EDITORIAL

Combate aos lixões

O aumento dos flagrantes nos lixões mostra a importância de se manter esse tipo de fiscalização

O que dizer quando um funcionário de uma empresa, com autorização de seus superiores ou não, despeja lixo em um terreno baldio? Não é por desconhecimento. É por falta de valores e pela confiança na impunidade que essa prática passou a ser mais flagrada pela Delegacia de Investigação de Infrações contra o Meio Ambiente de Mogi das Cruzes. Há empresas e pessoas da área de construção civil contribuindo para a expansão de um problema não apenas individual, mas planetário.

O lixo urbano depositado em pontos viciados é um dos responsáveis pela redução da cobertura vegetal nas cidades, contaminação do solo, das nascentes e do lençol freático, e a degradação do meio ambiente. Esses e outros fatores são os causadores da catástrofe climática sentida pelo relógio biológico de todos nós neste inverno. Numa mesma semana, a temperatura alcança 30 graus e rapidamente despensa para os 8 graus (como a meteorologia, aliás, prevê para hoje).

Dirão alguns: mas é exagero da ciência, é apenas uma pessoa jogando lixo no terreno do vizinho. Não é assim. Se não for detido, o aquecimento global vai mudar as condições de vida na terra.

Apenas em Mogi das Cruzes, mapeados oficialmente, há dezenas de pontos viciados de descarte irregular. Além disso, basta afinar o olhar para encontrar os muitos lugares que passaram a receber pequenas e grandes montanhas de restos da construção civil e da produção de detritos industriais nos últimos anos.

Em nossa edição de ontem, este jornal publicou uma fotografia de uma caminhonete de uma empresa de Suzano no momento em que funcionários despejavam lixo em um terreno vazio e foram descobertos por policiais da equipe do delegado Francisco Del Poente. A mensagem é de um atrevimento sem medida. Tanto que as pessoas usam um carro que identifica os proprietários.

Além do investimento em conscientização, a força das medidas administrativas, fiscalizações com a imposição de multas e outras penas pode auxiliar no combate aos crimes ambientais.

Em abril, houve um caso que reforça essa ideia. Em Mogi das Cruzes, um homem foi descoberto duas vezes jogando detritos em um lixão clandestino, em um espaço de uma semana. Ele se fiou na impunidade, na ausência do estado. Assim agem os maus empresários.

O aumento dos flagrantes nos lixões mostra a importância de se manter esse tipo de fiscalização. Tomara que esse fôlego prospere na Delegacia do Meio Ambiente e contamine outros setores públicos que muito mais podem fazer para controlar o que deprecia a vida nas cidades e o meio ambiente.


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