COVID-19

Centro de Mogi está vazio durante a quarentena, mas distritos permanecem movimentados

(Foto; Elton Ishikawa)

DIFERENÇA Enquanto a região central de Mogi das Cruzes permanece vazia, com tudo fechado, ruas de distritos como Jundiapeba estão movimentadas de gente (Clique para expandir)

Se por um lado as ruas da região central de Mogi das Cruzes amanheceram vazias terça-feira e ontem – o segundo dia da quarentena estipulada pelo Governo do Estado -, em outros bairros do município, que costumam registrar movimento intenso, o cenário pouco mudou. Nesta quarta, avenidas como a Presidente Altino Arantes, em Jundiapeba, e a Dr. Deodato Wertheimer, em Braz Cubas, pareciam viver um dia comum, com exceção das portas fechadas nos comércios não essenciais, que são obrigadas a interromper atividades. O movimento de veículos e pessoas, inclusive idosos, permanecia intenso em plena pandemia, na contramão de muitos mogianos, que unidos em esforço global, optaram por ficar em casa e contribuir assim no combate ao novo coronavírus (Covid-19).

Ontem, a reportagem de O Diário voltou a percorrer a cidade, e mais uma vez encontrou muitas pessoas da terceira idade – grupo de risco para o vírus – sentadas em praças e conversando, crianças brincando e pessoas comendo nas ruas, além de casais de mãos dadas e filas em estabelecimentos como bancos e padarias. A situação mostra que, na cidade, muitas pessoas aproveitaram o segundo dia de quarentena para “dar uma volta”. Os comércios do município continuam sendo fiscalizados e estão sujeitos à multa.

CENÁRIO Região do largo do Rosário, geralmente uma das mais movimentadas da região central da cidade, amanheceu vazia na quarentena. (Foto: Elton Ishikawa)

“Sinceramente, parece que estão em festa. Hoje (quarta-feira) estou vendo que muitas pessoas simplesmente esqueceram da situação”, lamenta Tatiana Vieira Rocha, funcionária de uma farmácia no coração do distrito de Jundiapeba. “Tem muita gente saindo para comprar pouquíssimas coisas, inclusive idosos, e voltando um, dois dias depois”, crítica a profissional, ao completar que, na opinião dela, “o correto seria fazer apenas uma compra reforçada e permanecer em casa”.

Em Jundiapeba era intenso o movimento na principal avenida na tarde de ontem. A reportagem de O Diário presenciou muitas filas nas farmácias, mercados e bancos. Em um cenário totalmente diferente, o silêncio reinava na rua Paulo Frontin, no centro, uma das vias rotineiramente mais movimentadas de Mogi, e no largo Francisco Ribeiro Nogueira.

COMPLICADO Em Jundiapeba, circulação de pessoas ainda era maior; no distrito de Braz Cubas também havia pessoas nas ruas

Bruno Neves de Castro estava nas ruas ontem, em Braz Cubas, por motivos de trabalho. “Não sou contra a quarentena, mas espero de verdade que ela dure pouco. O comércio vai ser muito castigado”, relatou ele. Bruno trabalha em uma padaria e explica que “a proprietária do estabelecimento já cortou cinco funcionários por causa dessa situação, por isso também entendo o posicionamento do Bolsonaro que quer que tudo volte à normalidade”.

Já o biólogo Caio Henrique Dimitri, que saiu às ruas ontem em busca de álcool em gel, pois recebeu aviso de uma farmácia de que o produto havia voltado ao estoque, defendeu a quarentena. “É fácil pensar só no hoje, mas precisamos acordar para o amanhã. Acredito que vale mais à pena fazer um sacrifício e ficar um mês parado para os casos (de coronavírus) não subirem, do que deixar agravar a situação. Aí seremos obrigados a fechar por mais tempo”, pontuou o profissional.

RESPEITO Largo Francisco Ribeiro Nogueira não tinha movimentação. (Foto: Elton Ishikawa)

Quarentena

Passou a valer na última terça-feira a quarentena nos 645 municípios do Estado de São Paulo. Determinada pelo governador João Doria (PSDB), a medida obriga o fechamento do comércio e mantém os serviços essenciais.

O decreto paulista não restringe a circulação de pessoas, como é o caso em países como França e Itália. Recomenda, no entanto, que ela se limite às necessidades imediatas de alimentação, cuidados de saúde e atividades essenciais.


Deixe seu comentário