Claudete Santos da Silva Alves: Ações solidárias crescem na pandemia

Claudete Santos é voluntária do programa Família Solidária.
Claudete Santos é voluntária do programa Família Solidária.

Em tempos de pandemia, como a atual vivida em todo o mundo por conta do novo coronavírus (Covid-19) – que já infectou cerca de 2 milhões de pessoas e matou mais de 150 mil -, ações de solidariedade vêm fazendo a diferença na vida de quem precisa de auxílio, mas principalmente daqueles que ajudam. É o que conta a mogiana Claudete Santos da Silva Alves, 44 anos, formada em Farmácia e voluntária do programa Família Solidária, criado há dois anos pelo Fundo Social de Solidariedade de Mogi das Cruzes. A iniciativa, que contava 850 inscritos antes da chegada da doença à cidade, agora soma mais de mil pessoas interessadas em ajudar ao próximo. “Mogi é uma cidade solidária”, resume a moradora do Conjunto Nova Bertioga, casada com o agente dos Correios, João Arnaldo Alves, e mãe de Rafael Alves, 21. Além de atuar em eventos beneficentes durante o ano, os voluntários ajudam em várias ações. Diante do momento atual, fazem a montagem e distribuição de kits de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade, auxiliam idosos com compras em supermercados e farmácia, distribuem flores como sinal de agradecimento aos profissionais da Saúde, preparam bolos e confeccionam máscaras de proteção facial. Na entrevista, Claudete destaca a importância da solidariedade e do voluntariado neste momento:

Em momentos como a atual pandemia do novo coronavírus, qual a importância da ajuda ao próximo?
Devido à pandemia, a população tem que ficar em casa, o comércio precisou fechar as portas, pessoas que trabalham como autônomas tiveram seus serviços suspensos e as crianças ficaram fora das escolas, creches, enfim, muitos acabam passando por necessidades, sejam financeiras ou emocionais. Por isso é muito importante que as pessoas que podem ajudar de alguma maneira, mesmo que seja o mínimo, façam isso. O seu pouco pode ser muito para outras pessoas.

A solidariedade aumenta e ganha um significado diferente em tempos de crise como este que o mundo vive?

Sim, com certeza a solidariedade aumenta bastante, até porque todos nós estamos passando pela mesma situação da pandemia. Claro que alguns em melhor situação e outros não. Então, as pessoas se sensibilizam mais, acabam se solidarizando e procurando meios para ajudar a quem precisa. Isso é lindo!

O que é prioridade nesta hora para as pessoas mais necessitadas?

Hoje, a maior prioridade é a alimentação e higienização das pessoas mais carentes, já que muitos responsáveis pelo sustento da família estão sem poder trabalhar e levar o básico para dentro de casa. Há crianças que, quando estão nas escolas, têm as refeições oferecidas a elas e, agora, estão o dia todo dentro de casa. Os gastos dessas famílias aumentaram e o dinheiro não entra pra suprir as necessidades.

Como driblar o medo e a tensão de sair de casa, quando a recomendação é o isolamento social, para ajudar a quem precisa?

Tomando todos os cuidados necessários ao sair de casa, respeitando a distância entre as pessoas, evitando parar na rua para conversar e, principalmente, cuidando da higienização das mãos com frequência, de preferência saindo com máscara, e no caso de contato da mão com algumas superfícies durante o caminho, evitar levá-las ao rosto. Todo cuidado é muito importante. Geralmente, onde ocorrem os serviços sociais, há todo o preparo para nos receber, como máscaras, luvas, álcool em gel e nada de aglomerações. Me sinto segura quanto a isso.

Quando começou o seu envolvimento com o voluntariado e por qual motivo?

Bom, já tinha exemplos de solidariedade na minha casa com meu pai, que sempre tirou um tempo da vida dele para ajudar o próximo. Quando ele se aposentou, se dedicou a fazer visitas em hospitais e asilos a pessoas que não recebiam familiares, ajudava doentes nas suas casas, alimentava animais abandonados nas ruas do bairro, enfim, vi ele fazer isso com tanta dedicação, amor, nunca reclamava do cansaço, dos gastos… Era um homem muito do bem. No início de 2018, assistindo à reportagem de um almoço beneficente que iria acontece no Clube Náutico, e precisava de voluntários para ajudar, resolvi me cadastrar e participar dessa ação solidária. Aí não parei mais e estou até hoje com o maior prazer.

