Civic Si esbanja presença em cena

Cupê esportivo da Honda, que custa R$ 124 mil, chama a atenção por onde passa com visual e desempenho invocados

No cenário automotivo brasileiro, quase todas as marcas possuem em suas linhas de veículos uma espécie de “carro- vitrine”. Geralmente esses modelos não tem o objetivo de gerar vendas expressivas. Sua principal função é se tornar “objeto do desejo”. Ou seja, atrair olhares para as vitrines das concessionárias e ajudar a vender todo o restante da linha. Entre esses modelos com função de “isca” está o Honda Civic Si. O esportivo atrai os holofotes graças à carroceria cupê – um nicho quase inexistente no cenário nacional -, que combinada a um “powertrain” poderoso, permite esbanjar toda vocação esportiva através do seu design e desempenho.

Para justificar a sigla Si, de Sports Injection, o esportivo japonês ostenta sob seu capô um propulsor aspirado de 2.4 litros capaz de render 206 cv a 7.000 rpm e 23,9 kgfm de torque disponíveis a partir de 4.400 rpm. Outro fator que reforça o aspecto esportivo fica na relação peso/ potência. Com 1.359 quilos, o Honda Civic Si possui 6,6 kg/cv, número com boa distância do considerado limite “divisor de águas” entre veículos comuns e esportivos, que é de 8 kg/cv. A força gerada pelo motor é transmitida para as rodas dianteiras através da transmissão manual de seis velocidades. O modelo ainda conta com diferencial autoblocante, que diminui a possibilidade de patinação de uma das rodas motrizes através de uma melhor distribuição da força gerada pelo motor.

Mas não é só no conjunto mecânico que o Honda Civic Si esbanja esportividade. O visual também é diferenciado. Em relação à versão tradicional, a parte frontal do veículo conta com faróis mais longos e agressivos, com desenho bem parecido, mas ganham nas extremidades tonalidade laranja. Os para-choques são mais encorpados e a grade passa a ser em estilo colméia com acabamento em preto brilhante. Com a sigla Si em vermelho no canto esquerdo. Os faróis de neblina se mantém idênticos, porém as entradas de ar ganham maiores proporções.

Na lateral, o vincos de linhas fluídas são mais marcantes e há uma brusca caída do teto a partir da terceira coluna ao melhor estilo cupê. As rodas passam a ser de 18 polegadas com desenho exclusivo e pigmentação brilhante, calçadas por pneus largos e de perfil baixo. Na traseira, os principais destaques ficam por conta do enorme aerofólio, ponteira de escape cromada, lanternas mais “parrudas” e o “brake-light” deixa de ser integrado e passa para a parte superior da tampa do porta-malas. Há difusor traseiro e a tampa do compartimento de bagagem recebe também aparece a sigla Si.

Dentro do habitáculo, a pegada esportiva continua. Os tapetes de carpete exclusivos ganham a nomenclatura em alusão à versão. Os bancos de tecido exclusivo possuem formato em concha e têm faixa central e costuras em vermelho, assim como o volante revestido em couro. O painel possui velocímetro digital e conta-giros analógico com iluminação também em vermelho. No canto direito, aparecem informações relacionadas ao computador de bordo. Do lado esquerdo, informações sobre a performance, como indicador para troca de marchas e potência extraída do motor. A tela LCD multimídia de sete polegadas incorpora funções de áudio, telefonia e Bluetooth. Há ainda teto solar elétrico. Na área da segurança, os destaques são o piloto automático, câmara de ré com três opções de visão, ar-condicionado digital, seis airbags – frontais, laterais e de cortina -, freios ABS com EBD e controle de estabilidade.

Por ocupar a função de carro vitrine, o Honda Civic Si não tem as vendas como seu ponto forte. O cupê é disponibilizado apenas em versão única e não sai das concessionárias por menos de R$ 124 mil. Desde o início de sua comercialização, em novembro do ano passado, após o Salão do Automóvel de São Paulo, o esportivo tem obtido uma média de 20 unidades emplacadas por mês. A exclusividade do modelo nas ruas do país aumenta ainda mais o interesse e a cobiça em relação ao modelo. (Raffaele Grosso/AutoPress)

O Civic Si faz o papel de carro de vitrine, ou seja, funciona como um chamariz para os outros modelos da marca. Custa R$ 124 mil em versão única. Um VW Golf GTI, bem mais potente, custa a partir de R$ 113 mil

Desempenho – O motor 2.4 litros de 206 cv e 23,9 kgfm do Honda Civic Si tem dois níveis de atuação: antes e depois dos três mil rpm. No primeiro, o carro se comporta como um veículo de passeio. No segundo, o propulsor parece “encher o peito” e ganhar fôlego, muito por conta dos 90% do torque estarem disponíveis por volta desta faixa de rotação. A partir daí, se mostra elástico e ganha velocidade de maneira rápida e empolgante. As pisadas no acelerador são muito bem interpretadas, principalmente se o condutor trabalhar com as rotações mais elevadas. A velocidade máxima é estimada em 219 km/h e o zero a 100 km/h é percorrido em 6,3 segundos. Nota 9

