EDITORIAL

Cerveja batizada

Especialmente agora, quando a Covid-19 consome a atenção de todos mundo, certas situações não podem passar sem respostas do poder público. Um exemplo: será importante o rastreamento das outras ligações da quadrilha que “batizava” milhares de garrafas de cerveja em uma casa no Conjunto Santo Ângelo, em Mogi das Cruzes, para identificar outras pessoas que estavam lesando o consumidor e colocando em risco a saúde pública.

O crime foi descoberto no final de semana, quando mais uma vítima da substância Dietilenoglicol morreu após consumir a cerveja Belohorizontina, fabricada pela cervejaria Backer, que ficou conhecida por causa da intoxicação provocada em consumidores.

Essa coincidência é obra do acaso, claro, mas acentua quanto o consumidor é vulnerável.

Uma grande quantidade de garrafas, cerca de 7 mil, foi apreendida pela polícia de Mogi das Cruzes na operação que começou com uma denúncia sobre o barulho característico da movimentação de tantos litros de vidro.

Há quanto tempo o grupo de oito homens agia em Mogi das Cruzes? Quem eram os compradores? E quem seriam os consumidores que podem ter comprado o produto “batizado”, vendido como sendo um, mas de qualidade inferior? Quem estaria ganhando com a venda dessa cerveja de origem duvidosa?

O crime contra a saúde pública é algo gravíssimo. Primeiro porque o consumidor confia que está comprando e ingerindo o que encontra na embalagem. Nesse caso, os criminosos tinham grande quantidade de rótulos e tampinhas, o que conferia a “autenticidade” a diferentes marcas de cerveja. Era algo um pouco mais rebuscado e que, exigia, por isso mesmo, uma rede de pessoas envolvidas.

E segundo porque coloca em dúvida a indústria alimentícia. Nesse caso, foi cerveja.

O preço, talvez mais baixo, e a inexistência de notas fiscais originais, podem ter facilitado a venda dessas cervejas sabe-se lá para quem. Uma investigação apurada, com o rastreamento do caminho desses produtos, e uma punição exemplar são um dever da Polícia, da Vigilância Sanitária, do Procon e de quem mais responder pela segurança do consumidor mogiano e regional.

Onde essas cervejas eram vendidas? Quem eram seus consumidores? Essas pessoas enganadas poderão ser ressarcidas? São perguntas a serem respondidas pelo poder público diante de uma ilegalidade inaceitável.


Deixe seu comentário