BALANÇO

Casos de Covid-19 crescem em Mogi enquanto o índice de isolamento social cai

SEM ISOLAMENTO Apesar de a maioria utilizar a máscara como forma de prevenção à doença, o número de pessoas nas ruas de Mogi das Cruzes tem aumentado. (Foto: Eisner Soares)

Na última semana, o isolamento social em Mogi das Cruzes não passou dos 42% nos dias úteis. No domingo, apenas metade da população do município ficou em casa. O Diário comparou os dados de isolamento com a média móvel de novos casos da doença e de mortes. Enquanto o percentual de pessoas em quarentena caiu drasticamente, o de novos casos aumentou.

O gestor em saúde e diretor do Hospital Santa Maria de Suzano, Marcello Cusatis, o Téo, explica que o isolamento social foi adotado para inibir a circulação do vírus e que hoje há um percentual maior da população imunizada, porque já contraiu a doença. E, ainda que os casos confirmados aumentem, tem diminuído os óbitos.

“O que a gente não sabe é se a virulência está mais sensível, afetando menos as pessoas. Eu acredito que talvez estamos testando mais, eu recebo ligação de empresas que querem testar para sair do isolamento, e obviamente tem aumentado mais a nofificação dos casos. Eu acredito que este aumento seja mais por estar testando mais do que por efeito da diminuição do isolamento”, conta.

Ele lembra ainda que Mogi aprovou a lei que passou a testar todos os pacientes sintomáticos. Nos próximos dias, haverá um aumento dos registros de infectados diagnosticados. Ainda assim, Cusatis se diz preocupado com a flexibilização sem medidas necessárias. “Hoje eu passei em Jundiapeba e tinha bastante gente sem máscara. A gente ainda não sabe como está o comportamento do vírus agora. E se esse aumento no número de casos for decorrente da flexibilização, teremos aumento nas mortes daqui duas ou três semanas. É preciso acompanhar tudo isso”, detalhou.

O ex-secretário de Saúde de Mogi também defende uma testagem em massa de IGG, a fim de verificar qual é o número de pessoas que realmente está imunizada para possibilitar uma análise mais real da situação atual da cidade.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que, de certa maneira, o isolamento social foi uma medida adotada para que o sistema de saúde se preparasse para a pandemia. Isso foi preconizado desde o início e ainda é (além do isolamento social, uso de máscaras e higienização contínua das mãos) pois não se sabe como a doença iria progredir no nosso meio.

“Tínhamos apenas os dados do exterior e, com base nisso, elaboramos o sistema de saúde de Mogi das Cruzes e conseguimos evitar o colapso no sistema de saúde. Porém, ainda não entramos no processo de diminuição do vírus, apenas reduzimos sua rapidez (de contágio)”, explicou o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel.

Sobre a queda no isolamento social da cidade, Naufel avalia que está acontecendo porque houve tempo de montar precocemente um sistema de saúde hospitalar bastante amplo, garantindo o achatamento da curva, e a população se sentiu segura, acreditando que está tudo dentro de uma normalidade. Porém, ele faz uma ressalva.

“Ainda não estamos preparados para novas mudanças de fase. Tivemos um aumento, nas últimas duas semanas, no número de casos graves, e o retorno às aulas, por exemplo, ainda é muito precoce. Desde o início da pandemia, a Prefeitura de Mogi das Cruzes está trabalhando de forma contínua na divulgação de informações educativas e focadas em conter o avanço do Covid-19 na cidade. Há notícias e atualizações diárias sobre a doença nos canais oficiais e redes sociais. Para os próximos dias, uma nova campanha está sendo preparada”, avaliou.


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