PANDEMIA

Cardiologista explica grupos de risco da Covid-19

Paulo Saraiva explica que além de evitar o contágio, os familiares devem ficar atentos à saúde mental dos idosos. (Foto: Divulgação)
Paulo Saraiva explica que além de evitar o contágio, os familiares devem ficar atentos à saúde mental dos idosos. (Foto: Divulgação)

A orientação de ficar em casa durante o período de quarentena vem reforçada sempre do alerta que a medida deve ser seguida principalmente pelos idosos e pessoas com doenças autoimunes. O Diário conversou com o cardiologista Paulo Eduardo da Costa Saraiva, que atua nas redes pública e privada, para esclarecer os principais motivos da orientação desse público ser mais vulnerável e evoluir para o quadro clínico grave da Covid-19.

O médico explica que as pessoas com mais de 60 anos geralmente têm doenças crônicas, como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, entre outras, portanto o vírus pode causar um comprometimento maior do organismo. “Por isso, o pedido de ficar em casa, porque assim ela diminui o contato com as outras pessoas e não corre o risco de ser acometida pelo vírus”, destaca.

Saraiva esclarece ainda que a Sociedade Brasileira de Cardiologia em uma publicação pontuou que pacientes em tratamento com medicamentos como os inibidores de enzima conversora de angiotensina (iECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), como losartana e captoprio, devem ser acompanhados adequadamente, e isso causou uma grande corrida de pacientes aos consultórios a fim de trocar a medicação.

“Foi apenas um alerta, não tem por que trocar a medicação agora. O mais importante é que esse paciente esteja com o tratamento em dia. Quanto menor for a resistência da pessoa ao vírus, maior será a potencialidade dele no organismo”, ressalta.

Além do tratamento medicamentoso, a orientação de Saraiva é para se atentar à alimentação. Para fazer as refeições saudáveis, porque a ansiedade de ficar em isolamento pode levar as pessoas a comerem mais e de forma desregrada, e assim elevar os níveis de colesterol e diabetes, além da pressão arterial. Por isso também a importância de manter alguma atividade física, no caso dos idosos, após buscar orientação de algum profissional, considerando que alguns têm problema com mobilidade.

“O que a gente está pedindo para os pacientes que são do grupo de risco, mas estão com o quadro estável, adiar a ida ao médico”. A mesma recomendação é para aqueles que têm menos de 60 anos, que vão passar por avaliação de rotina, ou até um quadro de hipertensão leve, não tem por que passar agora se tudo estiver bem.

“A gente está deixando explícito, se tem doença grave e está com ela descompensada, esse sim deve ir ao médico para estabilizar a sua doença e voltar a ter o controle adequado. Tem que deixar a consulta agora para quem realmente precisa”, reforça o médico. Ir ao consultório trocar receita também não precisa porque as farmácias estão autorizadas a fornecer a medicação até passar a quarentena. “O momento é de ter prudência”, pontua.

Com o passar dos dias da quarentena, o médico alerta ainda que os familiares devem ficar atentos à saúde mental da pessoa idosa. Ele reafirma a necessidade dela ficar sem receber visitas, sobretudo porque o vírus circula na maior parte em pessoas mais jovens e que são assintomáticos. “Tem que ficar de olho, conversa, faz chamada de vídeo, ninguém nunca passou por isso, ainda vai ser daqui para a frente, como a gente vai levar essa pandemia. O momento é pensar na saúde de todos”, explica.


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