música, das 14 às 17 horas, será comandada pelo artista Bilé Júnior, de Guararema, que estará dentro da nova sede do Canto, na mesma rua, Barão de Jaceguai, no Centro de Mogi das Cruzes, mas agora no número 914.

Desde que com os devidos cuidados de higiene e distanciamento social, bares e restaurantes já podem voltar a funcionar na cidade, mas não é o caso aqui. Ou seja, somente será possível assistir ao show de Bilé, com canções autorais e grandes sucessos da música nacional, pela internet.

Isso porque o retorno da agenda cultural da casa é, num primeiro momento, totalmente digital, com ingressos que podem ser adquiridos de maneira avulsa ou num combo com um “prato vegano do dia” que deve ser retirado presencialmente.

“Acho um absurdo essa flexibilização, quando nos hospitais ainda não há vagas por causa da Covid-19. Então não vamos correr nenhum risco, e só abriremos para que os pedidos sejam retirados”, explica Sandra Vianna, musicista e proprietária do Canto de Cabocla, para justificar a escolha do novo formato de shows.

Diferentemente das lives que se popularizaram nas redes sociais, estas de sábado à tarde serão restritas. Só terá acesso, pela plataforma Google Meet, quem adquirir os bilhetes, cujos valores (R$ 10 para entrada avulsa e R$ 50 com a escolha gastronômica) serão divididos entre o cachê do artista e a manutenção da casa, que está finalizando os últimos ajustes no novo endereço.

A agenda das próximas semanas seguirá este esquema, com nomes conhecidos da noite mogiana: Waldir Vera no próximo dia 22 e Brenô no dia 29, encerrando o mês. Já Rui Ponciano estreia setembro, no dia 5.

Outras novidades

Antes da pandemia do novo coronavírus, a agenda cultural do Canto de Cabocla se dava de quarta-feira a sábado. Agora, como a casa não abrirá mais a noite, a música ao vivo acontecerá somente aos sábados, no salão apelidado de ‘Porahey’, “que significa cantar em tupi-guarani”, como traduz Sandra.

A escolha do nome tem a ver com outras novidades planejadas para depois da quarentena. “Estamos abrindo espaço para a cultura indígena, com o Espaço Tekoá Porã, e também para o artesanato produzido por mogianos, com o ateliê A Capiora”, adianta a gestora da casa.

Tem mais: como o Canto está de casa nova, mudam-se as configurações físicas. O palco agora é maior e possibilitará a execução de mais peças teatrais e está nos planos a ocupação do Largo Bom Jesus para algumas atividades pontuais.

Mais informações sobre a nova programação cultural estão disponíveis em www.facebook.com/cantodecabocla.

“Não deixaremos o aspecto da cultura autoral, que é o motivo principal de nossa existência”, finaliza Sandra, que possui várias outras cartas na manga, e adianta uma delas: “esperamos fazer shows noturnos mensais, para mantermos nosso público cativo”.

Casa noturna com foco em conteúdo autoral busca ajuda

Assim como todos os pontos de cultura da cidade, a DigiClub, casa noturna com foco em conteúdo autoral, está fechada desde março. Como não pode operar, o espaço acumula dívidas desde então, e para continuar existindo aposta numa campanha de financiamento coletivo pela internet.

Disponível em benfeitoria.com/ajudeadigi, o projeto é interessante para os dois lados: enquanto possibilita que Wendell Cruz, o proprietário do empreendimento, quite as contas que estão paradas há quatro meses, também estabelece recompensas para quem apoia, independentemente do valor.

Os custos mensais para a manutenção da casa ultrapassam os R$ 3 mil, e por isso a campanha visa arrecadar o suficiente para saldar o que está em aberto até aqui. “A ideia principal é poder num primeiro instante conseguir arrecadar pra quitar os quatro primeiros meses de aluguel”, diz Wendell.

As recompensas então foram pensadas para estimular o público a contribuir para a causa, e “todas serão presenciais, realizadas após a quarentena”. No isolamento social, Wendell diz que pior do que não ter dinheiro é ficar afastado dos amigos e frequentadores da casa, que são de diferentes “tribos”: do LGBT ao punk; do nerd/geek ao emo. “Quebrar esse vínculo de uma hora pra outra foi o processo mais difícil que já passei na vida”, relata.

“Nem o período de estado de sítio de 2006, com o PCC, pode ser comparado ao que está acontecendo hoje, quando a gente evita ver até nossos pais…”.

Wendell deposita todas as esperanças na campanha ‘Ajude a Digi’. “Caso consigamos atingir a meta de R$ 10 mil, ela vai mudar para R$ 15 mil, e com esse valor a mais a ideia é quitar o aluguel de julho também”.

O apelo, então, é voltado à prática artística, como consta no texto que acompanha a ação. “O teatro, a música e as artes em geral precisam de um público generoso e formador de opinião, pessoas que alimentam as nossas esperanças, que mantêm nossas paredes erguidas”.


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