EDUCAÇÃO

Causa ambiental exige mobilização

AVALIAÇÃO Biológa Angélica Bezerra diz que crianças dão respostas imediata à educação ambiental. (Foto: Eisner Soares)
AVALIAÇÃO Biológa Angélica Bezerra diz que crianças dão respostas imediata à educação ambiental. (Foto: Eisner Soares)

Completa neste mês, 13 anos, a Escola Ambiental de Mogi das Cruzes, instalada nas proximidades da Capela de Santo Ângelo, e da Barragem de Taiaçupeba, que cobre terras do Distrito de Jundiapeba e Suzano. Braço da Secretaria Municipal de Educação, a unidade dedica-se exclusivamente à formação de professores. Ela foi construída pelo empresário Fumio Hori como uma compensação ambiental pela instalação do Med Lake Paradise, que funciona ao lado da represa de produção de água do Alto Tietê.

A Escola Ambiental impacta milhares de professores e alunos a partir da formação continuada de educadores e ações pontuais, como o Junho Verde, a agenda de atividades que expande as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente durante todo esse mês na Cidade (a programação está disponível no site da Prefeitura, www.pmmc.com.br).

Com dois funcionários, Angélica Lucas Bezerra e Valter Ginner, a Escola Ambiental planeja e executa projetos com mestres e alunos, ali como o Horticultura Escolar, onde a comunidade estudantil – professores, merendeiras, gestores e alunos – cuidam de processos que vão da transformação dos resíduos orgânicos em adubo à organização de feiras para a venda de hortaliças, a preços simbólicos, nas escolas da rede municipal.

Responsável pelo programa há cinco anos, a biológa Angélica Bezerra destaca que os resultados na rotina da criança são imediatos quando elas vivenciam as propostas de educação ambiental. “Mães nos contam que os filhos passam a não admitir que o papel seja jogado fora do lixo. Professores dizem que eles passam a se preocupar com a morte das formigas. Acreditamos que esse é um processo lento, mas definitivo para a formação da criança”, comenta.

Apesar do avanço nas políticas de educação ambiental, Angélica aponta que a mudança concreta no trato com a natureza não depende apenas da escola. “Ela tem papel importante, mas a família, a sociedade e a manutenção de políticas públicas precisam se envolver nessa causa”, diz acrescentando que a criança repete os exemplos que vê em casa e nos demais núcleos sociais.

“O que nós notamos é que a mudança, na criança, é imediata, mas ela se perde em algum momento. Por isso, dizemos que a educação ambiental não deve ser feita apenas na escola, mas em casa, com a família, na sociedade. A criança internaliza, de imediato, as noções de proteção e conservação do meio ambiente, com o adulto, já não é assim. O sujeito pode ter o acesso ao letramento científico sobre a preservação da natureza, mas ele precisa saber que o lixo que ele produz é responsabilidade dele. É preciso saber que o plástico não vai se decompor rapidamente, que um quilo de carne gasta muitos litros de água e que não é possível desperdiçar a carne ou um outro alimento que consome recursos naturais para chegar até a mesa da pessoa”, reflete.

As mudanças de hábito, propostas nas vivências preparadas na Escola Ambiental, chegam a assuntos como o comportamento de consumo, a defesa de patrimônios como as águas e o Rio Tietê. “Além da educação formal, contará, para mudanças no futuro, a educação informal”, propõe a educadora.

Ao avaliar as discussões sobre a flexibilidade das legislações ambientais, Angélica opina que apesar de as transformações estarem em curso, “há muitos movimentos fortes que defendem o meio ambiente e se organizam para protegê-lo. Eu sou otimista, e sinto que o homem, ao ver as reações da natureza a processos como o uso descontrolado de agrotóxicos, apenas como exemplo, já sabe que isso não e natural, bom para o planeta”.

Outro ponto positivo a ser lembrada nesta data, realça a profissional, é a responsabilidade social na formação de jovens e crianças. “A criança não tem a consciência ambiental. Ela está em formação, em aprendizado. O adulto sim, é quem deve ter a consciência disso”.

Ainda sobre essa questão, ela defende o uso da natureza como uma ferramenta educacional. “Minha expectativa é ver os elementos da natureza serem usados no ensino de matemática, de português, química. Não adianta falar da Amazônia, que está do outro lado do Brasil, com a criança que vive aqui. A proposta ao professor é: como usar os elementos que ele possui na escola para aproximar a criança da natureza. Não se trata de fazer poesia, mas abraçar uma árvore é muito mais interessante para a criança do que ficar sentada em uma cadeira”, propõe.

Os 13 anos da Escola Ambiental de Mogi estão sendo lembrados com as ações do Junho Verde. E, em outubro, será realizado mais uma edição do Encontro de Educadores Ambientais, com convidados especiais.