Comissão especial avança com processo de Dilma

Dilma tem dificuldade em conseguir apoiadores. (Antônio Cruz/ABR)
Dilma tem dificuldade em conseguir apoiadores. (Antônio Cruz/ABR)

A comissão especial do impeachment aprovou nesta quinta-feira (4) o relatório final do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável à saída definitiva do cargo da presidente afastada, Dilma Rousseff. Foram 14 votos a favor e apenas 5 contrários.

Agora, o governo interino de Michel Temer planeja conseguir, já na próxima semana, os votos necessários no plenário do Senado para sinalizar que já tem maioria para o julgamento final, possivelmente no final de agosto.

Na terça-feira, o relatório de Anastasia será analisado pelo plenário do Senado, em uma votação prévia, chamada de “pronúncia do réu”. Nesta etapa, os parlamentares decidem se a presidente se torna ré de fato.

A equipe de Temer quer obter mais de 54 votos nesta votação, o mínimo necessário para o Senado afastar definitivamente a petista e garantir a posse efetiva de Temer. Tecnicamente, o relatório pode ser aprovado na terça por maioria simples, ou seja, por 41 dos 81 senadores.

Depois dessa votação prévia, que pode terminar apenas no dia seguinte, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, marcará a data para o julgamento final no Senado. A expectativa é que ele comece em 25 ou 26 de agosto e dure cerca de cinco dias.

Segundo assessores presidenciais, o Planalto já contabiliza hoje de 58 votos a 61 pelo impeachment. Um interlocutor de Temer disse que, se já na pronúncia do réu o governo conseguir entre 55 e 58 votos, ficará claro que não há chance de Dilma voltar.

Temer deseja que o julgamento final termine ainda em agosto para viajar à China, onde participará da reunião do G-20 (grupo das maiores economias do mundo), já como presidente efetivo.

Na primeira votação no Senado, quando foi aprovado o início da tramitação do processo, 55 senadores votaram a favor e 22, contra. Dilma tem encontrado dificuldades de ampliar o grupo que a apoia.

Ela contava, por exemplo, com Cristovam Buarque (PPS-DF), mas ele sinalizou que deve votar a favor do impeachment. A petista tentava ainda garantir o voto do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que foi seu ministro e não compareceu à primeira votação. Porém ele não deve votar contra seu partido.

A sessão desta quinta-feira (4), que durou quase três horas, foi marcada por discussões e discursos inflamados. As falas foram majoritariamente pela sua saída definitiva sob argumentos de que, por uma irresponsabilidade administrativa, ela levou o país a uma crise econômica grave.

Ricardo Ferraço (PSDB-ES) afirmou que os senadores terão de escolher entre dois cenários: “A perspectiva e a possibilidade de virarmos essa página” ou “a volta ao passado, a manutenção daquilo que há de mais primitivo, sobretudo no patrimonialismo e na apropriação do Estado”.

Já Lindbergh Farias (PT-RJ) voltou a falar em golpe. “Não é necessário ter tanques nas ruas. Esse é um golpe frio. Os senadores que votaram pelo impeachment ficarão na História como golpistas.”


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