MOVIMENTO

Carta aberta a Doria diz “não” ao pedágio na Mogi-Dutra

ARTICULAÇÃO Na Câmara, políticos e lideranças protestaram contra instalação de pedágio em Mogi. (Foto: Eisner Soares)

O governador João Doria (PSDB) receberá nos próximos dias uma carta aberta, assinada por lideranças políticas, entidades, sindicatos e representantes dos mais diversos da sociedade civil, demonstrando a posição contrária à proposta de instalação de um pedágio no km 45 da rodovia Mogi-Dutra. O documento comprova a indignação dos mogianos e demonstra que a população está disposta a lutar para evitar a segregação dos moradores de vários bairros e impedir esse tipo de cobrança na entrada da cidade.

“O Estado decidiu arrumar as estradas e colocar um pedágio na porta da nossa cidade. É ideia tão esdruxula e absurda que já nasceu morta. Não vai se concretizar porque não vamos permitir. Mas, mesmo assim, não vamos cruzar os braços e deitar em berço esplêndido. Vamos nos mobilizar e lutar contra isso”, enfatizou o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), durante o encontro realizado ontem na Câmara, para avançar com a campanha de mobilização no município, que ganhou reforços com o engajamento de novas entidades da sociedade civil, além daquelas já estão envolvidas com a campanha ‘Pedágio Não’, como os moradores dos condomínios e bairros próximos à Serra do Itapeti.

Mais de 20 representantes de associações e sindicatos, além do deputado estadual Marcos Damásio (PL) e vereadores da cidade assinaram o documento elaborado por Bertaiolli, que durante o evento convocou toda a sociedade para se unir e “enfrentar juntos esse desafio”, como aconteceu no caso da campanha que impediu a instalação do aterro sanitário no Taboão, como pretendia a Queiroz Galvão.

Na carta, ele fala sobre as características da cidade, dos investimentos e de todo o planejamento feito nos últimos anos para atrair empreendimentos de diversos segmentos, empresas de pequeno, médio e até de grande porte, tanto nacional como multinacionais. Cita ainda as duas universidades e duas faculdades, frequentadas por muitos estudantes que utilizam a Mogi-Dutra e destaca os prejuízos que o pedágio acarretaria a diversos setores.

A possibilidade de uma pedágio, como pretende a Artesp, representa “um retrocesso, que pode, inclusive, resultar em danos à economia local e regional, fazendo com que trabalhadores percam seus empregos e empreendedores, que começam agora a sair de uma crise econômica, voltem a enfrentar dificuldades financeiras. Isso sem contar o prejuízo pessoal a milhares e milhares de pessoas que trafegam todos os dias pela rodovia para trabalhar ou estudar, por exemplo”.

O documento relembra que a rodovia Mogi-Dutra, duplicada e melhorada durante a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, foi construída na década de 70 pela Prefeitura de Mogi justamente para que a cidade não ficasse isolada do desenvolvimento que, naquela época, estava sendo transferido para a rodovia Presidente Dutra. Salienta ainda que todos aqueles que trafegam entre Mogi das Cruzes e São Paulo e vice-versa já pagam o pedágio, instalado na Rodovia Ayrton Senna. “Ou seja, estaríamos nós, pagando duas tarifas para ir e duas para voltar de São Paulo, onerando em muito qualquer orçamento doméstico, as empresas, produtores rurais e empreendedores de diversos segmentos que se utilizam da rodovia para escoar a produção ou para compra de insumos”.

Damásio contou que tratou desse assunto com o vice-governador Rodrigo Garcia e com o próprio Doria, que pediu uma avaliação sobre essa questão por parte de técnicos do governo. Vereadores lembraram dos ofícios e da moção de repúdio encaminhada à Artesp. As entidades que já integram o movimento, como no caso da Associação de Engenheiros e Arquitetos, estarão na manhã de hoje, no Largo do Rosário em busca de novas adesões para ao abaixo assinado contra o pedágio.


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