APRESENTAÇÕES

Cantora mogiano Valéria Custódio é contemplada pelo ProAC

CANTORA MOGIANA Aos 24 anos, Valéria quer conectar cada vez mais pessoas por meio da música, e além do projeto possibilitado pelo edital, prepara novos conteúdos, como singles e clipes inéditos. (Foto: divulgação)
CANTORA MOGIANA Aos 24 anos, Valéria quer conectar cada vez mais pessoas por meio da música, e além do projeto possibilitado pelo edital, prepara novos conteúdos, como singles e clipes inéditos. (Foto: divulgação)

Com o álbum ‘Púrpura’, lançado oficialmente em julho último, a cantora mogiana Valéria Custódio tem alcançado inúmeras conquistas. A primeira delas veio durante a concepção da obra, que foi contemplada pelo edital do Estúdio Municipal de Áudio e Música (Emam). Depois, além de palcos locais as canções alcançaram outros estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. E agora veio mais um, e talvez o mais importante triunfo: as músicas acabam de ser selecionadas para a temporada 2020 do Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo (ProAC).

Isso quer dizer que a partir de janeiro do ano que vem as 10 faixas do disco poderão ser ouvidas em seis performances ao vivo por pessoas de cidades com oferta cultural menor do que na capital, como a própria Mogi das Cruzes, mas também Suzano, Biritiba Mirim, Poá, São José dos Campos e Santos. É que, intitulado ‘Púrpura 2’, o projeto consiste em rodar diferentes municípios a fim de “ampliar o acesso à arte”, como conta Valéria, que conseguiu emplacar a ideia depois de três anos de tentativas infrutíferas.

“No começo do ano estive muito vinculada à Cultura de Biritiba Mirim, e a secretaria me passou que as inscrições estavam abertas. Fiquei relutante por estar um tanto traumatizada das edições passadas, mas conversei com alguns parceiros e conseguimos inscrever o projeto”, diz ela. O que mudou e a levou ao sucesso? “Minha equipe, meu tempo de experiência e currículo e o fato de agora o disco já ter sido lançado”.

Falando em equipe, Valéria se sente “orgulhosa em estar começando uma carreira do zero”, pois isso gera emprego para diferentes pessoas. O time dela já conta com mais de 10 pessoas, entre transporte, fotógrafo, alimentação, marketing digital e outras funções. E o ProAC vai aumentar este número, já que serão abertas vagas de estágio para técnico de som.

Outra novidade proporcionada pelo programa são aulas de expressão corporal e teatro para a própria artista, ministradas pelo também músico Thiago Gosta, um dos gestores do Galpão Arthur Netto, espaço que acaba de encerrar as atividades na cidade. “Este é um contraponto da continuidade, que vai melhorar minha performance, permitindo explorar mais o lado artístico nos shows”.

Com isso, o que a mogiana pretende é “expandir o trabalho”. “Se eu me especializar mais, poderei colocar mais de 100 pessoas para trabalhar comigo. Muito se reclama da arte, da música e do entretenimento, mas essas ações geram sustento”.

Além da preocupação em ajudar o maior número possível de pessoas, Valéria faz questão de frisar outro sentimento, e afirma, nitidamente com um sorriso aberto, ser “feliz por ser uma mulher negra, quebrando paradigmas”. A frase é importante porque, quando mais nova, ela sofreu preconceito na escola, por ter uma cor de pele diferente, e chegou a se julgar incapaz de aprender. A frase faz sentido porque, quando começou a buscar referências artísticas, ela “não via ninguém negro na TV”, e quase desistiu dos próprios sonhos.

O público pode compreender um pouco destes pensamentos nas canções, principalmente em ‘Flores Pretas’, escrita em parceria com o mesmo Thiago Costa das oficinas. Com versos sobre a questão racial vista pela ótica de Valéria, a letra foi premiada como ‘Prata da Casa – Melhor Mogiana’ no 6° Festival da Canção, no último mês de março.

Para resumir, inspirado no livro ‘A Cor Púrpura’, de Alice Walker, e também no filme homônimo dirigido por Steven Spielberg, de 1985, o disco tem força, e não deve se contentar com o ProAC. “O próximo passo é criar uma estrutura nas plataformas digitais, com clipes, vídeos e novas músicas”, adianta Valéria.

Aliás, a mogiana de 24 anos prepara singles novos, e promete já cantar alguns nas seis apresentações previstas no edital, que devem ter “participações especiais surpresa”. Por enquanto, é possível curtir a artista em solo mogiano na próxima sexta-feira, dia 1º de novembro, no Centro Cultural, com ingressos à R$ 15,00 por pessoa, e 20 bilhetes gratuitos para estudantes de escola pública.


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