FENÔMENO

Cerejeiras de Mogi começam a florescer; veja fotos

BELAS E FORMOSAS As cerejeiras dão um toque especial à paisagem. (Foto: Eisner Soares)

Em meio às diversas preocupações alavancadas pela pandemia de Covid-19, um fenômeno da natureza acabou longe dos holofotes: parte das cerejeiras de Mogi das Cruzes já floresceu, acrescentando toques de cor em conhecidos canteiros do município, um pouco mais cedo do habitual. Foram as primeiras famílias de imigrantes japoneses – que ontem completaram 112 anos no Brasil – as responsáveis por introduzir a espécie no cenário urbano da cidade. Com características únicas, essas árvores nativas da Ásia carregam simbolismo especial para a cultura oriental e nas ruas despertam a atenção com seus tons vivos de rosa.

O florescer delas ocorre apenas uma vez por ano, durante poucos dias, mas com a certeza de retorno após o fim de um ciclo. Fragilidade e perseverança que podem ser comparadas com o período atual vivido em todo o mundo em reflexo do novo coronavírus.

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Memória viva do passado imigratório de Mogi, é possível encontrar cerejeiras espalhadas em diversos espaços públicos da cidade, como na Praça João Antônio Batalha, no Shangai, nas rotatórias em César de Souza e Vila Rubens, no Terminal Rodoviário, além do resort Club Med Lake Paradise, em Jundiapeba, que exibe um percurso com mais de 200 peças da árvore, além dos redutos japoneses como a praça dos Imigrantes, parque Centenário e Associação Cultural de Mogi – Bunkyo.

O biólogo e professor Pedro Luis Batista Tomasulo explica que espécies de cerejeiras se adaptaram bem ao clima mogiano. O profissional relata que o florescer delas depende de diferentes fatores e pode acontecer em períodos diferentes a cada ano. No ano passado, por exemplo, o fenômeno ocorreu em agosto, acompanhando a chegada do frio.

Tomasulo lembra que o período em que as flores desabrocham dura apenas alguns dias e, no Japão, coincide com o início da primavera, “trazendo diversos simbolismos para a cultura daquele país”.

Originária da Ásia, na cultura japonesa – chamada de sakura, identificando tanto a cerejeira quanto sua flor -, a cerejeira era associada ao samurai cuja vida era tão efêmera quanto a da flor que se desprendia da árvore.


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