EDITORIAL

Combate à enchente

As medidas adotadas pela Prefeitura para minimizar os prejuízos de moradores atingidos pela enchente em regiões como o Jardim Oropó e Jundiapeba são uma resposta a quem vive a pior parte do drama causados pela urbanização mal planejada e o adensamento das cidades, sem os instrumentos corretos para garantir a qualidade de vida a todos os seus moradores.

As famílias desalojadas pelas fortes chuvas e a liberação da água das represas do Sistema Produtor Alto Tietê serão beneficiadas com a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e a tarifa zero na conta de água, pelos próximos 30 dias, tempo estimado para que a situação se regularize com a volta das 58 pessoas que estão vivendo em abrigos municipais desde o início desta semana. Quando retomarem a rotina, essas pessoas vão gastar mais água poreque terão de lavar os móveis atingidos, roupas, enfim.

Os estragos deixados pelas chuvas servem de alerta. Os danos foram grandes e por isso o prefeito Marcus Melo (PSDB) decretou o estado de calamidade pública no início desta semana.

O momento agora exige mesmo a oferta deste e de outros tipos de auxílio a quem se viu na trama de uma situação que expõe a ineficácia do estado, e aqui estão incluídas as três esferas de governo, em combater as enchentes.

Há mais de uma década, Mogi das Cruzes não enfrentava esse problema porque o volume de chuvas foi menor. E, ao primeiro sinal de mudança no regime pluviométrico, a falta de intervenções como a limpeza de rios e a adoção de mecanismos mais eficientes para o escoamento da água provocaram esse pesadelo na vida de quem reside em regiões ribeirinhas.

Com as isenções, o governo municipal dá uma resposta pontual e rápida para a situação gravíssima enfrentada por famílias inteiras que tiveram de deixar suas casas. Mas, terá de fazer mais para combater a causa desses alagamentos e melhorar a atenção dada a uma parcela considerável de bairros que estão sujeitos a eles. Isso passa pela cobrança de respostas técnicas sobre o que será feito, no futuro, no manejo do armazenamento de água dessas barragens. Bastou chover para todos saberem que o esgotamento da capacidade das represas pode prejudicar – e muito, Mogi das Cruzes e Suzano. Outra coisa, as enchentes mostram a necessidade de se limitar as construções em regiões ribeirinhas – lembrando, sempre, que as pessoas não escolhem viver ao lado de um rio que transborda. Elas moram ali por falta de uma melhor opção.