CIRCUITO

Casal de festeiros comenta o planejamento da Festa do Divino 2020

Mauro de Assis Margarido e Cícera Alecxandra de Oliveira Margarida. (Foto: Eisner Soares)
Mauro de Assis Margarido e Cícera Alecxandra de Oliveira Margarida. (Foto: Eisner Soares)

Casados há 25 anos e pais de três filhos, o vereador Mauro de Assis Margarido, 45, e a nutricionista e estudante de Direito Cícera Alecxandra de Oliveira Margarida, 45, já iniciaram a mobilização para a Festa do Divino de 2020. Responsáveis há 18 anos pela pastoral de acolhida na igreja Sagrado Coração de Jesus, este não é o primeiro envolvimento deles com a festa, já que foram capitães de mastro da edição de 2018. Os festeiros de 2020 revelam o planejamento da agenda e declaram o quão gratificante e desafiador é estar à frente de uma das maiores manifestações religiosas do Brasil.

Como está o planejamento para a Festa do Divino de 2020?

Mauro: O início de nossa caminhada foi em junho, quando fomos nomeados festeiros, mas o último dia 29 marcou o start da parte religiosa da festa. A partir de agora haverá celebrações em todas as últimas segundas-feiras do mês e todo segundo sábado terá a coroa/novena às 15 horas e bingo às 16 horas, que começa no dia 10 de agosto, com a presença de nosso diretor espiritual padre Diogo Shishito e do bispo dom Pedro Luiz Stringhini.

Que outros eventos já estão definidos?

Alecxandra: Teremos a caravana em âmbito nacional para Aparecida, no dia 21 de março de 2020 e também outras ações importantes, como a Ação Entre Amigos que sorteará um carro 0km para levantar custos para a festa e também para as entidades, diminuindo a dificuldade financeira que elas enfrentam no início da quermesse. Além disso, em janeiro as rezadeiras começam o trabalho nas ruas da cidade, levando o Divino Espírito Santo para mais de 30 mil pessoas, e dias antes da festa teremos a Missa de Envio, que aconteceu pela primeira vez quando fomos capitães. Tudo isso sem falar dos jantares italiano e frango à basilicata, que acontecerão nos dias 14 de novembro de 2019 e 30 de abril de 2020.

Qual a participação da comunidade nisso tudo?

Mauro: A comunidade é quem faz a festa. Podemos ver isso a partir da divulgação feita pela TV Diário nos últimos anos, que com que fez com que a programação crescesse muito, deixando o mogiano orgulhoso e trazendo gente de fora para prestigiar.

O tema da festa já foi definido?

Mauro e Alecxandra: O tema já está praticamente definido entre nós, mas antes de divulgá-lo teremos uma reunião com o bispo, para obter a benção dele. Temos a intenção de informar ao público já no primeiro bingo com coroa, no próximo sábado.

Como vocês avaliam a programação de 2019?

Mauro: De 2018 para 2019 a festa cresceu 10%, tanto na questão financeira como na participação. A tendência é crescer a cada ano, e os festeiros anteriores torcem para isso aconteça, ajudando os próximos a fazer um evento melhor e mais bonito.

Quando teve início o envolvimento de vocês com a religiosidade?

Alecxandra: Na verdade começou quando nascemos. Viemos de famílias católicas e fomos criados dentro da igreja. Há quase 20 anos trabalhamos na igreja, há 16 somos ministros de eucaristia e há 18 coordenamos a pastoral da acolhida, recebendo a comunidade.

Mauro: A igreja é uma constante em nossa vida, e quando a família se envolve com os trabalhos pastorais este trabalho nunca acaba, então procuramos, sempre que possível, colocar nossos dons à disposição dela.

Onde entra a Festa do Divino na história do casal?

Mauro: Essa é uma história bem bonita. Mogiano que não vai na festa não é mogiano, então íamos na quermesse, nas missas, e na alvorada, sendo esta última parte a convite da atual capitã de mastro, Roberta Batalha. Sabendo desse nosso envolvimento, fomos convidados em 2017 para sermos capitães, e este trabalho nos mostrou a importância do que é feito aqui. Pudemos perceber o quanto é importante para as entidades e para a cidade, e passamos a dizer que quem entra no Divino não sai nunca mais.

Como foi a experiência de serem capitães de mastro?

