CHICO ORNELLAS

Causos matrimoniais

Mogi de A a Z

Amigo Chico

Curiosa a história que leitor lhe enviou e publicada em edição recente, relatando os incidentes de um casamento em Aparecida, quando noivo e sogro trocaram ternos. Como curiosas estas outras duas histórias, verídicas posso garantir. Ambas envolvendo questões matrimoniais. Aliás, parece que os seus leitores têm especial predileção pelo tema, pois também em sua página (‘As luzes de um KS’) relatava-se caso do mesmo naipe. Como os meus:

. Um amigo preparava-se para o casamento e sua noiva foi se informar sobre decoração de igreja, contratação de coral e outros que tais. Quem organizava tudo sugeriu-lhe que fosse, determinados dia e hora, a uma igreja para ver a cerimônia que então se realizaria e que teria tudo aquilo que eles pretendiam encomendar. Foram. A cerimônia corria normal. Correu normal até o momento da célebre pergunta: “A noiva deseja receber o noivo como seu legítimo esposo?”. A resposta foi “sim”. O celebrante prosseguiu: “O noivo deseja receber a noiva como sua legítima mulher?” A resposta foi “não”. Ante uma igreja estupefata, o celebrante repetiu a pergunta: “O noivo deseja receber a noiva como sua legítima mulher?” Repetiu-se um sonoro “não”, agora complementado por uma afirmação final: “Não, porque minha noiva me trai há muito tempo com ele”. E apontou o dedo em riste para um dos padrinhos. Que, imediatamente, levou na cara a bolsa que sua própria esposa portava. O casamento terminou ali.

Também em São Paulo, há alguns anos, um casal amigo convidou pessoas de sua relação para o open house da nova residência. Uma casa bonita, com decoração assinada por um dos mais cortejados arquitetos do País. Tudo nos trinques. Os convidados chegaram na hora certa e circularam pelo jardim de inverno para o coquetel. Sentaram-se à mesa de 16 lugares para o jantar e dividiram-se pela ampla sala para o café. Estavam no momento do licor quando o dono da casa levantou-se. “Eu quero agradecer a todos vocês pela gostosa noite que me permitiram. E dar-lhes também uma notícia: na verdade, a partir de hoje, eu passo a morar sozinho nesta casa; já que minha atual esposa deve procurar outro lugar, quem sabe em companhia de um de nossos convidados, com quem ela tem um caso há alguns meses”.

Garanto-lhe – e aos seus leitores – que estes acontecimentos são verdadeiros. E tenho testemunha para comprová-los.

Abraços do

Bernardo

Carta a um amigo

O valor de um fio de bigode

Coronel Chiquinho, do tempo em que valia o fio do bigode, a palavra empenhada e a discrição. (Foto: arquivo pessoal)

Vale o fio do bigode. É, já houve tempo em que o valor maior se dava à palavra empenhada. Nada a ver com santidade, tudo a ver com a ética segundo o preceito exposto por Aristóteles em sua trilogia ‘Corpus’. Ali, a ética é o caminho da felicidade.

Quem o conheceu diz que foi feliz. Francisco de Souza Franco, o coronel (da Guarda Nacional) Chiquinho, viveu toda sua vida em Mogi das Cruzes. Foi intendente, prefeito e era presidente da Câmara quando morreu em 13 de junho de 1919. Tinha 58 anos de idade e um grande patrimônio. Fazendas nas redondezas de Mogi, outra em Suzano, uma em Biritiba Mirim. Ainda partilhava com familiares outras propriedades em Campinas, cidade de origem de seus avós. Na área urbana de Mogi, muitas casas. O quintal da sua residência, na Rua José Bonifácio, abrangia todo o quarteirão ao lado da atual Catedral de Santana. Espaço suficiente para que os maridos de suas filhas Benedita, Josefina e Leonor construíssem suas residências. Curiosamente, de pé resta apenas a própria casa do coronel Chiquinho que, após sua morte e da esposa, também Chiquinha, foi ocupada pela filha Alice, que morreu solteira, nos anos 80, em permanente devoção a São José. Hoje ali funciona um tabelionato.

