COMPLICADO

Chuva destrói 20% do plantio de agricultores em Mogi das Cruzes

SITUAÇÃO Maria Fernanda Vieira na plantação de pimentão, localizada na Chácara dos Baianos, que também foi afetada pelas fortes chuvas. (Foto: Elton Ishikawa)

Os agricultores da Chácara dos Baianos, em Mogi das Cruzes, perderam uma média de 20% da produção desde o início do ano por conta das fortes chuvas que vêm atingindo a cidade. A informação é da associação local. O valor, no entanto, ainda está “dentro do esperado” para essa época do ano. Inclusive, eles chegam a lotar os canteiros com o mesmo percentual, para não reduzir a quantidade a ser ofertada.

Apesar dessa preparação, há a possibilidade deste prejuízo aumentar. A secretária da Associação dos Chacareiros, Maria Fernanda Vieira, diz que caso o tempo fique firme nos próximos dias, o sol poderá causar o que eles chamam de “travamento” das folhas.

“O nosso medo é de que ele venha muito forte, então ocorre como se fosse um choque térmico na planta e ela não se desenvolve mais. A alface, por exemplo, que a gente consegue colher com 45 dias, para e aí às vezes não está pronta ainda”, explica. Ela diz ainda que o consumidor pode esperar aumento no preço das hortaliças nos próximos dias.

Maria conta que desde pequena está na agricultura familiar, mas só há seis anos mantém a própria propriedade, com 6 mil m². Semanalmente, consegue entregar 30 dúzias de couve, 20 maços de salsa e 30 maços de cebolinha. Ela diz que, por enquanto, está entregando essa quantidade, porque plantou mais.

“Mas tem produtor aqui que está sendo muito afetado desde a chuva de janeiro. Há casos que nem mesmo ele conseguiu fazer um novo plantio, porque o solo se mantém encharcado. Então, além de ter perdido, ainda não conseguiu se recuperar. Vai demorar ainda cerca de dois meses para conseguir colher de novo, até passar pelo plantio e cultivo”, explica.

Ainda de acordo com a secretária, os produtores da região da Chácara dos Baianos não foram afetados nos dois dias em que a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) sofreu os efeitos das chuvas. A maior parte da produção é encaminhada aos supermercados e feirantes de Mogi das Cruzes e Suzano.

Anteontem, o secretário municipal de Agricultura, Renato Abdo, falou a O Diário que as demais áreas de produção de hortaliças na cidade não foram afetadas pela chuva, só mesmo a Chácara dos Baianos.

A reportagem recebeu a informação de que a rede de supermercados Alabarce não realizou as promoções de sacolão ontem devido à falta de alguns produtos. No entanto, segundo o estabelecimento, por enquanto a compra de mercadorias para o setor de hortifruti está ocorrendo. “As faltas do Ceasa e produtores distantes foram supridas com produtos comprados na região. Não tivemos quase ruptura. O abastecimento no Ceasa normaliza a partir de amanhã, então não teremos problemas de falta de mercadorias de hortifrutis em nossas lojas”, destacou.

Nível do Tietê sobe e expõe lixo

CENÁRIO Trecho do Tietê no Rodeio está tomado por lixo. (Foto: Elton Ishikawa)

As chuvas dos últimos sobre a capital e Grande São Paulo tem exposto a grande quantidade de lixo acumulada no rio Tietê e também a necessidade de desassoreamento, a fim de diminuir o risco de enchentes. Na ponte da Avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, que liga os bairros do Mogilar e Rodeio, em Mogi, é possível ver a grande quantidade de material descartado irregularmente.

No mês passado, o Governo do Estado anunciou o desassoreamento de diversos rios, com o investimento de R$ 55 milhões. Segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), atualmente está sendo concluindo o desassoreamento do trecho entre os córregos Três Pontes, na divisa de São Paulo com Itaquaquecetuba, e Ipiranga, em Mogi, com 44,2 quilômetros.

Além dos R$ 55 milhões previstos para o desassoreamento do Tietê em 2020, a atual gestão viabilizou mais de R$ 20 milhões de recursos do Fehidro para investimento nesta ação, dos quais R$ 12 milhões no Alto Tietê. Ainda segundo o Daee, a prioridade para aplicação dos recursos foi em rios e córregos que não recebiam serviços de desassoreamento há mais de dois anos, como é o caso do Jundiaí, em Mogi, quando as máquinas removeram 50 mil metros de sedimentos depositados no fundo do canal.

No entanto, o órgão prepara a licitação para desassoreamento de três quilômetros do Jundiaí. Neste semestre também serão licitados o desassoreamento dos rios Jaguari e Guaió, em Suzano, além de 25 quilômetros no trecho da barragem da Penha-córrego Três Pontes, divisa de São Paulo com Itaquaquecetuba.

No mês passado, a reportagem de O Diário percorreu o rio em diversos pontos da cidade. Além do lixo, havia muita planta aquática e algas avançando para o leito do rio, situação tem dois lados, já que apesar de atuar na fotossíntese e servir de alimentos para alguns animais, isso prejudica a oxigenação da água, reduzindo ainda mais a qualidade do líquido.

Fiscalização

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) fez um levantamento do andamento do programa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a fim de reduzir a carga poluidora despejada na bacia do Tietê. O projeto ganhou o nome do rio. O estudo mostrou que em outubro do ano passado, seis contratos haviam sido concluídos, 16 estavam em fase de execução, três não começaram, dois foram reincididos e quatro se encontravam suspensos.

Na região do Alto Tietê, Arujá mantém um projeto suspenso, Ferraz de Vasconcelos tem um em execução, enquanto Itaquaquecetuba conta com um suspenso e três em andamento. Em Poá há um em andamento e Suzano existem dois concluídos e três em andamento.


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