Estabilidade – A carroceria do Honda Civic Si é bem rígida e não demonstra rolagens. As rodas aro 18 calçadas por pneus 225/40 junto com a aerodinâmica e a estrutura – entre-eixos cinco centímetros mais curto que o sedã – reforçam ainda mais a sensação do carro estar “colado” no chão. Os controles eletrônicos estão lá, mas quase não entram em ação. Nota 9

Interatividade – A maioria dos comandos do esportivo é de fácil manuseio e acesso. O condutor pode realizar grande parte das ações sem tirar a mão do volante multifuncional, que conta com ajuste de áudio, controle de cruzeiro e telefonia. Caso seja necessário tirar a mão do volante, será para acessar a tela central multimídia de sete polegadas. Ela é bem localizada e não obriga o motorista desviar o olhar da via. O painel de instrumentos é digital e de boa leitura. Por ser um legítimo cupê, a visibilidade do vidro traseiro é limitada e o aerofólio ainda ocupa boa parte da visão. O câmbio manual de seis velocidades possui engates curtos, precisos e muitos agradáveis. Nota 8

Consumo – O Honda Civic Si é abastecido somente com gasolina. De acordo com o programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o modelo obteve 8,3 km/litro em trecho urbano e 11,6 km/litro em ambiente rodoviário. Tais marcas lhe proporcionaram nota C no geral e D em sua categoria. Nota 6

Conforto – Como um bom esportivo, a suspensão do modelo é bem dura e transmite de modo incômodo as imperfeições das vias brasileiras. Os bancos possuem boa densidade e o formato em concha “abraça” os passageiros. A posição de dirigir é facilmente encontrada devido aos ajustes do volante e assento. O isolamento acústico é bem satisfatório, e os roncos gerados pelo motor só aparecem em rotações mais elevadas. E, mesmo assim, chega a ser mais empolgante do que perturbador. Nota 7

Tecnologia – O carro não ostenta demasiados recursos tecnológicos, mas também não deixa a desejar. O modelo apresenta itens comuns de carro de passeio, como tela multimídia de sete polegadas com funções de áudio, telefonia e Bluetooth, câmara de ré com três opções de visão, arcondicionado digital e teto solar. No campo da segurança, aparecem os seis airbags, controle de estabilidade e tração e controle do diferencial. Nota 8

Habitabilidade – As portas compridas possuem bom ângulo de abertura, mas o 1,41 metro de altura do modelo exige cuidado na hora de entrar e sentar para não bater a cabeça. Passageiros dianteiros dispõem de bom espaço para pernas, joelhos e cabeça ao sentar nos bancos macios e confortáveis. Por se tratar de um cupê, o entrar e sair para ocupantes traseiros é bem desconfortável. Adultos no banco de trás dependem da boa vontade dos ocupantes dianteiros para obter um conforto razoável. O caimento do teto, característica típica de um cupê, prejudica pessoas com mais de 1,70 metros de altura. O porta-malas comporta 330 litros. Nota 7

Acabamento – A cabine do Civic Si é bem similar à da versão “comum”. As diferenças ficam por conta dos detalhes em vermelho, presente na iluminação do painel, nas costuras e no tecido dos bancos esportivos. As costuras do volante e manopla de câmbio também em vermelho reforçam a sensação de estar dentro de um esportivo. Saídas de ar, maçanetas, e molduras de botões cromados dão um ar de refinamento, assim como as pedaleiras em alumínio e a moldura da tela multimídia central em fibra de carbono. Os plásticos do painel são rígidos, mas demonstram boa qualidade e encaixes precisos. Nota 8

Design – Um dos pontos fortes do modelo. Legítimo cupê, as linhas fluídas chamam a atenção. A parte frontal do veículo composta pelo para-choque robusto, faróis alongados e agressivos e grandes entradas de ar impõe respeito e atrai os holofotes por onde passa. Na lateral, além dos vincos marcantes, as belas rodas aro 18 com pigmentação brilhante e design arrojado dominam o ambiente. Na parte traseira, o aerofólio, a ponteira de escape cromada e a lanterna com estilo mais ousado reforçam a imagem de um ligeiro esportivo. Nota 10

Custo/benefício – O Honda Civic Si é comercializado em versão única por R$ 124 mil. O Volkswagen Golf GTI equipado com motor turbinado de 2.0 litros de 220 cv e 35,7 kgfm de torque começa em R$ 112.990 e pode chegar a R$ 153.500 com todos opcionais. Nota 7

Total – O Honda Civic Si somou 79 pontos em 100 possíveis.


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