TURISMO

Cidade pode ter Museu Mogiano

RELÍQUIAS Acervo do Museu VIsconde de Mauá, no Casarão do Carmo, é formado por peças que contam a história da cidade. (Foto: Eisner Soares)

Os museus de Mogi podem trazer turistas à cidade. Por isso, alguns receberão investimentos a fim de se tornarem mais atrativos aos visitantes. Um deles é o Visconde de Mauá, que fica no Casarão do Carmo. Quando passou a fazer parte do programa de museus do Estado de São Paulo, ele assim foi nomeado por determinação do Governo. Desde então, a Prefeitura tenta mudar o nome do espaço para “Museu Mogiano”, o que acredita que aproximaria mais o equipamento da história e também dos moradores da cidade. Agora, esse é um dos objetivos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, que já deverá ser concluído quando o processo de comunicação visual do local for finalizado.

A alteração do nome se faz necessária pelo conteúdo que o espaço apresenta. Por lá, o acervo é formado por peças que contam a história do município, com objetos de pessoas que por aqui atuaram ou moraram. Há, por exemplo, uma sala inteiramente dedicada ao jornalista e pesquisador Isaac Grinberg, com todos os livros de autoria do mogiano, além das máquinas fotográficas e de escrever que foram usadas por ele ao longo da carreira.

O Casarão passou por obra recente de restauração, finalizada em 2017. Sendo assim, o lugar vai passar por poucas intervenções que chamem a atenção do público. A sala destinada à reserva técnica receberá piso e iluminação adequados, o auditório vai ganhar ar-condicionado e o quintal do imóvel terá o paralelepípedo substituído. A ideia é dar maior segurança a quem anda por ali, principalmente pelo fato de que muitos idosos frequentam o local.
Além disso será implantada a parte tecnológica do museu, com investimento total de R$ 180 mil, sendo a maior parte proveniente do Governo do Estado, por meio do programa Município de Interesse Turístico (MIT) e R$ 13 mil de contrapartida da Administração Municipal.
“Repensamos todos os espaços, redividimos para conseguir livrar duas salas que serão destinadas à música na cidade. Desde as primeiras partituras que foram encontradas por aqui, os primeiros grupos de marujada, moçambique, falar do Seu Julinho e da história. O município tem um trabalho importante com música nas escolas e com isso queremos mostrar que Mogi é muito importante quando se fala desse aspecto artístico”, disse o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori.

Ele conta ainda que nas salas do fundo, as principais alterações ficarão por conta da expografia, a disposição dos mobiliários e as alterações de acervo, mas estruturalmente pouca coisa deverá mudar. Alguns espaços ganharão ainda telas interativas para que importantes simbologias da cidade sejam explicadas aos visitantes. Os museus funcionam de terça a sexta, das 8 horas ao meio-dia, reabrindo das 13 às 18 horas e aos sábados das 9 às 13 horas.

Espaços do parque receberão melhorias

EXPECTATIVA Centro de Cultura e Memória Taro Konno terá investimento no valor de R$ 220 mil. (Foto: Eisner Soares)

Dos museus administrados pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, os que estão no Parque Centenário talvez sejam os que mais precisem de mudanças. O local abriga o Memorial das Cidades-Irmãs e Centro de Cultura e Memória Taro Konno, ambos em homenagem à imigração japonesa na cidade. Na série de intervenções que estão em licitação, o segundo é que vai receber o maior valor de investimento, com R$ 220 mil, enquanto o outro terá R$ 45 mil.

“O Cidades-Irmãs não vai receber intervenção no sentido de acervo ou parte técnica. Nele, nós só vamos arrumar o prédio consertando a parte de esgoto e a pia que tem ali fora, conserto do telhado e melhoria de iluminação. Isso porque ele não deverá mais funcionar como um espaço estático, no modelo de um museu. No Centenário, nós precisamos ter um espaço multiúso, que tenha um local para algumas peças, mas que possa ser um lugar para uma apresentação de teatro infantil ou um encontro de artesanato, por exemplo”, afirmou o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori.

No Taro Kono vai ser necessário um grande serviço no telhado, que hoje está com muitos pontos de vazamento. Toda a madeira será envernizada, haverá melhorias nos banheiros, assim como na parte de acessibilidade. Hoje, os cadeirantes precisam entrar pela porta dos fundos do museu e, após as obras, terão uma passarela para que possam chegar pela entrada principal. A parte da frente do local será toda fechada e vai receber uma projeção mapeada, onde os círculos das bandeiras do Brasil e do Japão estarão unidos.

Eles mostrarão painéis tridimensionais que projetarão trechos da vinda dos japoneses para Mogi, em um filme com cervas que foram marcantes para essa história. De outro lado, telas de plasma vão mostrar fotos dessas famílias que chegaram até aqui. A expografia do museu também está sendo repensada, com o posicionamento dos mobiliários e novos materiais para o acervo.

Hoje, o lugar pode ser visitado somente de segunda a sexta-feira, no horário de funcionamento do Parque Centenário, das 7 às 17 horas.

