Combate à gripe

O secretário estadual de Saúde, Davi Uip, busca tranquilizar a população ao afirmar que a “gripe fora de hora”, responsável pela morte de 59 pessoas no Estado neste ano, mantém em alerta as autoridades médicas, mas não deve ser motivo de pânico entre a população. Vida normal, recomenda ele, em um artigo publicado ontem por este jornal. Autoridade no assunto, Davi Uip é médico infectologista e vem a público prestar contas sobre as ações do Governo do Estado, como a antecipação da campanha de vacinação, e os estudos em curso, que buscam entender o ciclo de vida do vírus H1N1, que derruba a resistência de pacientes mais vulneráveis, idosos, crianças, a ponto de provocar a morte de alguns infectados.O combate a esse vírus, agora, difere do que ocorreu em 2009, quando houve uma pandemia no mundo, sem a existência da vacina que começou a ser aplicada nesta semana, em parte da população, na rede pública. Naquele ano, 641 paulistas morreram.
O secretário faz uma pontual advertência à classe médica e dos trabalhadores da área da Saúde porque o vírus tem potência letal. Não é hora de difundir o desespero, mas de manter a cautela e, sobretudo a prevenção, diante dos sintomas de uma gripe que pode evoluir para um quadro irreversível, em alguns casos. Além da procura do serviço médico, os cuidados para prevenir a proliferação do vírus, como lavar adequadamente as mãos, são fundamentais para inibir e combater a doença.
Na Saúde, o tempo costuma ser fator determinante para a cura. E o que complica o cenário dessa gripe, que ocorre ao mesmo tempo de alerta por causa da gravidade das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, dengue, zika vírus e etc., é a desestrutura e o descontentamento das pessoas com os serviços públicos e particulares. No caso de Mogi das Cruzes e em todas as demais cidades do Estado, a demora dos resultados das análises encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz torna esse assunto preocupante. As pessoas passam a desconfiar dos resultados da vigilância epidemiológica. Isso desestabiliza as equipes médicas e os pacientes: ambos querem e precisam saber, com toda razão, se estão enfrentando essa ou aquela virose ou doença.
O pânico e a desordem são prejudiciais em qualquer situação que envolva a coletividade. A fala do secretário, nesse aspecto, merece respaldo porque se trata da principal autoridade do Estado nesse setor. Porém, o desgaste na relação entre o cidadão e o poder público, na área da Saúde, reflete uma desconfiança que tem raízes bem mais complexas e antigas, e que vêm à tona justamente nos momentos de crise.


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