China derruba mercados no mundo

Na Ásia, as maiores baixas ocorreram nos principais índices de ações da Indonésia / Foto: Divulgação
Na Ásia, as maiores baixas ocorreram nos principais índices de ações da Indonésia / Foto: Divulgação

Maior exportador de produtos industrializados do mundo, a China desvalorizou o yuan pelo segundo dia seguido, levando a baixas generalizadas nos mercados de commodities e nas principais Bolsas internacionais.

A nova desvalorização ocorreu um dia após o Banco Popular da China (BC chinês) anunciar uma reforma no sistema de câmbio fixo do país em que introduziu um espaço maior para a flutuação do yuan em relação ao dólar.

A expectativa inicial era que o yuan tivesse um forte ajuste – recuou 1,9% na terça no primeiro dia para se adequar à nova banda cambial. No entanto, o BC chinês afirmou que pressão do mercado pela desvalorização foi tamanha que decidiu fazer um segundo ajuste, permitindo uma desvalorização adicional de 1,62% ontem.

A reforma do sistema cambial na terça foi apresentada pelas autoridades chinesas como um movimento para dar maior protagonismo às forças do mercado na hora de fixar a taxa de câmbio do yuan, que continuará a ser controlada pelo governo.

Segundo o BC chinês, as oscilações do yuan devem se estabilizar num patamar “razoavelmente estável” após um “curto período de adaptação” ao novo sistema. O ajuste no câmbio chinês levou à forte baixa nas principais Bolsas asiáticas, europeias e emergentes com o temor de concorrência maior com os produtos chineses.

Na Ásia, as maiores baixas ocorreram nos principais índices de ações da Indonésia (-3,1%), Cingapura (-2,9%), Seul (-2,06%), Índia (-1,33%) e Tóquio (-1,3%). Na Europa, as Bolsas de Londres, Paris e Frankfurt tiveram baixa de 1,4%, 3,4% e 3,27%, respectivamente. Nos EUA, a Bolsa de Nova York terminou com o índice Dow Jones estável.

Entre as commodities, as maiores baixas foram de soja (-6,33%) e milho (-5,03%). O petróleo do tipo crude e brent, que estão com os menores preços do ano, subiram 0,22% e 0,53%.

Um dos motivos apontados para o esforço chinês de desvalorizar o yuan é a ambição de fazer com que o FMI a inclua no rol de moedas internacionais de reserva. Com uma flutuação mais pautada pelas variações de mercado, a moeda se tornaria mais apta a se juntar a libra esterlina, iene euro e dólar. Outra razão são dados divulgados no fim de semana, que mostram queda de 8,3% das exportações em julho.