CIRCUITO

Antônio Cunha fala sobre os carros clássicos que encantam diferentes gerações

Antônio Cunha. (Foto: Eisner Soares)
Antônio Cunha. (Foto: Eisner Soares)

Nascido em Boracéia, no interior do Estado, Antônio Cunha se mudou para Mogi das Cruzes ainda jovem, para estudar, e acabou se tornando servidor público. Fez carreira como segurança e se aposentou na década de 1990. De lá para cá, veio diminuindo as atividades profissionais até que há cerca de três anos se tornou o sócio de número 192 no Clube de Carros Antigos de Mogi das Cruzes (CCAMC). Proprietário e aficionado por um Gurgel BR-800, em seis meses ele se tornou diretor do grupo, cargo que deixou no final do ano passado. Mas ele não deixou de estar presente nos eventos da turma, como a exposição gratuita que acontece hoje, a partir das 9 horas, no Casarão do Chá. Como membro ativo, ele comenta atuação do clube e também o que há de mais interessante neste hobby de colecionar automóveis antigos.

Como são as atividades do CCAMC?

A maioria dos eventos consiste em demonstração de veículos, todos antigos, a maioria com placa preta e importados, como Mustang, Corvette, Cadillac, Galaxy, Landau e os Fords antigos, que fazem muito sucesso. Mas tem também os modelos brasileiros, como Maverick, Passat, Monza, Opala, Diplomata, Kombi e Fusca, apesar de que este último tem um clube próprio, assim como o Omega, que também tem, mas não é muito divulgado. Temos também motos, como uma de 1932, do tempo da Segunda Guerra Mundial.

Como é a organização destes eventos?

Realizamos eventos durante o ano todo, sempre sem fins lucrativos, porém promovendo campanhas de arrecadação de alimentos não perecíveis que são distribuídos para pessoas carentes. Isso acontece principalmente em nossa confraternização, que sempre tem a presença de uma determinada instituição. Em nossas reuniões decidimos se faremos um comboio ou se vai cada um por si e contamos com um apoio logístico muito bom, com guincho para caso os carros deem problemas graves e um mecânico de plantão, caso o defeito seja fácil de resolver, pois os carros são antigos e estão sujeitos à situações como essas.

O Clube atua em outras cidades?

Sim, mas eu procuro não ir muito longe de Mogi. Levo meu Gurgel a exposições locais e também em Sabaúna, Guararema, Jacareí, São José dos Campos, Biritiba Mirim e Riviera de são Lourenço, mas o clube faz eventos em cidades como Águas de Lindoya, por exemplo. Embora acredito que ele aguentaria, não vou para não forçar e abusar do meu carro, que tem somente dois cilindros.

Como será o evento do Casarão do Chá neste domingo?

Será uma exposição gratuita a partir das 9 horas, com cerca de 80 carros, com o objetivo de divulgar o Casarão do Chá, que é um espaço cultural muito interessante. Estão confirmados um Hudson 1947, um Plymouth 1941 e um Ford Fairlane 1963, mas os outros ainda são surpresa. Haverá praça de alimentação no local, e a dica é chegar cedo para conseguir estacionar com calma. Os donos dos carros estarão lá para tirar dúvidas e contar histórias.

Quem frequenta essas atividades?

Pessoas mais novas costumam ter discriminação e preconceito, porém isso está mudando, e é fácil encontrar várias crianças e adolescentes nas exposições. Além das famílias, costumam aparecer os parentes, as pessoas próximas ao local do evento e também os moradores das cidades próximas, que ficam sabendo pelas redes sociais. Normalmente temos público entre 300 e 500 pessoas, e quem mais se diverte são os idosos, que relembram o que viveram no passado e também os pequenos, que querem entrar nos carros e tirar fotos.

O que atrai essas crianças?

Justamente os carros antigos, que são diferentes dos que circulam hoje. É interessante participar para valorizar as máquinas de outras épocas, como os primeiros modelos da Volkswagen a chegar no Brasil. Considero isso uma forma de entretenimento, o que pode ser percebido quando rodamos por aí e as pessoas ficam apontando para nossos carros, sorrindo e nos parabenizando na rua.

Qual carro do Clube faz mais sucesso?

O carro que chama mais atenção é uma viatura dos bombeiros dos Estados Unidos. A molecada adora subir nela e tocar a sirene. Como o acesso é por uma estrada de terra, não sei se ela estará no Casarão do Chá, mas sempre que vamos para Luís Carlos, em Guararema, ela marca presença.

E quem são os sócios do CCAMC?

Embora a maioria sejam pessoas mais velhas, temos hoje quase 300 homens e mulheres de todas as idades. Para participar é preciso pagar uma taxa anual, e não é necessário ter um carro antigo. É permitido entrar com qualquer carro, até mesmo um novo. No entanto, somente carros com pelo menos 30 anos, em bom estado original e sem alterações estão habilitados para fazer a vistoria e pegar a placa preta de colecionador.

Qual o principal benefício em se associar?

Ter o prazer de conviver e manter um círculo de amizade entre os participantes e as pessoas que vão comparecer nos eventos, formando uma família com um gosto em comum: automóveis antigos.

O que torna a coleção de carros antigos um hobby interessante?

O que me deixa mais contente é ver a alegria das pessoas em olhar e querer entrar nos carros. Isso alimenta o ego dos donos. Por exemplo, fui com meu Gurgel BR-800 num supermercado do Mogilar e depois fui em direção a Vila Industrial, e estava observando um carro atrás de mim. Quando parei, o motorista disse que estava me seguindo para ver meu carro. Como essa é a única marca brasileira, chama muita atenção e tem muita admiração do povo.

É uma atividade cara?

Não necessariamente. Comprei meu carro por R$ 7 mil há cerca de três anos e desde então só estou mantendo a gasolina e fazendo as trocas de óleo. Nunca tive problemas de oficina com ele, e por este bom estado agradeço a senhora de quem o comprei, uma japonesa de Mogi, cujo marido deixou o carro aqui para ir ao Japão, onde acabou morrendo. Ela não sabia dirigir e me vendeu. Hoje o Gurgel está com 46mil quilômetros rodados, todo original, e ainda faz 20 quilômetros por litro de gasolina na cidade, o que é muita coisa.

Quando surgiu o interesse por este Gurgel BR-800?

Me interesso pela marca desde os primeiros lançamentos, na década de 1960, quando ainda eram produzidos em São Paulo. Mas foi em 1974, no Salão do Automóvel, que conheci o dono, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel (1926 – 2009), e me apaixonei pelo carro. Na ocasião ele estava lançando o Itaipu, primeiro veículo totalmente movido a energia elétrica da América Latina.

Mais tarde a fábrica da Gurgel se mudou para Rio Claro, e como tenho parentes lá, sempre que aparecia o João, que considero um gênio, me convidava para almoçar.

Então foi “amor à primeira vista”?

Sim. Comprei meu primeiro veículo da marca entre o final da década de 70 e o começo da década de 80, e hoje tenho o último modelo produzido, de 1992.. O fato de ser um carro autêntico brasileiro é o que me chama mais atenção, pois tenho sentimento patriota e me orgulho do que é produzido no país.


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