EM CARTAZ

Centro Cultural de Mogi abre à cena independente

SIMPLES Mesmo com poucos recursos Ana Cleusa dos Santos luta para colocar em prática o desejo de viver da arte. (Foto: arquivo)

Vinda de São Paulo para Mogi das Cruzes há um ano, Ana Cleusa dos Santos está investindo todos os recursos que tem em produções como ‘A Sertaneja Homenageando Seus Ídolos’ e ‘A Cigana’, que encenará amanhã, no palco do Centro Cultural, a partir das 19 horas. Mas ela não é apenas a única atriz em cena nestas peças; é também quem dirige, escreve e produz.

Assim, seu teatro pode ser definido como independente, mas não por isso menos perspicaz do que grandes montagens. O toque especial ou “a cereja do bolo” são as rimas que permeiam todas as cenas, principalmente na história da sertaneja Dona Chica.

O primeiro monólogo, em referência a década de 1950 conta a história da esposa de Sr. João, “um homem honesto, trabalhador, pai de família, rígido e agricultor, que muita semente plantou, muita gente alimentou, exportou até para o exterior, mas foi trabalhar num alambique e da ‘marvada’ pinga experimentou”, como revelam os versos entoados pela autora do texto.

Depois que o marido de Dona Chica começa a se embriagar, a protagonista passa a ser vista “pelos cantos a chorar”. “A vida dela era trabalhar na roça e no seu humilde lar passando roupa com os ferros pesados e com a companhia de um rádio a pilha, até que o filho dela, Severino, resolveu pegar todas as economias e comprou um televisor para sua mãe presentear”.

A partir deste momento a vida da sertaneja muda completamente, já que ela se encanta e até mesmo se apaixona pela TV, idealizando a imagem do apresentador de um programa no próprio marido. Mas em certo momento ela fica envergonhada por se sentir assim e decide tentar ser atriz na cidade grande, onde canta algumas canções compostas por Cleusa.

Passado este momento ela acaba optando por voltar ao sertão e dá lugar para que entre no palco ‘A Cigana’, com figurino e cenário simples, mas com a mesma energia de poetisa. Em comum com a mulher anterior a nova personagem também quer ser famosa, mas não por atuar, e sim por jogar cartas para algum cantor.

Dessa forma, a autora explica que ela “lê o jornal para ver o horóscopo, dá a benção para que todos sejam felizes e que não haja mais briga sobre religiões e celebra a Festa do Divino”. Quando termina de fazer tudo isso entra um homem no palco para cantar Martinho da Vila, e para ser o par romântico da cigana que entoa: “Sou sua cartomante e posso ser sua coringa, se você perde o jogo por você posso jogar e ganhar para então de mim gostar”.

Com estas histórias, o que Cleusa quer é “fazer as pessoas felizes”. “Espero que ninguém chore, e só quero ver sorrisos na plateia”, resume ela, que aos 54 anos diz ter mais de 200 canções compostas e muitos outros textos prontos para encenar. “Gostaria de viver somente da arte, mas enquanto isso não é possível desempenho outras funções, como diarista, cuidadora de idosos e babá”.

Ambas as peças podem ser assistidas pelo ingresso único de R$ 20,00. Outras informações podem ser obtidas diretamente no Centro Cultural, que fica ao número 360 da praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, no Centro.