MÚSICA

Cantor Brenô brinda o público com repertório eclético

PROFISSIONAL Longe dos palcos físicos desde março, Brenô diz que as 'lives' já viraram rotina, e conta ter investido em infraestrutura para os vídeos, que acontecem às quartas e sextas-feiras. (Foto: divulgação)
PROFISSIONAL Longe dos palcos físicos desde março, Brenô diz que as ‘lives’ já viraram rotina, e conta ter investido em infraestrutura para os vídeos, que acontecem às quartas e sextas-feiras. (Foto: divulgação)

Quem assiste as ‘lives’ do cantor Brenô se sente em casa. Quando alguém entra na sala virtual, ele, que costumava se apresentar na noite mogiana antes do novo coronavírus, cumprimenta, com um sorriso. Além disso, cada participante é livre para fazer pedidos musicais, que são, em sua maioria, atendidos pelo artista, sem medo de se expor e cantar de tudo: de MPB à pop e rock, de Spice Girls à Pearl Jam.

Nos barzinhos e casas noturnas Brenô já tinha essa característica de dividir o protagonismo do show com a plateia. “Sempre provoquei isso, gosto dessa troca de energia”, resume ele. Logo, quando subir em palcos físicos tornou-se inviável, a solução foi levar isso para o meio digital, onde também é possível cativar a audiência com a cordialidade.

Quem chega recebe um animado “salve” do cantor, que tem, próximo do microfone, um tablet em que lê todas as mensagens enviadas durante a apresentação. Os pedidos são tantos que o próprio público o ajuda a organizar playlist, sempre considerando o tema da noite.

Brenô tem feito ‘lives’ desde o início da pandemia, em março, e no começo, deixava tudo mais livre. Ou seja, não havia um tema, e ele acatava solicitações de qualquer tipo. Por isso, uma única transmissão de vídeo em tempo real podia conter reggae, rock, MPB, samba e outros estilos.

Agora, cada dia tem um gênero pré-definido. A cada quarta e a cada sexta-feira -já incluindo as aparições dele para a Movi.Ar (Mostra Virtual de Mogi das Cruzes – A Arte Não Esqueceu de Você)- o artista canta seleções de determinados tipos, o que fez a audiência crescer. “Pensei em começar pelos ritmos que domino mais e tenho mais afinidade, como a MPB. Depois fui indo numa escala que domino menos, e consequentemente, me arriscando mais”, explica.

Como diz o pensamento popular, “toda regra tem uma exceção”, e no caso de Brenô são as canções autorais. Independentemente do dia, sempre que uma de suas canções é pedida, como ‘Alvorada’ e ‘Conselho Absurdo’, de seu EP lançado em 2016 pelo Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam), ele toca.

“Essa é a parte mais positiva na minha opinião. As pessoas passaram a conhecer mais minhas músicas e a pedirem mais. Em toda live tem sempre quem pede, e eu sempre toco, explicando que vou fazer uma pausa no tema da noite para isso”, conta Brenô. Um bom exemplo do que ele diz é a canção ‘Olhando Pras Estrelas’, que nem foi lançada oficialmente, mas desde que ele cantou em uma das lives, tem sido constatemente requisitada.

Brenô acredita que seja preciso fazer este tipo de ação, ou seja, conversar com quem o assiste e acatar aos pedidos, não só para criar uma audiência fiel mas também para fazer com que quem entrou na sala virtual ali permaneça. “ Percebo que as pessoas ficam pulando de live em live, então faço o que gostaria que fizessem se eu estivesse asssitindo a uma”, justifica.

Sendo assim, Brenô se expõe, mas sem perder a própria verdade artística. “Eu tento e me arrisco, saio da minha zona de conforto e me permito tocar algo novo, mesmo que eu erre e falhe”, afirma. De fato, o repórter já assistiu várias das transmissões dele e pôde o assistir tentando tirar músicas no improviso, a partir de cifras rapidamente buscadas pelo tablet, ou então se divertindo ao tocar uma versão inusitada e acústica de ‘Wannabe’, principal sucesso das Spice Girls e ainda outros desafios, como os rápidos versos da mistura de rock e rap do grupo Linkin Park.

Mesmo assim, com pelo menos duas transmissões semanais, Brenô já busca inovar para não ficar “na mesmice”. Nos vídeos mais recentes ele tem dividido o show em duas etapas: na primeira hora toca o que quer, com referências pessoais, e na segunda atende aos mais variados pedidos.

Além disso, ele considera lançar uma nova versão de ‘Alvorada’, o disco de estúdio, com “novidades” e diz que as lives permanecerão mesmo quando a pandemia do novo coronavírus passar. “Não digo que vou fazer com a mesma frequência, mas elas continuarão”, conclui ao analisar os crescentes índices de engajamento nas redes sociais.

É preciso “fazer diferente”

Desde o dia 24 de março, quando foi decretada a quarentena oficial no Estado de São Paulo, já se passaram 11 quartas-feiras e 11 sextas-feiras. Ou seja, são pelo menos 22 lives do cantor Brenô, isso sem contar as muitas edições especiais feitas em outros dias. Como resultado, o palco que ele improvisou há três meses no quintal da própria casa acabou virando cenário fixo: “está tudo montado e amarrado para não cair com o vento, já virou rotina mesmo”.

Também virou rotina o fato de que ele não tem mais cachê, passando a contar com doações enviadas pelo público. No entanto, não houve tempo para se acostumar. No início de abril, o artista disse a O Diário que havia poucas contribuições, mas algumas “de valores generosos”. Hoje, a situação é outra: “diminuiu bruscamente”.

Brenô comenta não saber exatamente o motivo dessa diminuição, mas em contrapartida conseguiu cinco patrocinadores para seus vídeos: uma dentista, uma empresa de engenharia, uma de regularização de imóveis, uma imobiliária e uma lanchonete.

Entre os benefícios oferecidos em contrapartida ao que recebe, o cantor destaca a “responsabilidade social”, no sentido de apoiar a arte e a cultura locais. Para que isso pudesse acontecer, Brenô precisou investir em infraestrutura.

Além do formato “tradicional” de fazer os shows online, com apenas uma câmera, agora, às sextas-feiras, ele oferece uma transmissão mais caprichada, com mais câmeras e um profissional editor de áudio e vídeo que o ajuda a interagir com o público.

“Estamos no desafio de fazer diferente”, resume, sobre a experiência. E há ainda outra modalidade que ele tem promovido: shows beneficentes. “Fizemos dois deles, eu e minha irmã Haira, para apoiar o Grão de Amor, grupo que ajuda famílias que estão necessitando de alimentos ou dinheiro”.

Outra novidade é a disponibilização das cifras de uma de suas principais músicas, ‘Alvorada’, em um dos mais acessados sites do gênero no Brasil, o CifraClub. E ainda o anúncio de que, quando o novo coronavírus não for mais uma ameaça, a banda de Brenô para casamentos e eventos vai passar a oferecer ‘lives’ como oportunidade para apresentar o trabalho aos casais, assim como costumava acontecer presencialmente.


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