EDITORIAL

Cinema no Casarão

Restaurar por restaurar não livra um patrimônio do esquecimento

Enquanto se espera o cumprimento da determinação judicial sobre o futuro da gestão do Casarão do Chá, no bairro do Cocuera, a associação criada para preservar esse bem tombado como patrimônio histórico nacional e municipal cumpre o objetivo de manter o endereço na agenda cultural e turística de Mogi das Cruzes.

Notícia publicada com exclusividade por este jornal, na edição de domingo, conta que a abertura do segundo pavimento do Casarão do Chá, nos próximos meses, executa nova fase do projeto de funcionamento do espaço. A ampliação da área de uso do espaço visa atrair os frequentadores de diferentes idades e interesses. Ali, serão feitas sessões de cinema.

A novidade calibra um processo iniciado após a restauração da antiga fábrica de chá Tokyo e a entrega do espaço ao público em 2014.

Restaurar por restaurar não livra um patrimônio histórico do esquecimento e destruição. Para entender porque um lugar ganha essa reverência há um só caminho: acessar experiências e sensações semelhantes às que outras pessoas, em outros tempos, viveram nesse mesmo lugar.

Ao visitar o Casarão, a pessoa passa algumas horas dentro de um prédio construído em 1942 em condições únicas. Durante a Segunda Guerra, o casarão abrigou uma linha de produção de chá para a exportação. Famílias de agricultores do Cocuera viveram durante 30 anos da produção do cultivo do chá preto.

Cumpre esse papel, em grande medida, as exposições, os festivais de cerâmica e abertura do casarão todos os domingos ao público.

O intuito da associação e do poder público (que chancela o tombamento do patrimônio histórico nacional, mas muito pouco faz de concreto para preservá-lo) é dar visibilidade ao registro histórico da imigração japonesa no Brasil e em Mogi das Cruzes.

Ao anunciar uma nova fase do uso e ocupação do belíssimo prédio, a Associação Casarão do Chá dá mostra sobre o firme propósito de continuar protegendo esse patrimônio histórico, independentemente dos desdobramentos futuros da licitação pública que será aberta para a escolha dos responsáveis pelo imóvel.


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