EDP

Como a energia é levada às casas de Mogi das Cruzes

Distribuidora que atua em 28 municípios mostra o processo de transformação para abastecer 165 mil unidades em Mogi. Marcio Jardim, o gestor executivo de Operação da EDP, explicou o processo realizado na ETD de Braz Cubas. (Foto: Eisner Soares)

Em todo o estado de São Paulo, a EDP atua como distribuidora de energia em 28 municípios. Somente em Mogi das Cruzes, são 165 mil unidades consumidoras. Para que tantas pessoas sejam atendidas, os processos são diversos, mas munidos de muita tecnologia e dos serviços de 452 colaboradores, a fim de minimizar os problemas na rede, como a falta de abastecimento. Ainda assim eles acontecem, principalmente em dias de muito vento ou chuvas.

Hoje, os trabalhos da empresa dependem de seis Estações de Transformação da Distribuição (ETD), sendo elas a de César de Souza, Jardim Aracy / Taboão, Centro, duas em Biritiba Ussú e a de Braz Cubas. A reportagem de O Diário esteve nesta última, onde o gestor executivo de Operação da EDP, Marcio Jardim, explicou todo o processo realizado por ali. Depois, ainda falou sobre a atuação dos trabalhadores em campo e o funcionamento do Centro de Operação Integrado, em César.

Ao adentrar a subestação, os cabos passam por dois grandes disjuntores de entrada. Esta caixa é composta por muros altos que abrigam dois transformadores responsáveis por fazer o rebaixamento de tensão. Foto: Eisner Soares)

A Estação de Transformação da Distribuição (ETD) de Braz Cubas, está “pendurada” na linha de transmissão Itapeti-Suzano, que vem do sistema interligado, que remete à geração hídrica, fotovoltaica ou eólica. É ela quem leva para a unidade que abastece o Distrito os 88 mil volts que chegam por ali. Ao adentrar a subestação, os cabos passam por dois grandes disjuntores de entrada.

“É como se fosse em uma residência que você tem aquele quadro de distribuição. Então você tem um disjuntor geral, que se você desligar apaga toda a casa, e depois tem os disjuntores menores, que vão para o quarto, banheiro, cozinha. Aqui funciona desta mesma forma, está chegando aqui entrando naquele disjuntor grande e é encaminhado para essa caixa de cimento”, explicou Marcio Jardim.

Esta caixa é composta por muros altos que abrigam dois transformadores responsáveis por fazer o rebaixamento de tensão. A energia que chegava por ali em 88 mil volts passa a ter 13,8 mil. O enclausuramento dos equipamentos tem duas finalidades: minimizar os ruídos que ele emite durante o funcionamento e aumentar a segurança do local.

“O transformador tem um óleo isolante dentro dele. A subestação é projetada pensando em vários fatores de segurança e meio ambiente. Além das paredes corta-fogo, existe um sistema de contenção do óleo. Se explodir um equipamento desse ou qualquer outro, para evitar que o óleo seja derramado e caia nas galerias de água pluvial, existe uma caixa para onde essa substância é levada e onde podem ser contido mais de 20 mil litros de óleo. Isso para não correr o risco de contaminação ou de pegar fogo”, disse Willian de Souza Braz, engenheiro responsável pela manutenção das ETDs do Alto Tietê.

Subestação funciona monitorada a distância

A energia é levada por cabeamento subterrâneo para outros 15 disjuntores menores. (Foto: Eisner Soares)

Saindo dos transformadores, a energia é levada por cabeamento subterrâneo para outros 15 disjuntores menores, ainda dentro da Estação de Transformação da Distribuição (ETD) de Braz Cubas. Cada um desses equipamentos protege um trecho da rede de distribuição aérea, o que representa cerca de 5 mil clientes por circuito. Esse mecanismo está ligado a um sistema de proteção para toda a rede.

“Se houver um abarroamento de poste, por exemplo, o circuito que alimenta um disjuntor em específico identifica o curto e a proteção vai ser sensibilizada. Dependendo da ampacidade dessa corrente de curto ele vai desligar por questões de segurança e todos ficam sem energia. Ou seja, ele desligando acaba a energia de um bairro inteiro ou de um local em específico”, comentou Marcio Jardim.

Saindo desse espaço, o cabeamento passar a ser subterrâneo novamente e volta a subir pelos postes que contém os cabos e outros transformadores, responsáveis por rebaixar para 220 volts a energia que chega nas casas.

Normalmente, a subestação fica sem nenhum trabalhador atuando por lá. Tudo é supervisionado a distância, do Centro de Operações Integrado, que fica em César de Souza. Por isso, caso um dos equipamentos da ETD desligue, os colaboradores já ficam cientes antes mesmo que haja uma reclamação por parte dos clientes.

