VOLTA FRIA

Cavalos destaques da Entrada dos Palmitos são furtados em Mogi

ESTIMAÇÃO Fernando, neto de Canjerê, é o que mais sente falta de Ventania, um dos cavalos furtados. (Foto: divulgação)
ESTIMAÇÃO Fernando, neto de Canjerê, é o que mais sente falta de Ventania, um dos cavalos furtados. (Foto: divulgação)

Presença certa na Entrada dos Palmitos, o cortejo profano da Festa do Divino Espírito Santo, Ventania, o pampa malhado branco e marrom, e Carnaval, um mangalarga mineiro quase todo branco e reconhecido pela personalidade cativante que atraía olhares por onde ele passava, foram furtados do Sítio Canjerê, localizado na Volta Fria, na noite de domingo para segunda-feira do último dia 12. Uma égua vermelha, de uns cinco anos, também foi levada.

Desde essa madrugada, a comunidade rural de Mogi das Cruzes e cidades do Alto Tietê e do Vale do Paraíba está replicando um pedido de pistas sobre o paradeiro dos animais nas redes sociais. Ventania é de Fernando, neto de Nelson Alves de Oliveira, o Canjerê, que possui um haras com baias que acolhem, agora, 70 cavalos e éguas.

Personagem popular entre cavaleiros e criadores, ele acredita que os ladrões devem ter ido longe com o objeto do furto. O motivo: Ventarnia e Carnaval são muito conhecidos não apenas na cidade, mas em todo o meio rural que ainda se sustenta nas cidades vizinhas. “Eu tenho fé. Mas, ladrão é esperto, fala manso com você, ganha confiança e vai saber depois do que é capaz? Para mim, eles foram para longe porque por aqui, todos conheciam bem esses dois”.

O problema, confessa, com fala pausada, é encarar o neto, Fernando, dono de Ventania. “O meu neto tem amizade, amor pelo cavalo, não quer outro no lugar. Isso me deixa muito bravo”, conta.

No ano passado, o haras também foi vítima do alheio. Naquela oportunidade, foram levados dois cavalos de terceiros, orçados em cerca de R$ 30 mil. Agora, ele estima que o prejuízo esteja entre R$ 10 mil e R$ 15 mil. Mas, o valor, para quem se afeiçoa com esses animais, é o de menos. “Isso, não tem preço”, resume.

Indagado se vai adotar alguma medida de segurança, o homem de 75 anos, sorri: “segurar ladrão? Ninguém consegue, não vê por aí no Brasil, o que está acontecendo? Não tem parada para eles”.

O sítio de Canjerê é ponto conhecido não apenas no dia da Entrada dos Palmitos, quando parte dos cavaleiros participa de um afogadão só para eles.

Canjerê ganhou o apelido na infância. O motivo? A mesma levadeza encontrada nas artes feitas pelo saci-pererê.

Durante o ano, a tropa de amigos dele refaz caminhos antigos por serras como a Bocaina e do Mar, percorrendo cidades como São Luis do Paraitinga e Parati, e costuma chegar até a Santo Antonio da Platina, no Paraná, em aventuras que ficaram, neste ano, na saudade. A pandemia suspendeu esses planos. As visitas ao sítio escassearam. “Tem dono que vem aqui, fica 15 minutinhos para matar a saudade do animal e vai embora. Talvez por isso, graças a Deus, por aqui, ninguém pegou a doença (Covid-19)”, conta.


Deixe seu comentário