Mauro: Foi intenso, maravilhoso. A festa sempre exige bastante trabalho. A equipe é grande, temos muita gente que colabora, mas as decisões ficam nas mãos dos festeiros e capitães e é bastante trabalho, com muitas escolhas a serem feitas. No passado o capitão de mastro não atuava tanto como hoje, quando a festa cresceu muito e sem a Associação Pró-Divino não seria possível dar conta de tudo.

O convite para o cargo de festeiros foi uma surpresa?

Mauro: Se ficamos surpresos com o convite? Ficamos com medo dele (risos). É uma responsabilidade absurda, e atualmente todos os festeiros têm de ter sido capitães antes.

Alecxandra: Apesar de todos os capitães saberem que há probabilidade de serem convidados para serem festeiros, foi uma surpresa sim. O que nos ajudou a aceitar foi o preparo que tivemos como capitães, pois o que acontece na Festa do Divino é muito grande, muito diferente de um trabalho pastoral regular, então é preciso ser proativo.

E qual é o trabalho de um festeiro?

Mauro: Dado o tamanho da festa, o festeiro não vai conseguir resolver tudo o que precisa, mas junto dos capitães vai decidir tudo aquilo que vai acontecer de fato, correr atrás de tudo o for necessário, como eventos, patrocínios, detalhes, mimos, lembranças e também a parte religiosa. Estamos nesta função há 40 dias e temos média de quatro reuniões por semana para decidir tudo isso.

Alecxandra: Na verdade, começamos pela parte religiosa, com as celebrações em todas as últimas segundas-feiras de cada mês. A primeira missa foi no dia 29 de julho. É importante dizer que tanto para estas como para outras questões, como o tema e o logo, levamos para o aval e bençãos do bispo, que é o nosso protetor.

Como conciliar a família e as atividades profissionais de vocês com o voluntariado?

Mauro: Para cada evento que a festa promove a gente tem a ajuda de grupos de antigos festeiros, família e amigos, então essas pessoas nos dão suporte para conseguir dar conta de tudo, e estamos correndo atrás de novas pessoas também. E muitos se oferecem para ajudar de forma verdadeira – ao todo são mais de 3,5 mil voluntários.

Um dos objetivos é unificar as várias festas que acontecem pela cidade?

Alecxandra: Sim. É justamente esse clima de interior que atrai quem é de fora, como a Entrada dos Palmitos, que deixa qualquer um emocionado. O mogiano tem devoção muito grande: acaba uma festa e começa a outra, e quando não é do Divino é da padroeira. Hoje temos festas em Sabaúna, Braz Cubas, Salesópolis, Biritba Ussu, Suzano, e elas estão crescendo. O que buscamos é a união entre todas essas manifestações, para que continuem crescendo.

Quando vocês foram capitães de mastro, o tema da festa foi ‘Divino Espírito Santo iluminai a juventude e renovai a nossa fé’. Os jovens continuam sendo uma missão?

Alecxandra: Naquela época a intenção era a de um movimento até maior do que aconteceu. E como festeiros vamos trabalhar para o que a gente sonhou e acabou não conseguindo se realize agora. Porque os jovens, e a gente percebe isso pelos filhos dos festeiros que já passaram e até pelos nossos, têm esse espírito muito forte de devoção ao Espírito Santo. Sabemos que são eles que vão continuar a festa, então procuramos incentivá-los com atividades nas novenas e no bingo, por exemplo, para que se sintam incluídos e valorizados.

E a parte social? Como vocês a enxergam?

Mauro: Nosso objetivo principal, e também de todos os demais festeiros que já passaram e que continuam pela festa, é sempre pensar na parte social e no aumento do ganho das entidades. Hoje são 27 que se beneficiam diretamente e muitas outras de forma indireta, e várias delas contam com os valores da festa não só para fazer melhorias como para pagar contas. Temos exemplos de grupos que tinham receita final de R$ 20 mil e hoje recebem quase R$ 100 mil, com o mesmo produto e número de voluntários, então é um trabalho muito bonito que reflete no resultado final.

Qual o legado que vocês pretendem deixar como festeiros?

Alecxandra: Todos os festeiros têm que entender que é um ano que vai ser de trabalho ativo, mas vai passar, e quando isso acontecer é preciso deixar bastante coisa positiva, como o carinho, o respeito com outras pessoas, inclusive com as de religiões diferentes que participam, com os voluntários. Ou seja, a mensagem que queremos deixar é a de união, pois o trabalho de formiguinha possibilita a existência de uma festa grandiosa como essa.34