ARTIGO

Cinquenta anos de amor

João Anatalino Rodrigues

Algumas pessoas nascem ou adquirem, durante suas existências, alguma deficiência. Elas têm sua origem em diversos fatores, que podem ser genéticos ou fruto de acidentes e moléstias. No entanto, sejamos nós indivíduos de reconhecidas suficiências, ou pessoas com alguma deficiência, todos temos, no conjunto da sociedade humana, o direito de sermos felizes e reconhecidos por aquilo que podemos agregar ao acervo dessa sociedade. Não será uma anomalia física ou intelectual qualquer que justificará a negação desse direito, se a própria sociedade assim não quiser, e principalmente, se ela mesma não concorrer para nos excluir. Porque nenhuma pessoa se exclui por conta própria, ou por que quer. Ela é excluída por força do comportamento de grupos, que independente do seu status social, em desenvolvimento humano ainda deixa muito a desejar.

Educar, preparar e promover a inserção de pessoas com deficiência intelectual e múltipla, e transtorno do espectro autista na sociedade é a missão das APAES. Essa tem sido a força que a impulsiona. Os resultados obtidos pela APAE de Mogi das Cruzes mostram que, seja qual for a deficiência que um ser humano trás ao nascer, ou adquire em sua história de vida, ela pode ser compensada por uma educação especial, que fará dele uma criatura útil e preparada para ser integrada à sociedade, sem que para ela se olhe com desconfiança, comiseração ou piedosa hipocrisia.

A assistência prestada às pessoas nessas condições não é esmola nem benefício especial. Nem deve ser considerada como privilégio específico, concedido à uma classe de cidadãos menos favorecidos. Ao contrário, é um direito que elas têm de serem tratadas com respeito e dignidade e um dever da sociedade em salvaguardar esse direito.

A APAE- Mogi das Cruzes, nestes cinquenta anos, tem muito do que se orgulhar. Começa pela sua trajetória. Nasceu como uma célula, pequenina, frágil, insegura, como a própria criança que ela se propunha a atender. Muita gente diria, dada suas difíceis condições de nascimento, que ela não vingaria. Parcos eram os recursos financeiros para sua manutenção, inexperientes os seus fundadores, quer na execução da missão educadora a que se propunham, quer na administração de uma ONG desse porte. Missão difícil e espinhosa, como se pode ver. Todas as dificuldades, entretanto, foram supridas pelo coração, ou seja, mais pela sensibilidade e empenho dos seus fundadores e colaboradores de primeira hora, do que pelos recursos carreados para a empreitada, ou pela sabedoria dos profissionais que se agregaram à entidade no decorrer da sua existência.

Nestes 50 anos de vida, a APAE-Mogi das Cruzes tem uma longa e bonita história de amor para contar. Uma história de superação, sucesso e comprometimento com uma causa, que nós ainda não aprendemos a administrar a contento. As pessoas que, de alguma forma participaram dessa história, provaram que, por mais egoístas que possamos ser, ainda há, no seio da nossa sociedade, uma fonte de bondade e amor, na qual sempre poderemos beber para a nossa salvação.


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