LITERATURA

Cineasta apresenta amanhã obra de ficção baseada em viagem entre o Brasil e o Chile

o uma das cenas registradas da viagem que deu origem ao livro ‘A Fantástica Epopeia Que Não Era’, que será lançado amanhã, na Livraria Ler, em Mogi. (Foto: arquivo pessoal)
Uma das cenas registradas da viagem que deu origem ao livro ‘A Fantástica Epopeia Que Não Era’, que será lançado amanhã, na Livraria Ler, em Mogi. (Foto: arquivo pessoal)

O cineasta e ceramista Ernesto Stock lança o livro ‘A Fantástica Epopeia Que Não Era’ (Kaô Editora) neste sábado, às 17 horas, na Livraria Ler, em Mogi das Cruzes. É uma ficção. Mas a obra assenta memórias de uma viagem de bicicleta real feita pelo escritor na companhia de dois amigos na rota riscada no chão da América Latina entre os oceanos Pacífico e Atlântico, entre o Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, em 2013.

LITERATURA Ernesto Stock apresenta amanhã a obra de ficção baseada em viagem entre o Brasil e o Chile, durante evento, em Mogi, com a psicanalista Vania Bastos, que falará sobre ‘Relatos, Narrativas e Memórias’

Stock é filho da mogiana Sonia Moretti. Tinha 35 anos quando o plano era cruzar as terras no recheio dos dois mares em um mês e meio. Levou mais tempo. Três meses e meio. Os amigos eram Douglas Eduardo, de Poá, e Guilherme Hoshino, de Suzano, este último não retornou ao Brasil e mora ainda hoje na turística São Pedro de Atacama, no Chile.

Transformar o projeto em um registro documental era uma intenção de Ernesto, que manteve um site e escreveu sobre a viagem em revistas especializadas durante a rota.

O conteúdo da obra com 210 páginas, três ilustrações e nenhuma foto foi determinado por duas circunstâncias mais fortes. Uma, o sumiço de um caderno de anotações de viagem após uma queda de energia, em uma lan house. A outra, a memória.

“Eu perdi o caderno, mas tinha material fotográfico e as informações que sustentaram as matérias que fiz para revistas sobre cicloturismo e ciclismo. O registro poderia ser feito, a partir daí”, diz Stock.

Porém, com o passar do tempo, quando as ideias começaram a ser organizadas, e ele conversa com o outro viajante, Douglas, sobre determinado relato da viagem, passou a encontrar as divergências e impressões “entre o que a memória de um guardou, e o que a memória do outro trazia”. Aos poucos, então, ele decidiu escrever uma ficção amparada no que viveu, mas “sem a referência a este ou aquele personagem”, comenta.

Os personagens estão descritos, inclusive ele próprio. Porém, com a liberdade da criação permitida pela obra ficcional.

É um recorte pessoal envolvente. Em textos curtos, enxertados nos capítulos, Stock entrega um tecido de experiências, sufocos, pesares e descobertas típicas de longas jornadas, e um pouco sobre as pessoas do caminho. Também ampara o leitor com referências geográficas e históricas, além de saberes, costumes e sabores do quarteto de países latinos.

Foi um longo caminho: três mil quilômetros pedalados entre Mogi das Cruzes e o deserto do Atacama. Na volta, Stock veio de carona, sozinho, e passou pelo Peru e Bolívia.

Por dia, recupera ele, o gasto médio foi de R$ 30,00. Na maior parte das vezes, a estadia era o páteo de uma praça, a casa de algum morador ou o quintal de bases policiais ou de bombeiros. Houve uma tentativa de abrigo em uma igreja, negada pelo padre.

Os amigos Guilherme, Douglas e Ernesto, em uma das bases de bombeiros entre o Brasil e o Chile. (Foto: divulgação)

Depois da travessia entre o miolo dos oceanos, Ernesto viajou pela Ásia, Patagônia e Europa, com a mulher, Andreza Teixeira, enquanto o livro ia sendo gerado. A primeira versão teve 415 páginas.

Formado em cinema pela Universidade de São Paulo, Stock atuou durante 15 anos na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, como restaurador de clássicos do cinema nacional como Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade.

Além do cinema e a cerâmica, ele transita pela fotografia, ao lado de Andreza. Os dois são autores da exposição ‘Oriente-se’, que esteve em cartaz no Casarão do Chá, em Mogi, e percorreu quatro estações do metrô de São Paulo neste ano.

O primeiro livro foi editado pelo autor, quando os ganhos em uma editora independente se mostraram inviáveis. O segundo caminha para fincar raiz de vez na ficção. Por agora, ele cuida dos lançamentos. E idealiza um futuro destino entre a China, ou Índia ou a Transamazônica, entre a Paraíba e Amazônia.

Psicanálise

‘A Fantástica Epopeia Que Não Era’ foi lançada no Rio e em Curitiba. Na apresentação aos mogianos, neste sábado, Stock terá ao lado a psicanalista Vania Bastos, que vai discorrer sobre o tema ‘Relatos, Narrativas e Memórias’. As próximas paradas serão no Festival de Literatura da Mantiqueira, em Santo Antônio do Pinhal, e no Mountain Festival, em São Bento do Sapucaí.

Em Mogi, a Livraria Ler está instalada à rua Carmela Dutra, 295. O preço da obra: R$ 50,00.