ARTIGO

Ciência nos tempos da Covid-9

Alexandre Hilsdorf

Tempos difíceis, talvez somente inimagináveis para aqueles com mais de 100 anos que tenham nascido nos idos de 1918, quando a chamada gripe espanhola, causada também por um vírus, o da influenza A subtipo H1N1, se alastrou pelo mundo, levando à morte mais de 50 milhões de pessoas. Estamos falando de uma época na qual todas as conquistas científicas da medicina ainda estavam longe de acontecer. Vacinas, antibióticos, respiradores artificiais eram apenas conquistas imaginadas por escritores de ficção científica. Nestes cem anos muitos acontecimentos históricos colocaram a nossa civilização em uma situação de extrema fragilidade como ocorreu durante a segunda guerra mundial ou mesmo a ameaça aniquilação atômica na década de 1960.

Mesmo com todos esses percalços, avançamos muito, apesar de não parecer, vivemos melhor do que nos tempos de outrora.

Apesar de todos avanços que a ciência nos trouxe, com explicações plausíveis de fenômenos naturais e das tecnologias disponíveis, ainda presenciamos o negacionismo científico por parte de algumas pessoas que incompreensivelmente pregam o terraplanismo, divulgam campanhas contra vacinas, negam o processo evolutivo das espécies apenas para citar alguns despautérios. A Covid-19 nos escancarou outra realidade, nunca se falou tanto sobre ciência.

O público leigo na área biológica tem estado em contato diário com termos que são geralmente o linguajar de especialistas tais como RNA, PCR, IgM, IgG, hidroxicloroquina, imunização de rebanho, etc. Sabemos por jornais e telejornais que as descobertas científicas são publicadas em revistas especializadas como uma forma de garantir os resultados nelas contido. Temos consciência que as descobertas científicas são a esperança para o desenvolvimento de tratamentos e de uma vacina que façam nossas vidas voltarem a antiga rotina.

Hodiernamente, eis que percebemos a importância da ciência como uma conquista de nossa espécie para compreensão de mundo. O nosso afã no desenvolvimento econômico para o nosso bem-estar muitas vezes, em detrimento da proteção e preservação de outras espécies, cobra-nos agora um preço alto. Sabemos que a Covid-19 é causada por um dos milhares de vírus que vivem em equilíbrio em diversas outras espécies, seu salto para o Homo sapiens é a prova desse desequilíbrio. Esse vírus mostrou-nos como somos frágeis, como nossa sobrevivência neste planeta pode sim ser ameaçada, caso não acreditarmos na ciência e não protegermos nosso lar, o planeta Terra.

Alexandre Hilsdorf é professor e pesquisador do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes


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