O espaço comporta ainda uma sala aonde estão uma tela que mostra um esquema unifilar, que faz um resumo mostrando as linhas de transmissão, os transformadores e disjuntores. Ela também é fundamental para a rápida resolução de problemas e a comunicação com a central.

O cuidado para manter a rede aérea

Um trabalho constante de poda é programado pela EDP. (Foto: Eisner Soares)

Atualmente, 90% das redes de distribuição do Brasil são aéreas e estão expostas a problemas com as condições climáticas e também outros agentes externos, como vegetação, pipas, colisão de veículos e outros objetos projetados na rede elétrica. As árvores são o principal fator de impacto, principalmente, no período de chuvoso, quando os ventos projetam esta vegetação para a rede.

Por isso, um trabalho constante de poda é programado pela EDP que também tem implantado redes de média e baixa tensão com tecnologia de proteção. Mesmo com esse mecanismo, ter galhos, folhas ou qualquer outro item tocando o cabeamento pode ocasionar na falta de abastecimento.

O corte das árvores é feito por uma equipe formada por dois eletricistas da empresa. Enquanto um se mantém no solo dando as principais instruções e prevendo possíveis perigos, o outro sobre no cesto aéreo. O serviço é uma parceria com o Prefeitura, que é quem deve recolher as partes que são retiradas da vegetação. Uma análise preliminar de risco também é feita, além do isolamento da área.

No Centro de Operações Integradas instalado em Mogi das Cruzes, os colaboradores são responsáveis por monitorar toda a área de concessão inteira da EDP. De lá, eles analisam o atendimento ao cliente, as câmeras de segurança, controlam as equipes que ficam nas ruas e também o comportamento das medições.

Centro de Operações Integradas instalado em Mogi das Cruzes. (Foto: Eisner Soares)

Uma das salas do espaço é totalmente destinada aos consumidores. No dia em que a reportagem esteve no local, eram quase 1,9 milhão de clientes. Deste total, 740 estavam com os serviços interrompidos. Dali, a empresa consegue acompanhar quantos atendimentos online estão sendo feitos, quantas pessoas estão em espera e quais serviços estão sendo solicitados. O local só é colocado, de fato, em operação em caso de grandes crises, quando funcionários de diferentes setores se reúnem ali a fim de definir uma melhor solução.

“Hoje, 75% dos clientes buscam o canal de atendimento online. Então, precisamos estar bem atentos, porque não adianta eles procurarem se não funcionar. Quando eles fazem uma reclamação que a gente não consegue resolver e antecipar, as soluções também são encontradas aqui na central”, frisou Marcio Jardim.

Em outra sala do lugar, os funcionários recebem as notificações passadas pelos clientes. De lá, eles analisam a ocorrência para ver o que é prioritário e para encontrar uma equipe de manutenção mais perto do local onde aquilo aconteceu. Eles são responsáveis, então, por toda a logística na solução de problemas na rede.

Departamento inteiramente voltado para o monitoramento das medições. (Foto: Eisner Soares)

Em outra sala do Centro de Operações Integradas está um departamento inteiramente voltado para o monitoramento das medições. Nela, o objetivo é garantir que a conferência esteja sendo feita de maneira correta e que ninguém esteja manipulando ou fraudando os medidores. O local também conta com alarmes.

Em telas instaladas na parede, está sendo exibida a carga do sistema. Caso haja uma queda brusca ou um pico naquela medição, é acionado um aviso para que seja verificado o que está acontecendo. O funcionário recebe aquele alerta e faz uma análise crítica daquilo. Caso seja constatado que pode ser realmente uma manipulação, uma equipe é enviada à unidade consumidora para que seja feita uma inspeção detalhada.

O consumidor convidado a comparecer no Laboratório de Medição. (Foto: Eisner Soares)

A empresa elabora laudos para realmente constatar possíveis fraudes. Tudo isso começa em campo e as equipes recebem uma listagem com os locais que precisam ser verificados, vão até o bairro munidas de equipamentos e o histórico de consumo. Chegando lá, caso seja encontrado um medidor com defeito ou irregularidade, ele é embalado na presença do cliente, a EDP recebe um comunicado de substituição e ele o consumidor convidado a comparecer no Laboratório de Medição.

Lá são feitas as inspeções, comandadas pelos técnicos Acacio Moreira e Eduardo Bruni. Eles fazem, então, um relatório, para que possa ser feita a cobrança. Entre os equipamentos que estavam sendo analisados durante a visita da reportagem, alguns sequer estavam fazendo a medição.