Mais cenários irão remeter à 2ª Guerra

Entre as intervenções que estão previstas para os museus de Mogi das Cruzes, uma grande mudança no Centro de Cultura e Memória Expedicionários Mogianos é a ideia para que o espaço se torne mais convidativo. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo quer transformar o ambiente ao ponto de levar os visitantes a cenários que remetam à 2ª Guerra Mundial, em uma homenagem aos combatentes mogianos que estiveram na Itália. Para isso, serão investidos cerca de R$ 40 mil em obras e outros R$ 60 mil em tecnologia.

Para recriar o ambiente de guerra, uma das salas vai ganhar projeções e itens que lembrem o combate, como trincheiras de sacos de areia em um espaço com pouca iluminação. As imagens serão alternadas entre vídeos sobre o combate e depoimentos dos pracinhas. Além disso, o local vai contar com biblioteca e sala de leitura, onde será possível se aprofundar ainda mais sobre o assunto. Segundo o chefe da pasta, Mateus Sartori, uma nova expografia será criada para o local, com painéis adesivados, melhorias na iluminação e paredes derrubadas para a integração dos ambientes. Serão feitas pequenas intervenções na estrutura do prédio, com melhorias no piso do andar inferior, remoção de umidade e conserto das calhas. O secretário explica que a parte tecnológica já foi pensada pela Administração Municipal, mas que isso ainda precisará ser desenvolvido pela empresa vencedora da licitação, assim como nos outros museus da cidade.

Quatro anos atrás, o Expedicionários já recebeu algumas intervenções, quando ganhou uma sala de projeção, com capacidade para 25 pessoas. Além disso, à época o lugar teve a iluminação substituída para que fosse seguido o padrão do Centro Cultural de Mogi, que era recém-inaugurado. O espaço passou ainda por revisão completa em suas instalações elétricas e hidráulicas, com a construção de sanitários acessíveis e teve todos os ambientes adequados e modernizados, com a troca de divisórias para melhorar a circulação entre as salas, mais pintura geral.

Nova fachada será instalada no ‘Guiomar’

DIFERENTE Museu conta a história de Mogi entrelaçada à trajetória da família Pinheiro Franco. (Foto: Eisner Soares)

Com acervo que conta a história de Mogi das Cruzes entrelaçada à trajetória da família Pinheiro Franco, o Museu Histórico Professora Guiomar Pinheiro Franco é o único equipamento municipal que não fica em um prédio próprio da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Por isso, ele não estará incluso nas intervenções previstas para serem feitas dentro do orçamento do Município de Interesse Turístico. A única alteração que deverá ser feita no espaço é a implantação da fachada, para que fique igual aos outros espaços da cidade.

O secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori, conta que a pasta já havia oficiado um pedido de melhorias à proprietária do imóvel, que precisava de resolução para problemas na calha, de infiltração e na parte elétrica. Entretanto, nem tudo foi resolvido. Por isso, mesmo que a Administração Municipal tenha substituído todas as lâmpadas por LED, elas continuam queimando constantemente, por problemas na rede.

Remanescente do final do século XVIII, a casa abriga o museu que tem em exposição objetos da tradicional família mogiana. O conjunto de objetos e todo o mobiliário sempre estiveram de posse dos Pinheiro Franco e ilustram ao longo dos anos até os dias atuais a ocupação do casarão. A Secretaria não pode colocar nenhum bem permanente no espaço, justamente por não ser a proprietária. Sendo assim, o Guiomar não vai receber, por agora, investimentos municipais, sejam eles para obras ou instalação de equipamentos de tecnologia.

Pinacoteca também passará por mudança

Com investimento de cerca de R$ 85 mil, a Pinacoteca passará por pequenas mudanças em sua estrutura. A mais significativa será a retirada das pinturas em grafites feitas na fachada e na parte interna do prédio. A medida foi determinação do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), que alega que este tipo de arte descaracteriza o prédio antigo, que tem mais de 100 anos.

Sendo assim, as paredes serão cobertas por cal do lado de fora e internamente receberão pintura em látex branco. “Lá não tem muita obra para fazer e com isso vamos gastar apenas R$ 19 mil. Enquanto o restante será aplicado na parte de tecnologia. Uma das salas vai contar com painéis e cubos de diferentes tamanhos. Cada um deles representará um artista importante que viveu ou passou pela cidade, como Alfredo Volpi, Chang Dai-chien e Vilma Ramores”, contou o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori.

Passando a mão sobre esses cubos serão mostradas informações sobre o artista escolhido pelo visitante, que poderá ainda se aprofundar nas histórias em salas exclusivas. É o caso do chinês, que viveu no distrito de Taiaçupeba. No espaço dedicado a Chang haverá réplicas de suas obras, além de artefatos remanescentes de sua casa na cidade e até mesmo partes do imóvel, tendo, por exemplo, parte dos azulejos da cozinha que puderam ser recuperados.