DIFÍCIL

Chuva ainda preocupa famílias de áreas próximas da várzea do rio Tietê em Mogi

CENÁRIO Rio Tietê transborda e deixa a rua José Teles dos Santos, no bairro do Rodeio, com trecho alagado depois das fortes chuvas dos últimos dias. (Foto: Elton Ishikawa)

A situação nas áreas próximas da várzea do rio Tietê em Mogi das Cruzes “está sob controle por enquanto e sem registro de problemas sérios”, afirma o secretário municipal de Segurança, Paulo Roberto Madureira Sales. O município entrou em estado de atenção máxima para risco de alagamentos nas áreas adjacentes do manancial e seus afluentes após chuvas intensas atingirem a região, e o anúncio do fechamento das comportas da barragem da Penha, em São Paulo – represamento que aumentaria o volume do leito no Alto Tietê. Até agora, os impactos desta medida foram sentidos de maneira tímida por aqui, porém famílias continuam apreensivas, e temem que um novo temporal volte a trazer transtornos.

Entre a tarde de segunda-feira e a manhã de ontem, o nível do Tietê baixou de 3,59 metros para 3,50 metros no ponto de medição da Ponte Grande. Apesar do alívio, o volume continua próximo ao limite de extravasão: 3,60 metros. Outro agravante é que a previsão para os próximos dias diz que a chuva continuará.

TRANSTORNO Motoristas e pedestres têm dificuldades de locomoção. (Foto: Elton Ishikawa)

“Reflexos do fechamento da barragem ainda não foram sentidos na cidade, mesmo assim, o monitoramento da prefeitura continua nestas áreas”, garante Sales. O titular admite que a cidade conta com moradores em áreas de risco próximo ao Tietê, porém não em pontos de perigo eminente.

Até a tarde de ontem, as comportas do equipamento continuavam fechadas. A manobra adotada pelo Estado para minimizar os impactos na capital pode trazer possível agravamento de locais alagados e o surgimento de novos pontos de enchentes, demandando, inclusive, a remoção de famílias de algumas regiões, além dos transtornos no trânsito e no transporte público para o deslocamento da população, segundo aponta o Consórcio de Desenvolvimento do Municípios do Alto Tietê (Condemat).

Por outro lado, O professor e engenheiro civil José Roberto Kachel dos Santos alega que “é absolutamente impossível que o fechamento da barragem da Penha possa ter qualquer reflexo em Mogi. Para causar inundação em Mogi teria que ter altura suficiente para inundar a Zona Leste inteira. O que pode causar algum transtorno em Mogi, como aconteceu no ano passado, é o possível extravasamento das represas do SPAT pelos respectivos vertedouros. Mas esta possibilidade, no momento, ainda é remota”.

DIFÍCIL Secretário de Segurança garante que situação está sob controle, mas moradores temem mais problemas. (Foto: Elton Ishikawa)

Segundo Sales, esta é a primeira vez que a cidade entra em alerta por causa de uma manobra na barragem da Penha. “O motivo foi a situação atípica que São Paulo enfrentou”, aponta.

Ontem, algumas ruas de áreas próximas do Tietê, em Mogi, que haviam sido interditadas pela água no último domingo, permaneciam em situação parecida.

A maior preocupação destes moradores é que o cenário se agrave com um novo temporal. “Sempre que chove muito forte, como ocorreu em janeiro, as margens do rio transbordam. A diferença é que desta vez a água está custando a descer. Se chover forte de novo aí vai complicar”, destaca Beatriz Pereira, moradora da rua Francisco Vilela, na Ponte Grande.

Outro que tem o rio Tietê em seu quintal é Ivanildo Ferreira, morador da rua José Teles, no Rodeio. Ele observa a mesma situação. “A água ainda não baixou desde domingo. Na verdade, está um pouco alto agora, mas nada tão grave porque a situação era pior nos anos anteriores. Mas como o rio está no limite, ficamos preocupados”, destaca.

Alta do Tietê pode provocar alagamentos na cidade. (Fotos: Elton Ishikawa)

Em nota, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) informa que a área de influência da Barragem da Penha se estende por cinco quilômetros, até o início da via de acesso ao Aeroporto Internacional de Cumbica. Portanto, não atinge os municípios do Alto Tietê.

O parque Centenário, vizinho do Tietê, continua com trechos da pista de caminhada alagados e interditados. Já em uma trilha da Ilha Marabá, no Mogilar, a água subiu ao ponto de chegar perto da ponte de madeira existente no local. Com isso, o equipamento permanecerá fechado até a normalização do leito do rio.


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