EDITORIAL

Combate a invasões

As ações ocorrem quando surgem notícias de que milícias estariam por trás de invasões na Capital”

É preocupante saber que a cada dia, em Mogi das Cruzes, até quatro tentativas de invasões de terrenos para construções clandestinas de casas são impedidas pela Guarda Municipal. Igualmente impressionantes são os números relacionados às ações de pessoas isoladas ou movimentos organizadores que foram bloqueados antes que tais ocupações – totalmente ilegais, vale lembrar – fossem concretizadas na cidade e contribuíssem para o total desordenamento da utilização dos espaços urbanos do município. Segundo o secretário municipal de Segurança Pública, Paulo Roberto Madureira Sales, de outubro de 2007 até agosto passado, foram demolidos 214 barracos de madeira, 132 de alvenaria e retirados 215 mil metros lineares de cercas de arame, utilizadas para demarcar terras invadidas na calada da noite ou durante os finais de semana, quando se supõe, seja mais fácil a escolha e início de atividades nos lotes invadidos.

Ao se antecipar a ações desse tipo, antes que as construções sejam erguidas, a Guarda Municipal tem colaborado também para impedir outro problema, tão grave quanto às ocupações ilegais, o desmatamento de áreas que costuma preceder o início das obras improvisadas, que vão ganhando corpo e cada dia mais espaço, à medida for passando e nada aconteça aos ocupantes, a grande maioria deles, vindos de outras cidades, inclusive da própria Capital e municípios próximos. Para o secretário Sales, pelo menos uma parte dos 11 hectares de Mata Atlântica que Mogi perdeu no último ano, foi resultado de invasões. “Na semana passada, pegamos duas retroescavadeiras atuando na região de Taiaçupeba, um dos pontos mais visados pelos invasores, junto com as áreas do Jardim Santos Dumont, Jardim Aeroporto, Rio Acima, Jundiapeba, Rodeio, César de Souza e Taboão.

As ações da Secretaria Municipal de Segurança Pública no combate às ocupações ilegais acontecem num momento em que as autoridades da Capital registram um fato extremamente preocupante: o surgimento de milícias que, a exemplo do Rio de Janeiro, vêm incentivando tais invasões para que possam ter o monopólio no fornecimento de gás, água em galões, tevê a cabo, internet, além de segurança às famílias. Mesmo que o sistema de Segurança Pública paulista seja muito superior ao do Rio, é certo que o crime organizado também busca, a seu modo, estender cada vez mais os seus tentáculos para pontos onde sua presença não é tão forte.

A intensidade com que os grupos de invasores têm agido em Mogi pode ser um sinal de que a cidade tenha se transformado em alvo dessa marginalidade. Por isso, os cuidados precisam ser redobrados para se evitar um mal ainda maior.

Deixe seu comentário