Qual a importância do programa Família Solidária, do Fundo Social de Solidariedade de Mogi das Cruzes?

Nossa, o trabalho da Família Solidária é excepcional, sem palavras. A dedicação que a primeira-dama, dona Karin Melo, e sua equipe têm para ajudar e trabalhar incansavelmente é muito importante. E a Família Solidária do Fundo Social, coordenada pelo Ralf Naure, com apoio da Prefeitura e seus colaboradores, já ajudou e continua ajudando muito a população mogiana mais carente, os animais abandonados, crianças em situação de maus tratos, enfim, a Família Solidária trabalha para fazer o bem!

O que mais traz realização nesta prestação de serviço voluntário?

Sou realizada fazendo parte dessa família do bem, por conhecer pessoas dispostas a fazer o bem, sem interesse, sem querer interesse em tirar vantagem. São pessoas especiais, que fazem o que fazem por amor e carinho. Quando estamos em um serviço social, me sinto no meio de uma família, me sinto acolhida, importante e feliz!

Há histórias que ficaram marcadas neste trabalho, como situações que a emocionaram ou mesmo inusitadas?

Sim, com certeza. Muitas histórias me fizeram sorrir e chorar de emoção. É inexplicável ver a felicidade de crianças entrando no circo, tão pequeninos e já agradecendo a gente por estarem ali, assim como ver as pessoas recebendo doação de roupas, quando houve aquela enchente na cidade, como se as peças fossem um tesouro. A adoção de animais no Parque Centenário também me emocionou, até porque sou apaixonada por bichos. Agora, uma história muito marcante para mim aconteceu no jantar oferecido aos idosos na Associação dos Servidores (Municipais de Mogi das Cruzes), onde uma senhora, dona Maria de Lourdes, ao receber um vaso de flores de pano e um bombom das minhas mãos, agradeceu e disse que havia a deixado muito feliz e que aquele presente talvez seria o último da vida dela, já que estava tão velha e poucos se preocupavam em agradá-la. Foi marcante!

O que o voluntariado mudou no seu dia a dia, em sua vida?

Mudou tudo, principalmente meu jeito de encarar o dia a dia e a vida, minha disposição de levantar e saber que naquele dia vou sair para fazer o bem a alguém. Sou uma pessoa ativa, gosto de estar no meio de amigos, de praticar atividade física, mas ainda sentia que faltava alguma coisa, e hoje não sinto mais. Quando há alguma atividade social que não consigo ir, já me sinto entristecida. Esse trabalho social faz parte da minha vida.

O que é preciso para ser um bom voluntário e cumprir este papel?

É muito simples. Basta ser voluntário de coração, ter prazer em ajudar, fazer com amor, ter comprometimento e se colocar no lugar de quem você está ajudando. Isso faz a diferença.

Mogi é uma cidade em que as pessoas são solidárias? Por quê?

Sim, aqui as pessoas são acolhedoras e unidas. Quando se trata em ajudar o próximo, muitos ajudam fazendo doações. Agora, nesta situação da pandemia, percebemos mais ainda, vendo o quanto de doações que chegam diariamente nos postos de recolhimento. Claro que precisamos ainda mais e vamos conseguir. Quando o programa Tampinha Solidária foi implantado na cidade, as pessoas se solidarizaram em juntá-las para ajudar na compra de rações para cachorros e gatos. Foram toneladas de tampinhas arrecadadas. É isso, Mogi das Cruzes é uma cidade de pessoas solidárias.

O que pode ser feito para atrair ainda mais pessoas a este trabalho solidário?

Bom, já são feitas tantas coisas para divulgar a importância do trabalho social, como reportagem nos jornais, redes sociais, televisão, enfim, sinceramente não sei dizer o que mais precisa ser feito. Talvez, eventos com a Família Solidária, como palestras e reuniões. O que posso dizer é que vale a pena fazer parte desse trabalho, faz bem para a gente, é satisfatório e maravilhoso.


Deixe seu comentário