ARTIGO

Caso curioso: Noivos são constrangidos

Dori Boucault

Em 2015, um casal contratou a empresa para celebrar o casamento em Florianópolis/SC. Dias antes do casamento, os noivos preencheram formulários detalhando tudo o que gostariam que a profissional falasse durante o evento.

No entanto, no dia da celebração, a cerimonialista, funcionária da empresa, ignorou os pedidos dos noivos e, na frente dos convidados, enumerou defeitos do casal, esqueceu o nome dos noivos, deu lições de moral e, por diversas vezes, cometeu erros de português, gerando constrangimento aos noivos.

Consta nos autos que, entre outras afirmações, a responsável pelo cerimonial disse que “a noiva nunca está satisfeita. Ela troca de roupa cinco vezes antes de sair e no fim não gosta do vestido escolhido”. Ela teria dito ainda que “o noivo é bagunceiro e dorminhoco e usa cinco camisetas por dia. No fim da semana, são cinco cestos de roupa para lavar”. Ao perceber a repetição do número cinco, aconselhou: “Joguem no bicho, vai dar.” Após este desgaste, o casal entrou com pedido de indenização por danos morais e materiais.

Ao analisar o processo, o magistrado Flavio André Paz de Brum, entendeu que os erros de pronúncia e lições de moral da cerimonialista não geram danos morais. No entanto, apontar os defeitos dos noivos e gerar constrangimentos, sim.

De acordo com o julgamento do magistrado, a cerimonialista agiu de forma inconveniente e sem profissionalismo, apresentando uma “comunicação desagradável”. Com este entendimento, o magistrado condenou a empresa a indenizar o casal, a título de danos morais, em R$ 3 mil. (Fonte: Migalhas)

Dori Boucault é advogado especialista em Direito do Consumidor do Escritório LTSA Advogados


Deixe seu comentário