SAÚDE

Casos de dengue disparam no primeiro semestre em Mogi

Equipes do Núcleo de Prevenção e Controle de Arbovirose constatam que cresceu o número de criadouros e a necessidade de serviços como a nebulização para conter os mosquitos. (Foto: Arquivo)
Equipes do Núcleo de Prevenção e Controle de Arbovirose constatam que cresceu o número de criadouros e a necessidade de serviços como a nebulização para conter os mosquitos. (Foto: Arquivo)

O número de casos de dengue em Mogi das Cruzes aumentou mais de mil por cento em um comparativo entre 2018 e os seis primeiros meses de 2019. No ano passado inteiro foram apenas sete registros, enquanto este ano, até o mês passado, já totalizam 80, sendo 60 contraídos dentro da cidade e os outros 20 importados. Abril e maio registraram os maiores picos de casos, tendo um total de 32 no mês quatro e outros 31 no mês seguinte.

“Geralmente os casos se concentram mais nesses dois meses mesmo, porque é quando está terminando o calor e a alta pluviosidade. É quando existe uma grande quantidade de mosquitos adultos voando. Além disso, é uma época que vem depois de grandes feriados, como o carnaval, quando as pessoas viajam para locais onde está acontecendo a transmissão”, explicou Debora Fumie Murakami, médica veterinária coordenadora do núcleo de prevenção e controle de arbovirose da Secretaria Municipal de Saúde.

Já sobre o aumento elevado de um ano para o outro, ela diz que é possível que tenha acontecido a introdução de outro sorotipo na cidade, porque não se sabe qual está em Mogi agora. Outro dado que também está mais alto é o chamado Índice Predial, que foi de 1,77 em abril de 2018 para 2,2 em abril deste ano, segundo a Avaliação de Densidade Larvária (ADL). O levantamento mostra, então, que em 2,2% dos imóveis vistoriados no município tiveram o Aedes Aegypti identificado.

Nos três primeiros meses do ano, o número de casos já havia batido a quantidade total de 2018, já que foram dois registros em fevereiro, todos contraídos na cidade, e outros seis em março, sendo três vindos de fora e três adquiridos em Mogi. Em junho a incidência da doença já começou a diminuir em relação aos dois meses anteriores, tendo sete casos de dentro do município e dois importados.

“A Avaliação de Densidade Larvária mostra Mogi com uma infestação geral. Têm algumas variações, mas são muito pequenas. A gente acaba trabalhando o município como um todo, o que tem algumas poucas variações é no tipo de recipiente de proliferação. Alguns bairros têm a predominância de piscina ou caixa d’água, outros, acúmulo de lixo, plantas e assim vai”, afirmou a veterinária.

Mesmo que grande parte desses recipientes já sejam conhecidos da população, Debora revela que as equipes têm se deparado com uma grande quantidade de material reciclável armazenado incorretamente. Com isso, cresceu o número de possíveis criadouros. Os reciclados muitas vezes são a complementação de renda de determinadas famílias e ainda o descarte de maneira correta colabora com o meio ambiente. Por isso, ela ressalta que a reciclagem deve ser incentivada, mas que o armazenamento precisa ser feito em locais fechados de maneira que não junte água.

Outra medida ecológica que também pode contribuir para a proliferação do mosquito é o armazenamento de água da chuva, que deve ser feito em tambores bem vedados. A coordenadora lembra ainda que o acúmulo de água pode ainda atrair outros bichos para os imóveis, como escorpiões, baratas, roedores e uma infinidade de animais nocivos.

Saída é evitar proliferação do Aedes aegypti

Para que o número de casos de dengue volte a diminuir, a medida mais eficaz é evitar a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da doença. Por isso, é necessário eliminar a água armazenada indevidamente em locais que podem se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, galões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas.

A doença também pode ser evitada tomando outras medidas, principalmente durante o dia, período em que esses insetos estão mais ativos. Por isso, é importante usar roupas que minimizem a exposição da pele, já que elas proporcionam alguma proteção às picadas e podem ser uma das medidas adotadas, principalmente, durante surtos. Repelentes e inseticidas também podem ser usados, seguindo as instruções do rótulo. Mosquiteiros proporcionam boa proteção para aqueles que dormem durante o dia, como bebês, pessoas acamadas e trabalhadores noturnos.

Por mais que agora o período seja de férias de inverno, e a dengue é uma doença cujo período de maior transmissão coincide com o verão, para quem vai viajar e deixar a casa fechada, a orientação é não deixar oportunidade para o vetor se proliferar. Medidas simples pode ser adotadas, como substituir a água dos pratos dos vasos de planta por areia; deixar a caixa d´água tampada; cobrir os grandes reservatórios de água, como as piscinas, e remover do ambiente todo material que possa acumular água (garrafas pet, latas e pneus).

Febre alta é um dos sintomas
Mesmo que o período em que os casos de dengue são registrados com maior incidência já tenha passado, é importante ficar atento a possíveis sintomas para que o tratamento seja feito rapidamente. Entre os principais sinais da doença estão febre alta (acima dos 38.5ºC.), dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

No entanto, a infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave. Neste último caso pode levar até a morte. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Em alguns casos também apresenta manchas vermelhas na pele.

Na fase febril inicial da dengue, pode ser difícil diferenciá-la. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A dengue, na maioria dos casos, tem cura espontânea depois de 10 dias. A principal complicação é o choque hemorrágico, que é quando se perde cerca de 1 litro de sangue, o que faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco. Como toda infecção, pode levar ao desenvolvimento Síndrome de Gulliain-Barre, encefalite e outras complicações neurológicas.

O diagnóstico da dengue é clínico e feito por um médico. É confirmado com exames laboratoriais de sorologia, de biologia molecular e de isolamento viral, ou confirmado com teste rápido (usado para triagem). Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de confirmação da doença, a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas. (L.R.)

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