Chico e Isabela

Em três semanas, a mobilização de milhares de pessoas tornou um desejo no imperativo, #Vai Chico, em desejo realizado. O Chico vai se tratar na Inglaterra. Chico é Francisco Benitez, tem 4 anos e nasceu com uma malformação genética que deforma a parede intestinal e precisa ser corrigida com procedimentos cirúrgicos.

A família do Chico não está sozinha. E nem a de Isabela Diringer, de 12 anos, que possui a mesma doença. A história dessas duas crianças tornou-se conhecida por meio de duas campanhas colaborativas, realizadas para que eles possam ser operados em um centro clínico da Inglaterra.

No Brasil, os procedimentos são feitos, mas há fila de espera que reduz a qualidade de vida dos pacientes e dos familiares.

As duas campanhas, com resultados em tempo inesperado – a do Chico levou três semanas para chegar ao objetivo, reforçou o que Mogi das Cruzes tem de melhor: a solidariedade, a vontade de ajudar. Reside na Cidade uma grande parte dos participantes da “vaquinha” coletiva, feita pela internet, com braços potentes na “vida” real: ações – shows, apresentações e venda de lanches e camisetas – foram iniciadas a partir dos pedidos feitos pelos Benitez e os Diringer.

Chico precisava de R$ 400 mil. Isabela, de R$ 500 mil. A união dessas duas iniciativas reduziu o tempo de espera pelo alvo. Uma parte do que era para o Chico (R$ 40 mil) ajudou Isabela.

Tudo isso para dizer que a união segue como estratégia imbatível diante de um problema, de uma dor humana. E pode produzir um efeito amoroso em dominó: agora, o exemplo dessa causa e os recursos extras recebidos por Chico e Isabela são destinados a outros meninos e meninas também doentes.

Por último, outra análise sobre o drama vivido por quem possui uma doença rara. Até algum tempo, um em cada mil bebês nascidos apresentava a gastrosquise, nome dessa malformação. Esse índice tem aumentado no Brasil e alguns especialistas afirmam que até cinco crianças podem nascer com as vísceras abdominais, como estômago e intestinos, para fora do corpo. As causas ainda são inconclusivas, mas apontam para a prevalência de bebês filhos de mães muito jovens ou mães com histórico de tabagismo e alcoolismo.

Doenças fora de curvas epidemiológicas mais populares requerem mais pesquisa científica, que hoje sofre com o corte de verbas públicas, e consistentes políticas públicas de saúde. É devastador o sofrimento de um pai, um avô e um irmão de uma criança com alguma doença que precisa ser tratada e depende do governo ou da ajuda de outras pessoas.

Nesse caso, as famílias tiveram os acessos à internet, um meio facilitador para atingir um grande número de pessoas, ou a ajuda da Polícia Militar, que deu um belo exemplo na luta de Isabela. Mas, quantos Chicos e Isabelas estão só em lentas filas de espera por saúde, por educação, por uma família?


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