PONTO ESTRATÉGICO

Com 21 empresas, polo industrial da Vila São Francisco mantém força no mercado

ATRAÇÃO Avenida das Orquídeas e acesso à Mogi-Dutra são diferenciais da Vila São Francisco. (Foto: arquivo)
ATRAÇÃO Avenida das Orquídeas e acesso à Mogi-Dutra são diferenciais da Vila São Francisco. (Foto: arquivo)

A antiga Mineração Geral do Brasil, que há 25 anos se transformaria em Companhia Siderúrgica de Mogi das Cruzes (Cosim), foi responsável pela construção das moradias e crescimento da região que se chamaria Vila Industrial, na década de 1940. Mas foi a partir da década de 1980, no governo do antigo prefeito Antônio Carlos Machado Teixeira, que o local passou a se transformar em um distrito industrial que hoje figura com o maior da cidade, com cerca de 64 empresas, 80% delas industriais, responsáveis por empregar 3,7 mil pessoas.

Ao lado dos distritos do Taboão e do Núcleo Industrial Aucides Celestino, em César de Souza, a Vila São Francisco é um ponto de atração de negócios e investidores destacado pela localização e a facilidade de acesso por vias como a Perimetral e a avenida das Orquídeas.

O primeiro vice-diretor da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Renato Torquato Rissoni, acompanhou este processo de evolução da Vila São Francisco. Ele lembra que a partir da década de 1980, parte da área utilizada pela siderurgia, que décadas anteriores era uma das primeiras do país, perdeu força, foi para as mãos da prefeitura e outra parte a própria Cosim vendeu a terceiros. Mas um detalhe foi o ponto chave para a área se tornar atrativa para as indústrias: o licenciamento ambiental.

“Aquela região ali, por conta dessa situação industrial, foi considerada uma área predominantemente industrial, já com o licenciamento ambiental. Era uma época em que ainda nem se pensava em Avenida das Orquídeas, o rodoanel na chegada a Suzano. Era verdadeiramente o licenciamento ambiental, que inclusive foi o primeiro na cidade, que interessava às empresas. Então começam a vir as grandes empresas, a exemplo da Rinnai, que no passado era a NGK”, relembra.

Há duas décadas, outro incentivador da ocupação daquela área, relembra Rissoni, foi o ex-prefeito Junji Abe. Que também ofereceu incentivos para as empresas, e novamente a Vila Industrial ganha um boom de grandes nomes, como a Nutrella, Tubo Peças, MN Propólis, entre outras.

“Era um momento em que César também estava crescendo e tinha tudo para ser um polo industrial tão grande quanto a Vila São Francisco, mas a questão ambiental freou a chegada de algumas empresas e, inclusive, algumas tiveram de deixar o local. A Vila São Francisco também se fortalece pela questão logística não só para o escoamento da carga, mas também do fácil acesso de funcionários, por estar entre duas estações de trem e próxima do centro da cidade”, pontua.

O secretário municipal de Desenvolvimento Social e Econômico, Clodoaldo de Moraes, conta que ao apresentar a cidade para os investidores, vários pontos são destacados no geral, como o desempenho nos setores de educação, saúde e segurança, a questão logística e também as possibilidades de instalação. Ele avalia que, apesar de poucas áreas disponíveis para novas empresas, a Vila São Francisco se mostra hoje como a mais completa frente às demais, sobretudo pela questão logística.

“A avenida das Orquídeas transforma a Vila São Francisco em um grande parque industrial com diversas possibilidades de escoamento de carga. A empresa pode optar pela rodovia Mogi-Dutra, que está de fácil acesso e leva às principais rodovias do estado, ao Rodoanel, em Suzano, que é opção para o Porto de Santos, sem falar na rodovia Mogi-Bertioga”, pontuou.

Recentemente, por conta das obras do Corredor Leste-Oeste, a avenida Cavalheiro Nami Jafet, porta de entrada da vila, foi totalmente revitalizada, com novo asfalto e sinalização. O mais novo empreendimento a se instalar no endereço é o Centro de Distribuição da rede de supermercados Shibata, grupo que atua no local há década com uma de suas mais tradicionais lojas.

César e Taboão são pontos estratégicos

Em sua mais recente visita a Mogi das Cruzes, a secretária de estado de Desenvolvimento Social e Econômico, Patrícia Ellen da Silva, divulgou que o município está no radar das cidades para novos investimentos listado pelo Governo de São Paulo. Isso porque, segundo a titular da pasta, a cidade está em sete dos dez fóruns da economia estadual. Além da Vila São Francisco, há outros dois polos indústrias com poder de atratividades na cidade para acolher novos investimentos. Em César de Souza, o Núcleo Industrial Alcides Celestino é opção para o pequeno e médio negócio. Já quem quer investir grande, a opção é o Distrito Industrial do Taboão, onde há uma grande oferta de terrenos desocupados, mas ainda carece de melhoria na infra-estrutura.

A localização logisticamente privilegiada, às margens da rodovia Mogi-Dutra e à espera do acesso à rodovia Ayrton Senna, o distrito do Taboão tem em média 45 indústrias, que representam 15% da área ocupada, e emprega cerca de 2,5 mil funcionários.

Já o Alcides Celestino, é responsável por cerca de 700 vínculos empregatícios na cidade e tem seis áreas em processo de reversão para a prefeitura. Isso porque, no passado, os terrenos foram doados pela prefeitura às empresas que, em contrapartida, deveriam gerar emprego e renda. No entanto, nem todas conseguiram cumprir o compromisso.

Agora, a cidade vive a expectativa de que um desses polos receba a gigante em fabricação de tratores: a Mahindra. A indústria indiana deverá bater o martelo em fevereiro do próximo ano, a confirmar uma planta em Mogi.

Polo tem um variado quadro de empresas

A diversidade é uma das marcas do conglomerado de empresas instaladas na Vila São Francisco, que se prepara para ver uma de suas mais potentes áreas, onde funcionou no passado a Cosim, e algum tempo depois, a Mogi Tubos, novamente gerando empregos e impostos. O grupo Shibata está concluindo a construção de um Centro de Distrituição em uma área de 132 mil metros quadrados, adquirida em 2016 em um leilão realizado pela Justiça para o pagamento de dívidas trabalhistas a ex-funcionários da Mogi Tubos.

A região abriga conhecidos grupos empresariais brasileiros, como a Placo do Brasil, inaugurada em 1995, e destaque na venda de soluções em drywall, produto que movimenta o nicho de construção a seco em soluções para paredes, forros e revestimentos internos.

Entre as mais antigas neste bairro industrial está a Air Products, instalada ali em 1976, e fabricante de gases industriais (oxigênio, nitrogênio, e outros). Ela mantém cerca de 190 empregos diretos e recentemente foi ampliada graças a um aporte de investimentos na ordem de R$ 110 milhões.

Outras unidades conhecidas são a Freskito, Rinnai, Tecnocurvas e a fabricante dos pães Nutrella (veja algumas das empresas instaladas no complexo industrial).

EMPRESAS NA VILA SÃO FRANCISCO
Albea do Brasil
Alho Oishii
Dubel Industria
Embalatec
Engesig
Multi perfil Papéis
MN Própolis
NRA Equipamentos
Prada S/A
Rinnai
Imerys
Placo do Brasil
Slotter
Tecnocurvas
Weber Quartzolit
Grupo Shibata
Air Products
Bimbo do Brasil
Carbinox
De Carlo Usinagem
Freskito Produtos Alimentícios
Fonte: Prefeitura de Mogi


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