EDITORIAL

Cidade verde

No radar do mais novo ranking do Programa Município Verde e Azul, criado pela Secretaria de Estado do Verde e do Meio Ambiente, há boas e preocupantes notícias sobre maneira como as prefeituras do Alto Tietê estão tratando a qualidade ambiental do território regional.

Enquanto Guararema chegou a um prestigiado 15º lugar; na outra ponta, Suzano despencou da 271ª a 510ª colocação na comparação entre 2017 e 2018. Note que o acompanhamento do Governo do Estado mapeia os 645 municípios paulistas.

Mogi das Cruzes saltou do 69º lugar para o 56º, subindo 13 posições. Mas, ainda está muito distante de Guararema. Pode se questionar a realidade desse tipo de levantamento, baseado em dados ofertados pelos próprios municípios aos pesquisadores. Mesmo assim, ele serve de parâmetro para a análise das realizações e desafios sobre a gestão ambiental.

O selo Verde e Azul é composto pela análise de 10 itens: arborização, biodiversidade, conselho ambiental, educação ambiental, gestão das águas, município sustentável, qualidade do ar, resíduos sólidos e uso do solo.

No caso específico de Mogi, foram registradas baixas em dois quesitos: tratamento de esgoto e educação ambiental. Essas informações acendem sinais de alerta sobre temas importantes para a agenda ambiental, que modera a qualidade de vida dos cidadãos e, em um aspecto muito particular, a projeção do que será a cidade no futuro.

Uma cidade com boa qualidade de ar, água e solo depende do vigor do cumprimento das leis existentes, e do entendimento do cidadão sobre o básico da vida em comum. O respeito a normas de conduta em sociedade. Ou seja, não poluir o rio, não contaminar o solo.

Há exemplos primorosos sobre os prejuízos causados pela fala de uma educação focada na proteção dos recursos naturais. Um deles, a cidade enfrenta há algum tempo: a expansão dos lixões clandestinos, um crime ambiental em evidência justamente pela falta de percepção das pessoas sobre os prejuízos causados pelo lixo jogado em lugar inadequado, como a proliferação de vetores de doenças, a contaminação do solo e da água, e etc.

O resultado do Programa Municipal Verde e Azul possibilita um outro alerta sobre o distanciamento da maioria das cidades do Alto Tietê das melhores posições. Apenas duas estão entre as 60 melhores colocadas. Após Mogi, em terceiro lugar, aparece Itaquaquecetuba, em 160º lugar.

O ideal seria que todo o bloco de cidades conseguisse avançar ao mesmo tempo nas políticas ambientais para garantir a proteção de bens de uso comum, como a água, captada das represas existentes em Mogi das Cruzes, Biritiba Mirim, Salesópolis e Suzano.

Nesse aspecto, cabe ao cidadão, se inteirar da performance individual do selo Verde e Azul para cobrar os gestores públicos (prefeito e vereadores) o que eles “não” têm feito para melhorar a qualidade ambiental das cidades.