A partir da herança de família, o coronel Chiquinho, que cultuava – além do bigode – uma cerrada barba, construiu no comércio o seu patrimônio. Em 1916, três anos antes de sua morte, foi procurado pelo juiz de Direito da Cidade. Disse-lhe o magistrado que recebera requerimento de credores de um outro conhecido e bem sucedido comerciante de Mogi e, sabedor de que o homem em apuros econômicos era amigo e compadre do coronel Chiquinho ele, o juiz, via-se na contingência ética de informá-lo, antes de processar o pedido de falência

Ocorrera o seguinte: o comerciante, amigo e compadre – também homem de bigode –, celebrara, havia algum tempo, sociedade com um imigrante espanhol que o convencera ser detentor de uma revolucionária técnica para fabricar sabão. O imigrante entrou com a ‘técnica’, o amigo e compadre do coronel Chiquinho com o capital. A técnica, em pouco tempo, descobriu-se não existir. O imigrante foi-se embora com o capital. Deixou um mogiano em apuros. Coronel Chiquinho agradeceu ao juiz e pediu-lhe que comparecesse a uma reunião que ele próprio convocaria com os credores, mais o amigo e compadre.

Reuniram-se todos, mas falou apenas o coronel. Disse aos credores que todos os débitos do amigo e compadre seriam honrados, pedindo-lhes apenas o parcelamento. Os juros devidos estavam garantidos. Nada foi assinado. Trinta dias depois da reunião, Souza Franco foi ao comércio do amigo levar-lhe o montante da primeira parcela. Pagou mais algumas, até que o próprio amigo, com novo fôlego, tivesse condições de ele próprio resgatar a dívida. Que também pagou ao próprio coronel Chiquinho, mantendo os prazos e as parcelas originais. Mais os juros.

No final da vida – morreu aos 75 anos, em uma sexta-feira de agosto de 1947 – o compadre e amigo assistido no passado pelo coronel Chiquinho, relatou o ocorrido a um genro do seu benfeitor: “Sabe, meu caro – nesta cidade não devo um tostão a ninguém; mas sou muito grato ao seu sogro, um dos melhores amigos que tive”. Só então as famílias ficaram sabendo do que se passara. E confirmaram que, além do fio do bigode, valia também a discrição quando se trata de acertos entre pessoas que se querem éticas.

Flagrante do Século XX 

DEODATO WERTHEIMER – A foto é de 1928 e pertence ao acervo do Arquivo Municipal. Mostra o médico e político Deodato Wertheimer ao lado da esposa, Maria Amália e com os filhos do primeiro casamento, Luiz Gustavo e Maria Aparecida (de pé). As duas meninas à direita são as irmãs Maria Tereza e Maria Leonor Arouche.

GENTE DE MOGI

RADIALISTA – Ele fez a vida – e cuidou da família – com a empresa de ônibus Santa Maria, que tinha garagem na esquina das ruas Flaviano de Melo e Campos Sales. Mas sua paixão sempre foi o rádio. Trabalhou na Marabá, pioneira da cidade, fundou o serviço de autofalantes que daria origem ao lendário Kazis Auto Propaganda e enfim, em 1981, colocou no ar a sua própria rádio (Transcontinental), por concessão federal. Waldemar Miguel Scavone morreu em dezembro de 2006.

O melhor de Mogi

O prédio do velho Ginásio do Estado, hoje abrigando a Pinacoteca Municipal. Guarda algumas das melhores lembranças da cidade. E outros tantos entreveros políticos, quando serviu à Prefeitura.

O pior de Mogi

Os usurários da cidade. Gente que nasceu aqui – ou escolheu Mogi para viver – e que, depois de conquistar alguma coisa, simplesmente achou que Mogi lhe era muito pequena. E foi embora rompendo raízes.

Ser mogiano é…

Ser mogiano é…. ter comprado, trocado ou vendido produtos na casa “Faz Tudo” de dona Cecília Baños, ao lado do Cine Parque (sugestão de Carlos Godoi).

www.chicoornellas.com.br


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