CRIATIVO

Cineasta e publicitário mogiano disponibiliza tirinhas animadas com mensagens positivas

NO FUNDO VERDE Nas mais variadas situações, Wilson Cardoso diverte o espectador enquanto mostra que a criatividade não tem limites. (Imagens: divulgação)

Famosa por filmes como os de Charles Chaplin, a “Era do Cinema Mudo” se encerrou na década de 1930, mas seus conceitos continuam vivos ainda hoje, 90 anos depois. Exemplo disso é o canal ‘Tirinhas Animadas com Wilson Cardoso’, onde o cineasta mogiano veicula pequenas e divertidas esquetes, praticamente sem falar nada, mas passando boas mensagens, como “deixar a vida mais colorida”.

O jeito mais fácil de entender é explicando alguns dos vídeos, que são publicados diariamente, com grande influência de personagens como os Looney Tunes e Pica-Pau. Publicitário e proprietário da Cine Cântaro Produções, Wilson pode ser visto nas mais variadas situações, seja girando uma roleta imaginária para tentar ganhar um prêmio, lutando com um frango assado ou cutucando um sarcófago.

No entanto, as imagens que mais impressionam são as mais reflexivas, onde ele expulsa a negatividade que insiste em deixar a tela em preto e branco ou outra pílula em que colore todo o cenário. Tudo é muito simples, feito em casa, a partir de um chroma key, o tão conhecido fundo verde.

“Quando acordo tenho ideias para os vídeos. É um universo gigantesco, não tem fim. O que imaginar a gente faz, vai da criatividade”, conta Wilson, que embora não faça o clássico formato de tirinhas com três quadros, como as de Mauricio de Sousa, decidiu chamar o projeto assim pois começou a carreira quase com a mesma atividade, desenhando em jornais impressos, há 30 anos.

O canal do YouTube não conta com anunciantes, não tem monetização da plataforma. Mas não tem problema. O objetivo não é ganhar dinheiro com as animações. “Eu gosto muito e já tive programas de televisão, então de repente se alguma emissora comunitária se interessar, podemos colocar os vídeos entre um programa e outro”, comenta o criador, despretensioso.

Tudo começou já com este pensamento, a princípio nas redes sociais. No início da pandemia, Wilson decidiu investir em criação o tempo livre imposto pelo isolamento social, e fez vários vídeos incentivando que pessoas e empresas o contratassem enquanto publicitário, para o desenvolvimento de “propagandas criativas”. Mas a coisa não demorou a tomar corpo maior.

“Comecei postando alguns materiais e nem imaginava que colocaria um nome”, conta o publicitário que passou a se dedicar, em média, seis horas por dia para a roteirização, interpretação, animação e edição das ideias.

Em algumas das pílulas, o observador mais atento pode enxergar um quê de palhaço de circo, mas não era a intenção de Wilson. Da mesma forma, o público infantil não é necessariamente o público alvo das tirinhas. “Procuro repetir efeitos visuais e sonoros, para mostrar as possibilidades do chroma key”, diz ele, na defesa de que o material pode ser consumido por todos, e deve ser pensado como uma espécie de catálogo de ideias.

O tal fundo verde fica instalado no quintal de Wilson, a céu aberto, o que facilita a gravação, já que ele conta com a luz natural para as gravações. Ali, na própria casa, em frente a câmera, ele não tem medo de se expor. Ou seja, se por um ângulo as produções podem parecer bobas e simples demais, por outro mostram que as possibilidades e a criatividade “só aumentam”.

“Quanto mais se faz alguma coisa, mais se tem vontade de fazer”, encerra Wilson, que pretende continuar com as ‘Tirinhas Animadas’ mesmo quando a normalidade se reestabelecer, pelo menos com uma nova história a cada semana.

Um ano sem longa-metragem inédito

Além das atividades como publicitário, Wilson Cardoso tem uma missão pessoal. Ele tem o compromisso de produzir e lançar um longa-metragem independente por ano. Infelizmente, devido a pandemia do novo coronavírus, este será o primeiro ano desde que começou a fazer isso, em 2016, que não haverá um novo filme.

O primeiro é ‘Uma Simples Entrega’ (2016), que questiona se dinheiro traz felicidade; o segundo é ‘Bregas, Porém Salvos!’ (2017), que fala da exploração do mercado de shows gospel; o terceiro é ‘Muito Mais Real’ (2018), que fala de lendas sobrenaturais; e o quarto é ‘Um Jovem Mogiano’ (2019), que conta uma história de super-heróis e super-vilões na cidade.

Além serem gravados em solo mogiano, há outro detalhe muito interessante: todos estão conectados num “universo próprio de personagens que não chegam a ser os principais, mas são importantes para as histórias”, como conta Wilson. Para entender, “é preciso assistir a tudo”.

O novo capítulo da saga seria ‘O Vírus do Tempo’, com viagens temporais que, embora possam parecer pelo título, nada tem a ver com a atual pandemia. “É um dos que eu mais queria filmar, pois adoro este conceito, mas agora não podemos fazer, pois é tempo de vírus”, brinca o cineasta.

Previstas para iniciar em março último, as gravações ficaram só no papel, assim como o roteiro, que promete ser o mais complexo já feito pela Cine Cântaro. “Pensamos em maneiras de gravar, mas temos muitas pessoas no elenco com medo”, finaliza Wilson, triste por não poder realizar o sonho em 2020, mas feliz por continuar produzindo algo, as ‘Tirinhas Animadas’.


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