EDITORIAL

Casa própria

As instituições e serviços de proteção ao crédito afirmam que 61 milhões de brasileiros começaram o ano com contas atrasadas ou com o CPF restrito para a compras. O problema afeta 65,6% das famílias brasileiras, um reflexo dos altos índices do desemprego e de outros fatores, como as dificuldades e o desconhecimento das regras para a renegociação dos débitos. À falta da educação financeira, muitas pessoas não refinanciam as dívidas.

Segundo dados da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a última campanha de renegociação atendeu 1.078 mutuários em Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba, reduzindo levemente o percentual de inadimplentes nessas cidades, embora essa situação atinja cerca de 20%. dos contratos.

Com o perdão de juro e de mora, a ação CDHU em Dia possibilitou a quitação de 224 contratos. Os conjuntos habitacionais construídos pelo Governo do Estado em parceria com as prefeituras começaram a ser ocupados na década de 1980 – ou seja, muitos dos contratos já foram quitados e hoje, em Mogi das Cruzes, há 3.476 pessoas que ainda estão pagando pela casa própria.

A busca ativa pela renegociação produz efeitos sociais e econômicos positivos. De uma só vez, cerca de mil moradores da região do Alto Tietê se livram das restrições de crédito – o que suaviza o planejamento familiar desse contingente.

É preciso dar visibilidade à renegociação para eliminar as dívidas desses três mil mutuários mogianos: o sonho da casa própria só termina com o pagamento da última prestação.

Essa noticia faz recordar, ainda, a força que a CDHU exerceu no passado na expansão da moradia popular no Alto Tietê. Infelizmente, o fôlego da estatal para as novas construções recuou e integra um quadro preocupante: no Brasil, entre 2007 e 2017, o déficit habitacional aumentou 7%, e atinge principalmente as famílias com renda mensal até três salários mínimos.


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