MERCADO

Com movimento cada vez maior nas ruas, quarentena em Mogi fica no passado

(Foto: Eisner Soares)

MUDANÇA RADICAL Imagens do mesmo trecho da rua Flaviano de Mello, na área central, feitas na semana do dia 24 de março e na tarde de ontem, com a quarentena em vigor

A cidade de Mogi das Cruzes cumpre, teoricamente, a quarentena decretada pelo Governo do Estado para conter o avanço da Covid-19. O município não conseguiu a reclassificação para flexibilizar a atividade econômica. Uma volta pela área central da cidade, porém, é capaz de confundir qualquer pessoa, afinal, há um vaivém quase normal, com lojas abertas e filas para compras. E as áreas de estacionamento controlado lotadas de carros.

Durante a vigência da quarentena, apenas estabelecimentos de serviços essenciais e produtos alimentícios, como farmácias e supermercados, podem funcionar, além de algumas variações como pet shops, lojas de materiais de construção e restaurantes em sistema delivery. Mas não é bem isso que ocorre na prática.

O cenário que se apresenta na cidade em nada lembra os primeiros dias do período de isolamento iniciado em 24 de março último. Naquela semana, a reportagem foi às ruas da área central de Mogi das Cruzes todos os dias e percorreu ruas silenciosas, desertas, sem pedestres e sem carros. Passados 70 dias, tudo mudou.

DOIS TEMPOS Comparação das imagens da rua Dr. Paulo Frontin em março e ontem, quando centenas de pessoas estavam na via comercial

A reabertura do tradicional Mercado Municipal foi o gatilho para atiçar os consumidores e os próprios comerciantes. Aos poucos, outros estabelecimentos no entorno foram se ‘flexibilizando’ sob o pretexto de ‘receber carnês’, em tempos de cartão de crédito, ou divulgar os contatos aos clientes. Alguns endereços são bem concorridos, como o próprio centro de compras.

A aglomeração, que contribui para o alastramento da doença, não tem sido compreendida pela maioria das pessoas decididas a desafiar o vírus nas ruas da cidade. O fato de usar a máscara não é garantia de imunidade à doença. Há iniciativa por parte de estabelecimentos em estimular a manutenção da distância mínima, com sinalização de solo, mas nem todos sequer percebem o ‘novo’ sistema de atendimento.

As filas estão de volta, já que cada um deve esperar a sua vez de ser atendido em bancos, lotéricas, Correios, Mercado Municipal e até em lojas populares, como as de R$ 1,99. Como os mogianos vão se adaptar às novas regras que virão no pós-quarentena ainda é uma incógnita. Por enquanto vale lembrar que a cidade cumpre quarentena, pelo menos até o próximo dia 15.

Fiscalização autuou 900 estabelecimentos

Natan Lira

A notícia sobre uma possível flexibilização do isolamento social no Alto Tietê, há duas semanas, tem levado mais pessoas às ruas da cidade. A média semanal de isolamento social nos dias úteis caiu de 51,5% para 47% desde então. Além disso, comerciantes passaram a tentar abrir as portas para atender à população. Essas mudanças foram percebidas pelo Departamento de Fiscalização de Posturas e a Guarda Municipal de Mogi das Cruzes, que já haviam autuado mais de 900 estabelecimentos até ontem, por desrespeito às determinações em saúde.

Basta andar pelas ruas da cidade, seja na região central ou mesmo nos bairros mais periféricos – o secretário municipal de Segurança, Paulo Roberto Madureira Sales, aponta essa segunda região como mais caótica – para verificar que muitas pessoas andam sem máscaras e lojistas desrespeitam a legislação, como se estivessem enganando autoridades, mas sem lembrar que o vírus é invisível aos olhos.

A última grande ação foi em uma adega no distrito de Braz Cubas, autuada na madrugada de ontem em cerca de R$ 18 mil por desrespeitar a regra de vender até a meia-noite, e ainda promover uma festa funk com 30 pessoas no interior e na parte de fora, sem o uso de máscaras.

“Nós percebemos além do aumento de flagrantes, o número de denúncias que aumentou muito nos últimos dias. Apesar de a cidade cumprir os requisitos para ir para a faixa laranja, o Governo do Estado manteve no vermelho, então o nosso dever é autuar”, pontua Sales.

O secretário esclarece que a prefeitura permitiu que os comércios funcionassem em delivery ou recebessem carnês de pagamento, na porta, a fim de evitar aglomerações em agências bancárias, mas que qualquer atividade diferente disso é ilegal. Pelo Centro, é possível ver lojas abertas e clientes comprando no local, como em comércios de armarinhos, que não estão na lista de essenciais.

De acordo com Sales, mesmo muitas pessoas sabendo dos riscos da doença, ainda é realizado o trabalho de conscientização.


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