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Chevrolet Cruze também adere à moda escurecida

O Chevrolet Cruze Black Bow Tie é baseado na versão LT do modelo e custa R$ 99.790 (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Nos últimos anos, os veículos negros, com detalhes no mesmo tom, são uma tendência estilística em alta em todo o mundo e também no Brasil. Uma marca que embarcou com tudo nessa “maré negra” é a Chevrolet. No ano passado, depois dos lançamentos das séries Midnight da picape S10 e do utilitário esportivo Tracker, a Chevrolet emendou direto com o Cruze Black Bow Tie. Apresentada no final de outubro, a versão está disponível nas configurações sedã e hatch Sport6, ambas oferecidas por R$ 99.790. Entre os sedãs, a configuração “tunada” busca tornar o Cruze mais atraente na disputa com o Toyota Corolla e o Honda Civic, que há décadas se alternam na liderança das vendas no segmento.
A ideia da versão Black Bow Tie é criar um Cruze com uma “pegada” mais jovial e com apelo mais esportivo, para sensibilizar o público que gosta de personalização. Para ajudar a manter um preço abaixo dos R$ 100 mil, a base da nova versão é a LT, a “de entrada” da linha. Tanto na frente quanto na traseira, a versão traz a gravatinha da Chevrolet em preto, no lugar do tradicional dourado. Na traseira, o nome do modelo também aparece em preto, em vez das habituais letrinhas cromadas. O acabamento cromado aparece apenas na moldura da grade. A cor preta da carroceria ressalta a “musculatura” do modelo e os três vincos convergentes do capô. Acessórios originais reforçam a proposta de customização, em especial as rodas aro 17 polegadas na cor grafite, que criam um contraste interessante com a “roupagem” toda preta.

Como todo Cruze, a versão “tunada” do sedã é equipada com motor 1.4 litro de 153 cv de potência (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Sob o capô, o Cruze Black Bow Tie traz o mesmo motor 1.4 Turbo com injeção direta e duplo comando variável das outras versões. Rende potência de 150/153 cavalos e torque de 24/24,5 kgfm com gasolina/etanol. O câmbio é automático sequencial de seis marchas com opção de mudanças manuais na alavanca. Segundo o Inmetro, o Cruze LT tem um consumo na cidade de 7,8/11,5 km/l com e na estrada de 10,1/14,6 km/l com etanol/gasolina. Com isso, obteve um índice A na categoria e B no geral. A suspensão se mantém a mesma dos outros Cruze, com a combinação de McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira.
O aspecto um tanto “malvado” da versão Black Bow Tie não interfere no desempenho dinâmico do Cruze, já que o motor 1.4 turbo continua a ser um dos pontos altos do Cruze. O torque máximo surge pertos de dois mil rpm e faz o sedã ganhar velocidade rápida e progressivamente. A reação ao acelerador é correta e as acelerações e arrancadas são vigorosas, porém, progressivas e não abruptas. Pode-se obter, com facilidade, um comportamento esportivo do modelo. O câmbio de seis velocidades é eficiente e gerencia o motor sem vacilações. O conjunto mecânico permite ao veículo atingir a velocidade final de 214 km/h, um ótimo desempenho para seus 1.320 quilos de peso, com aceleração de zero a 100 km/h em 8,8 segundos.

Versão Black Bow Tie do Chevrolet Cruze conta com rodas e outros detalhes escurecidos (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

A suspensão do Cruze é bem ajustada. O sedã se mostra bastante estável e aderna pouco nas curvas. Nas mais radicais, feitas em alta velocidade, é possível perceber claramente a providencial atuação dos controles de estabilidade e tração. De um modo geral, o carro parece estar sempre equilibrado e na mão do motorista, mesmo em trechos sinuosos e com um uso ostensivo do pedal da direita. As frenagens são eficientes e precisas, sem “rebolados”.
No Cruze, há bons espaços nos bancos frontais e para quem vai atrás. Quatro passageiros viajam com absoluto conforto. O interior tem nichos e porta-objetos funcionais. Tapetes em carpete com borda vermelha diferenciam a versão Black Bow Tie da LT. Boa parte do interior recebe revestimento sintético que simula couro, inclusive os bancos. O isolamento acústico é bastante correto. O modelo vem com central multimídia MyLink com tela de oito polegadas e GPS integrado, compatível com Android Auto e Apple CarPlay, e o sistema de telemática avançado OnStar, que é bastante funcional. O volante multifuncional concentra comandos para o som, telefone, computador de bordo e controle de cruzeiro, mas não traz “paddle shifts” para troca de marchas – o modo sequencial é feito na alavanca do câmbio.

Interior conta com revestimento sintético que imita couro e moderna central multimidia (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Apesar de ser baseada na versão de entrada da linha, o Cruze Black Bow Tie está longe de ser “pelado” em termos de equipamentos. Vem com airbags frontais e laterais, alarme, controle de tração, controle eletrônico de estabilidade, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, ar-condicionado com controle eletrônico, câmera de ré, computador de bordo, controle de velocidade de cruzeiro, sistema start/stop, central multimídia sensível ao toque de sete polegadas com espelhamento de smartphones, abertura do porta malas por controle remoto, assistente de partida em aclive, coluna de direção com regulagem em altura e profundidade, indicador do nível de vida de óleo, de bateria e pressão dos pneus, direção elétrica progressiva, retrovisores externos elétricos com indicador de direção, navegação por setas com comando de voz, descansa-braço dianteiro central deslizante e banco traseiro bipartido e rebatível, com porta-copos.
A versão Black Bow Tie traz ainda direção elétrica progressiva, luzes de condução diurna em LED, sensor de estacionamento dianteiro, sensor de chuva, sensor crepuscular, abertura das portas por sensor de aproximação na chave e partida por botão no painel, controle de cruzeiro, abertura e fechamento dos vidros por controle remoto, sistema isofix para fixação de cadeirinha infantil, assistente de partida em rampas, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, acionamento da ignição por controle remoto, retrovisores externos com rebatimento elétrico e aquecimento e retrovisor interno eletrocrômico. O porta-malas do Cruze, que não é dos maiores do segmento, comporta 440 litros. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha técnica
Chevrolet Cruze Black Bow Tie

Motor: Etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.399 cm³, quatro cilindros, quatro válvulas por cilindro, turbocompressor, injeção direta e controle eletrônico de aceleração
Transmissão: Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.Tem controle eletrônico de tração
Potência máxima: 153/150 cavalos a 5.200/5.600 rpm com etanol/gasolina
Torque máximo: 24,5/24 kgfm a 2 mil/2.100 rpm com etanol/gasolina
Taxa de compressão: 10,0:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com barra estabilizadora ligada a hastes tensoras e molas helicoidais com carga lateral. Traseira do tipo eixo de torção, semi-independente e molas helicoidais
Pneus: 215/50 R17