Colapso anunciado

O engenheiro João Octaviano Machado Neto faz hoje a primeira visita oficial a Mogi das Cruzes como secretário estadual de Transportes e Logística. É o momento apropriado para falar dos planos do Governo do Estado para a Rodovia Mogi-Bertioga.

Durante 24 horas a estrada, que apresenta claros sinais de saturação por causa das condições instáveis de suas encostas, serviu ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) como alternativa para o tráfego dos veículos entre o litoral e as regiões do Vale do Paraíba e Metropolitana de São Paulo. A Rodovia dos Tamoios foi fechada, por causa das chuvas e os riscos de quedas de barreiras.

Estratégica para a logística de escoamento do tráfego, a estrada não recebe a atenção necessária. Desde o verão passado, após os deslizamentos de toneladas de pedras e terra, foram feitas apenas obras emergenciais. Não se sabe quais as condições reais dessas encostas, entrecortadas por nascentes, e nem quais os riscos de mais pedras rolarem serra abaixo em dias de fortes temporais. A Mogi-Bertioga é uma espécie de bomba-relógio: após 37 anos de uso intenso, desacompanhado dos estudos necessários para conter as quedas de barreiras e das necessárias medidas de conservação e manutenção de encostas. Enquanto isso não acontece, preocupa-nos a situação da Mogi-Bertioga, que recebe cada vez mais usuários, e está no radar do DER como opção de acesso ao litoral, quando a Rodovia dos Tamoios fecha.

Esse caminho teve o perfil de uso de final de semana transformado pelo crescimento econômico, turístico e populacional. Para ficar no exemplo de Bertioga, o número de habitantes praticamente quintuplicou, entre 1991 e 2017, passando de 12 mil para cerca de 59 mil.

O governador João Doria acena, desde a campanha eleitoral, com a privatização da estrada, uma opção que vinha sendo estudada pelo Governo do Estado na gestão passada. Pode ser uma solução. Mas, o que interessa mesmo é saber do secretário João Octaviano o que será feito agora e não no futuro.

Como afirmou o jornalista Darwin Valente, em nossa edição de ontem, a Secretaria de Transportes e Logística e o DER precisam fazer algo para evitar o pior, afinal, “anjos também tiram férias”. Há semelhança entre o que está acontecendo na MogiBertioga e com outras obras públicas e privadas brasileiras, como pontes e barragens. Ali, como em Brumadinho e Mariana, ou em pontes prestes a ruir, os riscos são anunciados e autoridades e órgãos fiscalizadores têm ciência disso.