EDITORIAL

Combinado está

A Operação Verão reúne as estratégias planejadas para o período de fortes chuvas para minimizar impactos e prejuízos provocados na vida de moradores de áreas vizinhas a rios e barragens.

Na apresentação do plano 2019/2020, anteontem, a Prefeitura destacou a inclusão da Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo) e do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgãos estaduais responsáveis pelo monitoramento do nível da água das cinco barragens do Sistema Alto Tietê.

No início deste ano, estivessem essas organizações realmente alinhadas à Prefeitura de Mogi das Cruzes e ao bem-estar do cidadão, a cidade não teria sido surpreendida pelas operações de controle do armazenamento de água nas barragens sem preparar a população para o que estava por vir.

Muito provavelmente prejuízos ficariam mesmo na conta dos agricultores que perderam plantações e dias de trabalho e pelos cerca de dois mil moradores que tiveram as casas e quintais alagados. Mas haveria tempo de se acionar algum plano de emergência para avisá-los e conter, de alguma maneira, os danos materiais desses grupos de risco.

Quem mora ao lado de barragens, em períodos de fortes precipitações, está sujeito ao pior. Quando o nível excede à capacidade máxima dos reservatórios, a liberação da água é inevitável.

Neste ano, o risco de isso ocorrer é grande porque o volume do Sistema Alto Tietê está alto. No início de 2019, o prefeito Marcus Melo reagiu com fortes críticas ao descaso demonstrado pelas equipes técnicas da Sabesp e do DAEE com a cidade.

Recebeu em troca, a promessa de um diálogo mais rápido e transparente sobre o assunto no próximo verão, que começa em semanas. Combinado, isso está. Resta saber se esse acordo vai mesmo sair do campo das promessas.

Mesmo com o controle das áreas de risco de deslizamentos de terra, muitos pontos de Mogi das Cruzes podem sofrer com os alagamentos e enchentes. Por isso, a Operação Verão é uma necessidade.

Os últimos verões registram uma marca violenta para o Estado de São Paulo: mais pessoas estão morrendo em transbordamentos de rios e córregos. Erra quem responsabiliza São Pedro pelas chuvas. As cidades crescem sem planejamento e sistemas de drenagem adequados.

Sabesp e DAEE têm responsabilidade pontual no que diz respeito ao manejo das barragens. Mas há outros co-autores dessas tragédias pessoais provocadas, por exemplo, por quem suja e não limpa os rios. Há outros co-responsáveis por esse quadro, mas quem paga a conta, no mais das vezes, é quem chora a perda de familiares ou perde tudo quando tem a casa alagada.


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